Posts Tagged ‘Urbanismo’

Papo cabeça com Milton Weber Filho

O empresário Milton Weber Filho, de 31 anos, é diretor da Regional Canasvieiras da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis). Assumiu o cargo no início do ano passado, mas está na diretoria da entidade desde 2009. É natural de Florianópolis e acompanha bem de perto o cotidiano do Norte da Ilha, região que conhece há mais de duas décadas e onde exerce, com outras lideranças, importante participação comunitária.

Como as organizações empresariais e comunitárias avaliam o rápido crescimento do Norte da Ilha?

Esta região, que ultrapassa 120 mil habitantes e fica com 500 mil no verão, continua crescendo e deve aumentar com o incremento na economia fora da temporada. Além disso, já podemos somar as 300 empresas tecnológicas que se instalarão no Sapiens Parque e trarão milhares de trabalhadores com renda mensal média de R$ 3 mil. Mas tudo isso parece que não é visto pelo poder público. Falta planejamento e atuação de curto e longo prazo na região. Quem sabe a próxima administração da cidade mude isso. E está em nossas mãos, porque com grande número de eleitores, a região pode hoje decidir a eleição.

O Centro de Convenções vai sair de acordo com o que a comunidade anseia?

Se não sair, o governo do Estado deveria devolver aos cofres públicos os R$ 5 milhões gastos. Ninguém quer obras pela metade. Esse projeto foi mal conduzido, faltou transparência: não apresentaram novo projeto a ser executado e nem disseram quando as obras vão reiniciar. Cerca de 400 pessoas abraçaram o ‘esqueleto’ do Centro de Convenções no dia 2 deste mês, em movimento pacífico, limpo e organizado. Sob a coordenação da Acif e com apoio de 20 entidades, caminhamos pelo bairro com faixas, camisetas e carro de som chamando a população, que se uniu. Enviamos ofícios, não tivemos respostas. O protesto vai continuar.

E a situação de segurança pública: melhorou nos últimos meses?

Devido ao contato constante com o comando das polícias Militar e Civil da região, e conhecendo seus recursos, precisamos elogiar a dedicação e trabalho que realizam. Mas, ao comparar os recursos com a população do Norte da Ilha se torna claro que precisamos de mais policiais. A Polícia Civil na região não tem investigação – é como se uma cidade não investigasse crimes. Os delegados e a Polícia Militar adotaram estratégias para contrabalançar a falta de policiais, estão de parabéns, mas falta o Estado fazer sua parte. Também é necessário trazer uma Base Operacional da Guarda Municipal para o Norte da Ilha. Só a união da prefeitura e do Estado trará segurança.

Quais outros problemas locais que o senhor destacaria como graves?

A falta de planejamento do poder público é a causa de todos os problemas. E precisamos da ativação de uma Secretaria do Norte da Ilha para aplicar os recursos de forma certeira, a duplicação da SC-403, questão básica de mobilidade urbana, entre outras questões. Se muitos desses problemas fossem identificados e resolvidos logo, nem existiriam mais e não estaríamos nessa situação emergencial. Estamos muito atrasados.

Qual o objetivo do Codeni (Conselho de Desenvolvimento do Norte da Ilha)?

O Codeni é a união da sociedade civil organizada do Norte da Ilha e seu objetivo é planejar e acompanhar o desenvolvimento da região. As atividades começaram em maio e em duas reuniões o conselho juntou mais de 30 entidades. Nossas principais bandeiras são: o apoio ao Centro de Convenções, a ativação da secretaria do Norte da Ilha, solução para saneamento básico, segurança pública, duplicação da SC-403 e término das obras da SC-401. Quem quiser mais informações ou conhecer mais nosso trabalho é só ligar na ACIF de Canasvieiras e nos procurar (3266-2910).

Sabatinados

César Souza Jr. fechou o ciclo do Sabatina News – ND On Line, Notícias do Dia, Record News, RIC TV – na sexta-feira (15), demonstrando grande disposição e conhecimento em relação à cidade. O Grupo RIC realizará em agosto o primeiro debate reunindo os principais candidatos à prefeitura. Além de repetir a dose do Sabatina News ao longo da campanha.

Impunidade

“Não se respeita faixa, não se dá seta, fura-se o sinal e depois querem falar da indústria da multa? Vão ler o Código de Trânsito Brasileiro: multa-se pouco pelo que se vê”. Tuitada de Diego Maravalhas (@diegomaravalhas), com a qual este colunista concorda em gênero, número e grau: chega de impunidade no trânsito!

Itália na…

O Pavilhão Italiano da Rio+20, sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente do País, foi completamente elaborado com material reciclado, a entrada do estande é toda feita de bambus, enquanto as paredes laterais possuem 56 células fotovoltaicas desenvolvidas pela empresa Enel Green Power, que gera 50% da energia consumida no espaço.

…Rio+20

No Pavilhão também ocorrem debates, workshops e seminários que discutirão a sinergia entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. A empresa catarinense Fábrica de Comunicação, dos jornalistas Karin Verzbickas e Róger Bitencourt, é responsável pela divulgação do Pavilhão da Itália no Brasil e na Itália.

Previsível

Embora este colunista não concorde com atitudes de violência, não deixa de ser compreensível que moradores da Avenida Gama d’Eça – transformada numa trincheira de guerra por conta das obras de drenagem –, estejam reagindo agressivamente à presença de máquinas e operários. Uma administração pública razoável faria aquela obra em etapas (por trechos), não da forma como está sendo feita, causando imensos transtornos aos moradores e aos motoristas.

