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Explicando o inexplicável

 

Como sempre, JB, o secretário de Transportes e vice-prefeito da cidade, aparece para esclarecer o que não tem justificativa. Defendendo a tarifa de R$ 2,20 — quando está escrito no para-brisa dos ônibus R$ 2,80 — e descendo o sarrafo em quem divulgou a pesquisa ontem (G1).

JB não se conforma com a divulgação da verdade. Mas é muito fácil desmistificar o discurso dele: se você pratica dois preços (real e com desconto), o que vale é o preço maior. Questão de lógica matemática!

Outro equívoco, que está destruindo o sistema de transporte coletivo em Florianópolis, é a tal tarifa única, inexplicável para uma cidade que tem uma rede de ligações urbanas tão complicada! Já escrevi sobre o caso aqui, mas não custa lembrar: pago R$ 2,80 só para atravessar a ponte Colombo Salles (trajeto de 1,5 quilômetro). O sujeito que vai pro Rio Vermelho paga os mesmos R$ 2,80, num trajeto de 45 quilômetros. Não há explicação possível para isso.

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A mentira da tarifa barata

tarifas

A mentira… tem perna curta, como bem demonstra o quadro acima (*).

O discurso da tarifa mais barata do transporte coletivo em Florianópolis está totalmente derrubado! G1 de hoje (aqui), por sugestão do leitor e amigo Joanildo.

(*) E não me venham com o discurso de que, no cartão é mais barato. O valor real da tarifa é o que é cobrado em dinheiro (R$ 2,80). Se você compra a passagem antes, em pacote (cartão Passe-Rápido), ganha um desconto, fazendo o valor cair para R$ 2,20. Mas para pagar R$ 2,20 você tem que comprar um pacote (mais ou menos como nas locadoras de vídeo). Trata-se na verdade de um disfarce marketeiro.

O nó do transporte coletivo

 

   A população do Sul da Ilha está reclamando da redução dos horários de circulação dos coletivos. O secretário de Transportes, João Batista Nunes, admite o problema, conforme notícia publicada no Diário on-line. E diz: — “Infelizmente ocorreu sim (esse) erro da Secretaria, das empresas que foram comunicadas com brevidade, de informar a população das alterações. O que nós estamos fazendo e exigindo das empresas, conforme tabulação de quadro de horário e demanda, é a otimização dos horários. Não justifica linha com duas, três pessoas dentro. E quem paga é contribuinte. Quilometragem em excesso só acarreta aumento da tarifa” (DC).

   Essa aí é a prova de que está chegando a hora da verdade em relação ao transporte coletivo. Eu pago por um trajeto de dois quilômetros – linha Circular – o valor de R$ 2,80. O cidadão que vai para Ingleses (35 quilômetros) ou Rio Vermelho (45 quilômetros) paga os mesmos R$ 2,80. Paga, não. Eu, que utilizo linha curta, é quem subsidio a passagem do camarada que usa as linhas longas. É matemática, pura e simples, sem tirar nem pôr.

   Aí o que fazem as empresas? Reduzem os horários, desligam os aparelhos de ar-condicionado dos ônibus, diminuem a qualidade de todos os serviços prestados, relaxam na manutenção dos veículos (*), porque operam com diferenças de custo absurdas.

   Mas a atual administração florianopolitana, que joga pra plateia, não quer nem saber: penaliza a população com uma passagem caríssima (R$ 2,80 é um assalto) e, ao mesmo tempo, não consegue resolver o problema das empresas, que acumulam prejuízos desde a implantação do sistema integrado, em 2004.

   E não venham dizer que a culpa é da administração anterior, porque a administração anterior é justamente a que está no poder: prometeu abrir a tal caixa preta do transporte coletivo e até hoje nada – as coisas só pioraram. E como pioraram nos últimos cinco anos!

 

(*) Há algumas semanas tomei um ônibus para ir ao Morro da Cruz. No caminho, o veículo começou a apresentar problemas mecânicos (na caixa de marchas), logo superados. Comentário do cobrador: “Só hoje foram sete carros quebrados”. Em suma: a frota não está recebendo a manutenção adequada. E quem paga a conta? O cidadão que utiliza esse sistema precaríssimo e superado de transporte coletivo.

A bomba do prefeito (ou vice-versa)

 

O prefeito Dário Berger concedeu entrevista ao Notícias do Dia, na edição de domingo. Está lá a frase

Transporte coletivo é uma bomba relógio

Mas, prefeito, se o senhor sabe disso desde a campanha de 2004, se o senhor fez de tudo para piorar o sistema (a tal tarifa única que prejudica 65% dos usuários), por que o senhor não desmonta a bomba? Precisa de ajuda? Chama o Bruce Willys, o Arnold Schwarzenegger, o Jean-Claude Van Damme…

Tudo combinado – e a tarifa aumenta

 

Então, era aquilo mesmo: negociações de bastidores na verdade tinham o objetivo apenas de discutir o valor do reajuste das tarifas dos ônibus. Não tinha nada de intervenção, nem qualquer outra coisa. O papo entre empresários e prefeitura era esse mesmo – e a dificuldade era apenas sobre o valor.

Ah, sim, e a greve – quem não sabe? – é sempre pra impressionar (prejudicar a população), servindo como justificativa para o aumento da passagem . Tudo combinado. Uma vergonha.

Vai estatizar o transporte coletivo?

 

Até agora o prefeito Dário Berger não explicou muito bem o que será a tal “intervenção” que pretende decretar no transporte coletivo. Uma intervenção representaria, na prática, a estatização das empresas de ônibus. Mas será isso ou o prefeito quer dizer outra coisa? Falta clareza.

Sistema falido

 

Ontem, foi a deputada Angela Albino (PCdoB) quem se dispôs, na Assembleia Legislativa, a participar do processo de negociações pelo fim da greve dos motoristas e cobradores de ônibus. Hoje foi o deputado Amauri Soares (PDT) quem ocupou a tribuna para se pronunciar sobre o caso. Para Amauri, o sistema de transporte coletivo de Florianópolis está falido. E está mesmo. Não do ponto de vista econômico, mas de gestão.