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Papo-cabeça com Leandro Mané Ferrari

“Precisamos organizar nossa estrutura náutica”

Matéria divulgada na mídia nacional no início da semana passada causou polêmica e indignação entre os florianopolitanos, por causa de afirmações exageradas a propósito da pretensa “riqueza” dos moradores da capital catarinense, como se Florianópolis fosse uma Beverly Hills encravada na América do Sul. Espalharam-se críticas e gozações pelas redes sociais, criou-se até um suposto movimento dos “sem-lancha”. Leandro Mané Ferrari, presidente da Acatmar (Associação Catarinense de Marinas), foi um dos entrevistados pelo O Globo. Ele lamenta a repercussão negativa que a matéria alcançou e reafirma o que destacou para o jornal: “Uma coisa é certa, o mundo náutico está crescendo e nossa cidade não está preparada”. Ferrari, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Florianópolis, engenheiro civil José Carlos Rauen, mais o secretário de Estado da Infraestrutura, deputado Valdir Cobalchini, visitaram este mês o segundo maior salão náutico do mundo, em Gênova, Itália, justamente em busca de parcerias que viabilizem projetos para desenvolver a estrutura náutica em Santa Catarina.

A matéria de O Globo causou polêmica e mal-estar, pela forma como foi apresentada. Você entende que o foco da matéria está correto?

O único objetivo nessa matéria foi mostrar nossa luta constante para transformar Santa Catarina em um Estado de frente para o mar. Somos (a Ilha de Santa Catarina) uma ilha banhada de água por todos os lados e não sabemos aproveitar de forma qualitativa esse recurso. Nossas baías são poluídas, consequentemente nossas praias, e isso só tende a agravar se não cuidarmos do crescimento desordenado. Uma coisa é certa, o mundo náutico está crescendo e nossa cidade não está preparada, por isso precisamos urgentemente organizar e qualificar toda a estrutura náutica para que não tenhamos problemas no futuro. A cidade precisa se desenvolver e isso não podemos impedir. No setor náutico precisamos estruturar as marinas privadas e públicas, o transporte marítimo integrado a outros modais. Isso trará mais qualidade de vida à comunidade, ao turismo e, em consequência, a geração de empregos diretos e indiretos agregados ao setor.

Ter lancha é uma questão de status/riqueza? Ou isso é um preconceito?

Já foi sim. Mas neste aspecto o setor evoluiu muito e lancha passou a ser um investimento de lazer para toda a família, e muitas vezes é conquistada com muito sacrifício. Qualquer embarcação – grande ou pequena e com propulsão a motor – é um barco, e vai te dar o mesmo prazer de usufruir das nossas águas, além de ser um dos equipamentos que mais unem as famílias.

Por que a questão náutica é tão evoluída em Balneário Camboriú e na Grande Florianópolis não é?

Por questões culturais. Quando todos os setores – digo político, empresarial – lutam pelos mesmos objetivos cria-se na sociedade civil uma estrutura organizada e de qualidade como gostaríamos que acontecesse aqui.

Biguaçu pode ser nossa Balneário Camboriú, ou seja, um novo polo náutico do Estado?

Biguaçu e Florianópolis têm todas as condições possíveis para serem os maiores polos náuticos do Estado. Temos rios e baías que não encontramos em qualquer lugar do mundo, basta querer fazer. E, como somos a cidade do “nada pode”, Balneário está anos luz à frente.

E o transporte marítimo regional, como a Acatmar está acompanhando?

A Acatmar tem se empenhado totalmente na implantação do transporte marítimo, inclusive ajudando tecnicamente na implantação no município de Palhoça. Temos conversado com os candidatos a prefeito de Florianópolis, os prefeitos de Biguaçu e São José, pois o transporte só será viável com a participação de todos esses municípios – e interligados a outro meio de transporte urbano –, caso contrário o projeto vai por água abaixo.

Prevenção

Neste sábado (20) começa a campanha de conscientização contra o AVC. Para prevenir a principal causa de mortes no Brasil, haverá mobilização em todo o país. Em Santa Catarina, estão programadas atividades em Florianópolis e Joinville. Na capital serão distribuídos panfletos e ocorrerá medição de pressão arterial e glicemia no Supermercado Hippo.

Lobato vive

No momento em que os patrulheiros de plantão tentam vetar as obras de Monteiro Lobato, num processo inquisitorial sem precedentes no Brasil, a prefeitura de Palhoça anuncia: vai utilizar o universo mágico do grande autor durante o Natal Reluz, entre 2 e 16 de dezembro. O espetáculo pré-natalino, que ocorre desde 2005, já virou atração turística regional na área central da cidade.