Memória josefense

Quem imaginaria, no início da década de 1970, que essa imensa área do centro da imagem se transformaria no gigantesco e frenético bairro do Kobrasol? À época em que a foto foi registrada o terreno era o aeroclube de Campinas (repare nos hangares, no alto, à esquerda). À direita, a BR-101, quase 30 anos antes da duplicação.

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Consórcio intermunicipal é solução para mobilidade urbana

Municípios do ABC Paulista se unem para resolver problema da mobilidade urbana. Planejamento prevê inúmeras medidas emergenciais, como a restrição ao tráfego de caminhões.  Por que os municípios da Grande Florianópolis não fazem o mesmo? Confira aqui

Em defesa da vida

Bom dia. Na coluna de hoje abordo as manifestações em favor dos ciclistas de Florianópolis, cidade que não tem sistemas de ciclovias. Confira aqui.

Enchentes e o pouco caso oficial

Tal qual o que aconteceu em Santa Catarina em 2008, a maior parte dos mortos nas enchentes no Rio Grande do Sul, Espírito Santo e São Paulo foi vítima de deslizamentos e soterramentos. Quase não há registro de mortes por afogamento. Ou seja, todas as consequências dos desastres naturais são derivadas de uma única causa: ocupações irregulares. Porque, se fossem regulares, teriam a participação da engenharia – e raramente uma obra com projeto pode ser atingida por deslizamentos ou soterramentos. Simplesmente porque projeto, em geral, significa segurança.

Então, quem são os culpados? Os migrantes que ocupam áreas de risco ou o poder público, que permite invasões e construções em lugares perigosos? Lembrando que, quando falamos de poder público estamos falando em políticos e interesses eleitoreiros. São os migrantes que elegem essas antas que nos governam. Ou seja, quem manda no Brasil hoje é a periferia, com o devido respeito que a periferia – mais vítima do que responsável – nos merece.

Sem moratória no Itacorubi

Pelo jeito, o prefeito já havia desistido daquela história da moratória (suspensão de edificações por 24 meses) no Itacorubi. Tanto que apenas quatro vereadores de sua ampla e religiosa base votaram favoravelmente, ontem à noite, à aprovação do projeto de lei complementar 951/2008. A desistência, e consequente rejeição por 11 votos, deve ter ocorrido por conta de uma questão muito escancarada: o projeto fazia a ressalva de que o prefeito, acima de qualquer lei, poderia autorizar a construção de obras públicas ou privadas de qualquer natureza no Itacorubi. Ou seja, ele poderia escolher as construtoras.

O vereador Dr. Ricardo observou que, além de tudo, as comunidades atingidas pelo projeto não foram ouvidas como deveriam. Em outras palavras: não houve audiências públicas legítimas. E mais: o parlamentar destacou ontem à noite que o plano diretor da cidade continua empacado e, assim, Florianópolis segue perdendo as qualidades que sempre marcaram sua história.

Mas que fique bem dito: o problema não era a moratória, mas a ressalva, ou seja, a concessão de um poder divino, monárquico, ao prefeito da cidade.

Um dilema urbano

Passou pelo Centro, há pouco, uma manifestação de moradores (uns 20) do Maciço do Morro da Cruz, indignados com as demolições que a prefeitura vem promovendo nas comunidades que ocupam áreas de preservação permanente e pontos de risco (encostas). Eles defendem uma tese: primeiro a prefeitura tem que construir casas para as famílias; depois, a prefeitura pode demolir o que está construído de forma irregular.

Muito fácil. O sujeito vem do Rio Grande do Sul, do Paraná ou do Oeste de Santa Catarina, monta um barraco em Florianópolis e passa, na condição de novo cidadão florianopolitano, a exigir soluções do poder público local. Claro que é um problema social. Mas não é um problema de Florianópolis, é uma questão do país, que continua sem uma política de desenvolvimento urbano capaz de resolver o inchaço das cidades, especialmente as litorâneas.

Florianópolis, como já discutimos aqui, passou a ser a tábua de salvação de todos – dos ricos aos miseráveis. Todos vêm para cá, na esperança de beliscar um pouco da nossa suposta qualidade de vida. Alguns respeitam a cidade e as condições ambientais. Mas uma imensa maioria está se lixando. Para os ricos, é mais fácil: pagam multas e refazem os projetos de suas casas ou empreendimentos. Para os pobres, realmente é um drama: iludidos pelo marketing oficial, vêm à procura de emprego e renda e acabam montando seus barracos em locais perigosos – sem falar que seguem destruindo manguezais, dunas, restingas e o que sobrou da mata atlântica.

A prefeitura está cumprindo sua obrigação. Nem poderia ser diferente, diante das constantes ameaças de deslizamento nas encostas. Mas também a prefeitura não é mágica, nem a cidade comporta mais habitantes. Estamos num momento crucial da história florianopolitana. Ou barramos de uma vez por todas essas invasões e a desordem que causam ou transformaremos Florianópolis numa cidade de terceira categoria — se é que já não chegamos a esse estágio.

Destruindo o patrimônio da cidade

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Mais uma falta de respeito com a cidade: estão descaracterizando esse belo casarão, que foi sede do PSB, na Avenida Hercílio Luz. As primeiras informações dão conta que os responsáveis (ou irresponsáveis) estão “reformando” o prédio para ali instalar um restaurante. Se for isso mesmo, estou fora, passo ao largo. Quem destrói o patrimônio não merece piedade, nem frequência. E se a prefeitura permitiu essa violência, Deus que me perdoe… não vou dizer mais nada. [A foto é uma gentileza do João Cavallazzi, repórter sempre atento às coisas de Florianópolis].