Construfest

Cerca de 1.600 pessoas são esperadas neste sábado (20) na 5ª Construfest, evento promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) da Grande Florianópolis e Serviço Social da Indústria da Construção (Seconci) para os trabalhadores do setor e seus familiares. Os funcionários das empresas associadas ao Seconci terão um dia com atividades no Sesi de São José, a partir das 9h.

Realidade

“R$ 670 mil reais por um apartamento de dois quartos em Brasília. Depois falam que Floripa é careira. Com R$ 670 mil é possível comprar dois apartamentos de dois quartos em Floripa e sobra $$. Além do que, temos praias, nossa cidade é lindíssima”. Constatação da empresária Ada Heilmann, que atua com consultoria imobiliária em Florianópolis.

Amigo cão

A Feira de Adoção de Animais realizada mensalmente no Floripa Shopping conta mais uma vez com a presença do fotógrafo Geremia, que estará no local registrando a cumplicidade entre os donos e seus bichos de estimação. Em troca, o visitante pode doar 1 kg de ração ou um vale castração para ajudar os animais resgatados pela ONG Pata, organizadora do evento. A feira acontece no Estacionamento G1, das 10h às 17h deste sábado (20), com entrada gratuita.

Raízes

A comunidade de Löffelscheidt, em Águas Mornas, revive neste domingo (21), a partir das 9h, nas dependências da igreja católica, as tradições trazidas pelos imigrantes alemães, em especial pelos oriundos da região do Hunsrück. O evento pretende valorizar cultura dos imigrantes do Hunsrück, com destaque para o dialeto específico. Haverá culto e apresentações folclóricas.

Mostra

Sessenta e sete apresentações neste sábado (20) e 59 neste domingo (21) marcam o encerramento da Mostra de Dança Infantil A Noite é Uma Criança, aberta na quinta-feira (18), com o Grupo de Dança COC Córrego Grande (foto).

Sobre delírios & prejuízos

O metrô de superfície, ideia do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, que seria inaugurado em 2010, está oficialmente descartado, segundo comunicou o secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Renato Hinnig, na noite de quinta-feira (3/2). Só o ex-governador não sabia que o sistema, em Florianópolis, é inviável, a não ser que o metrô utilizasse uma linha aérea (suspensa), como em algumas cidades europeias.

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Claro que o que foi gasto em estudos a propósito desse projeto delirante deve ser anotado na contabilidade geral de prejuízos gerados pelo governo anterior. Da mesma forma que a badaladíssima travessia aquática Joinville – São Francisco do Sul (Jet Buss), inaugurada com toda pompa e circunstância pelo mesmo ex-governador Luiz Henrique da Silveira em 2009. Já era. Ou nunca foi. Dinheiro público jogado fora.

Turismo pra quê e pra quem?

É só o que se lê nos jornais: engarrafamentos nas estradas e na beira do mar, falta de água, excesso de gente nas praias, preços extorsivos . Isso é qualidade de vida? Isso é turismo de primeiro mundo? É esse caos que queremos pra sempre em Santa Catarina? Florianópolis, Itapema, Porto Belo, Balneário Camboriú e outros antigos paraísos litorâneos estão se transformando em cidades inviáveis, cada vez piores para viver ou curtir. Não é, decididamente, o que seus moradores desejam — pelo menos aqueles moradores que não se envolvem na especulação e na exploração dos turistas. Estamos pagando um preço muito alto pela irresponsabilidade governamental, que coloca Santa Catarina na mídia nacional e internacional como um Estado organizado e preparado para receber visitantes. Não é. E cada temporada de veraneio comprova o que pensamos.

Florianópolis, uma cidade turística de araque

Na nossa maltratada e abandonada Praça 15 de Novembro, os turistas eram recebidos por um incrível comitê de recepção ao meio-dia de uma segunda-feira normal (dia 22 de dezembro): índios equatorianos tocando músicas típicas dos Andes; um solitário saxofonista interpretando clássicos dançantes; dois travestis rodando bolsinha; um carrinho de sorvetes da Sorveteria Copa 70; dois engraxates; três bêbados circulando em volta da figueira; uma “estátua viva” pintada de branco. Cidade turística, a nossa, não? 

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Minha filha caçula (9 anos), que me acompanhava pelo Centro, perguntou: “São indígenas de verdade? De Floripa?”. Ela se referia aos equatorianos que tocavam suas músicas e dançavam em volta da figueira. Que estarão de volta na próxima segunda-feira e continuarão fazendo suas performances até que todos os turistas tenham ido embora, no final de fevereiro.

A realidade e as belas teorias dos gabinetes

É muito bacana a preocupação do governo em planejar nosso turismo, trazer o pessoal do WTTC de novo etc. e tal. Mas o que a gente vê na prática é muito pouco diante da importância de Santa Catarina para o contexto turístico nacional. Estradas ruins, saneamento deficiente, infraestrutura precária, violência generalizada e capacitação profissional insuficiente – são alguns dos problemas recorrentes no Estado e, em especial, na capital catarinense.

O problema, como sempre, é que a Sorbonne (*) que nos governa não tem noção exata da realidade. A visão é superestrutural, sofisticada, excepcionalmente grandiosa. Mas o chão onde pisamos não corresponde ao que os gráficos da Sorbonne (*) demonstram.

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(*) Entenda-se por Sorbonne a extrema teorização geral dos assuntos de governo, sem muito vínculo com a qualidade governativa em si. Teoria é bom, mas é bom quando se relaciona à realidade e não à pretensão sofisticada e pedante de alguns assessores do governo. Em outras palavras, os problemas caminham mais rápido do que as soluções teorizadas nos gabinetes assépticos e refrigerados.

Rodoviária: tomara que seja para melhor

 

As péssimas lanchonetes da rodoviária Rita Maria foram desmontadas hoje, por ordem da Justiça. Pelo menos quanto a uma, a do desembarque, lamento pelos amigos que perderam o emprego – rapazes esforçados, que tentavam fazer o melhor possível, mas a qualidade dos produtos (e os preços) sempre deixavam a desejar. O café até que era bom, mas durante muitos anos lutei contra um fato complicado: a mania mané de servir café adoçado — quase um purgante. Briguei, briguei e consegui: separadamente, eles tinham uma garrafa com café sem açúcar. Uma coisa mais civilizada, claro.

Não lamento pelas lanchonetes, como não lamentei pelas bancas de jornais e revistas – dois verdadeiros barracos, sujos, mal-organizados e com horários lastimáveis: quem precisasse viajar às 7 horas da manhã ou após as 22 horas sempre encontrava os dois estabelecimentos fechados. Ah, sim, e os rapazes que cuidavam dos quiosques também cerravam as portas no horário do almoço. Os apreciadores das boas leituras (jornais, livros, revistas) sempre ficavam na mão. Como eu já sabia, e viajava muito para Joinville e Itajaí, sempre chegava às 7 horas com meu jornal na bolsa.

Tomara que os novos serviços, já licitados, sejam melhores. A cidade merece, os visitantes merecem.

O Estado que o WTTC conheceu

No vídeo acima, o prezado leitor terá a oportunidade de descobrir que vive num Estado de pura ficção, completamente diferente do que vê no dia-a-dia: não há pobreza, nem crianças fora da escola, tampouco pacientes nas filas dos hospitais ou rapazes se matando nos becos e vielas por causa do tráfico de drogas.

Claro, o vídeo é uma peça de propaganda – e, como se diz no meio da comunicação, ninguém faz propaganda contra si próprio.

No vídeo, narrado em inglês (com legendas), o prezado leitor não apenas conhecerá esse Estado imaginário, apresentado aos participantes do Fórum Mundial de Turismo, promovido pelo WTTC. Saberá, também, que nós vivemos em Santa Carolina, e que somos todos umas antas quando nos referimos a Santa Catarina como sendo a padroeira… e o nome do nosso Estado.

Resta saber quem patrocinou esse caprichado documentário de pouco mais de cinco minutos… Se foi o governo que pagou e se foi isso que os participantes assistiram, não nos resta outra alternativa: vamos admitir, mesmo, que vivemos sob o regime da mais pura idiotice. Sim, porque ouvir sete vezes o narrador pronunciar “Santa Carôulina” é demais para os nossos sofridos espíritos.

Quem enviou a indicação para essa babada de uma agência local (a D. Araújo) foi o Paulo Dutra.

Atualização às 9h10 — Talvez este blogueiro esteja padecendo de algum mal na audição. Comentaristas dizem que a pronúncia de Santa Carôulina está correta. Se o blogueiro estiver errado, paciência, porque deve também estar mal de inglês e pronúncia. No meu inglês, que é britânico, a pronúncia seria Santa Catarriiina. Quanto à qualidade do vídeo: indiscutível. E vejam que há dois trechos interessantíssimos: um em que aparece um desafeto do governo, o maestro José Nilo Vale, regendo a orquestra (Ossca)  que foi recentemente defenestrada do interior do Centro Integrado de Cultura (CIC).  O outro é quando o roteiro fala em “progresso” e aparecem as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo lotadas de automóveis. Progresso?