Posts Tagged ‘Trânsito’

Prefeitura esclarece

Recebi da Prefeitura de Florianópolis uma nota de esclarecimento, a propósito do post que publiquei outro dia, criticando o fechamento da Avenida Paulo Fontes: 

Com relação ao texto “Não deu certo” (10/11) a Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais esclarece que toda mudança que fizemos na cidade é caracterizada primeiramente por uma certa revolta em decorrência da mudança de hábitos. Não podemos esquecer do fechamento da rua Felipe Schmidt quando os comerciantes achavam que iriam falir pela falta de movimento, argumentação esta utilizada pelos comerciantes do Mercado Público.

O que as pessoas estão esquecendo é que os usuários do Mercado Público não precisam do carro para chegar ao local, pois antes o entorno era utilizado apenas para carga e descarga.

Carlos, em detrimento a fala de seus amigos cabe salientar que houve SIM a participação do IPUF, bem como de profissionais e técnicos que estão na PMF para pensar na cidade do futuro e mudar alguns paradigmas.

Com certeza ainda estamos em fase de ajustes, a obra não está conclusa. Os congestionamentos/ engarrafamentos apenas mostram que cada vez mais as pessoas tem que utilizar o transporte coletivo ou transporte ativo (bicicleta e a pé) para se deslocarem.

Lembramos que só podemos construir um transporte coletivo de qualidade quando ele for efetivamente priorizado em detrimento do carro.

Lúcia Maria Mendonça dos Santos — Diretora de Fiscalização — Florianópolis

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Rodízio ou pedágio?

A possibilidade de rodízio de carros em Florianópolis, como é feito em São Paulo há muitos anos, não deve assustar ninguém. Do jeito que está é que não pode continuar – alguém levar 45 minutos para atravessar a ponte Pedro Ivo, após as 7 horas da manhã, não é uma situação aceitável.

Pessoalmente, sou favorável ao pedágio urbano. Entrou no miolo central da cidade, paga pedágio. Isso estimularia muita gente a deixar o carro em casa e utilizar o sistema de transporte coletivo. Está bem, o sistema não é bom, os horários são horríveis etc. e tal. Mas a prefeitura precisa dar um jeito. Se não for agora, que seja na próxima administração. Alguém tem que acordar pra isso.

O risco do rodízio: tenho amigos em São Paulo que têm dois carros – um, novo, com placa final x, que pode trafegar nos dias autorizados. Outro, velhinho, com final y, que pode trafegar nos dias contrários. Geralmente, o segundo carro é um Monza ou Corsa antigo. Ou seja, ao invés de resolver o problema o rodízio aumenta ainda mais a frota, estimulando a circulação de carros velhos e altamente poluentes.

Por isso, na minha conta, o pedágio urbano seria muito mais eficiente.

Não deu certo

Consenso na cidade: o tal calçadão da Avenida Paulo Fontes não vai funcionar. O fechamento provisório não funciona. O trânsito virou um inferno, pior do que era antes, para desagrado de todos, motoristas e pedestres. O movimento comercial no mercado público caiu mais de 50%. E a prioridade aos pedestres não é prioridade aos pedestres: uma faixa da avenida continua sendo utilizada por veículos. No caso, os ônibus que entram no Ticen. Embora plena de boas intenções, a medida adotada pelo vice-prefeito JB, enquanto o titular estava em férias (de novo) na Europa, foi cercada pela improvisação, sem nenhum planejamento, nada de opinião técnica, de participação de urbanistas (e o IPUF está cheio deles).

Tudo o que escrevi acima é baseado em conversas com amigos e leituras. Continuo considerando ótima a decisão do JB, mas não posso deixar de enfatizar que o que tenho visto – como vi na sexta-feira à tarde – mostra que a solução não foi a ideal para uma cidade que está transformada numa zona.

Contraponto às sugestões para o trânsito

O leitor Fabiano, que se identifica pela causa (Bicicleta na Rua), deixou um extenso comentário em resposta às sugestões de Dejair Vicente Pinto. Vale a pena ler, porque é mesmo um contraponto interessante (e este blog não é dono da verdade) à questão da mobilidade em Florianópolis: 

Sou contra várias dessas alterações sugeridas, em especial a transformação da Mauro Ramos em 4 pistas de sentido único e a retirada de semáforos.

Na verdade, faltam semáforos na cidade (e fiscalização em vários destes que permitem que motociclistas e motoristas imprudentes queimem um semáforo para ficar parado no próximo).

Infraestrutura para automóveis gera demanda para o uso de veículos motorizados individuais. Los Angeles têm cerca de uma dezena de pistas na entrada da cidade e ela vive lotada! As marginais Tietê e Pinheiros não resolveram o problema do trânsito e ainda impossibilitou as margens dos rios paulistanos para atividades “humanizantes” (ou as que poderiam ter se ele não estivesse poluído; o legal é que com a falta de acesso ao rio diminui a pressão da população da cidade para sua descontaminação…). As cidades que têm melhorado a mobilidade o que têm feito? Seul acabou com as rodovias à beira de seus rios. Copenhagen fechou para automóveis a maior de suas avenidas. Curitiba melhorou o transporte público (se bem que o sistema de binários lá adotado recebe muitas críticas porque não previu o deslocamento por bicicleta, e infelizmente no Brasil vários ciclistas vão andar na contramão para economizar tempo de deslocamento). Eu gosto de binários. Desde que ele favoreçam ao deslocamento não motorizado e ao transporte público. Ter uma cidade dinâmica não significa dinamismo aos automóveis. Eles correspodem a cerca de 30% dos deslocamentos dos brasileiros. Um terço dos deslocamentos são feitos por transporte público e outro terço por meios não-motorizados (como a pé e de bicicleta). Se dermos mais incentivos para a construção de novas autopistas, podemos conseguir chegar ao nível dos EUA, onde temos o absurdo índice de 89% das viagens pelo indivual e poluente carro. Quem tem que andar de carro, se assim o quiser, é quem mora longe do local de trabalho (>8km) em lugar com sistema de transporte público ruim. São os policiais, bombeiros e ambulâncias em serviço. Não a minha vizinha que vai à padaria da esquina!

PS: sem semáforo, como ficariam os pedestres que cruzam a Mauro Ramos? Ou os que cruzam a Beira-Mar? Nas regiões centrais e de grande fluxo de pessoas (como a Mauro Ramos) deveriam ser implantadas medidas de traffic calm, como as zonas 30 (em que a velocidade máxima é de 30km/h). Uma pessoa atropelada a 30km/h tem cerca de 90% de chance de sobreviver, enquanto uma a 60km/h tem 85% de chance de morrer. O ideal seria melhorar o transporte público (leia-se: além das faixas exclusivas, abrir a “caixa preta”; a idéia de um VLT tb me agrada), construir calçadas largas e decentes – em especial nas ruas com características de rodovias, implementar ciclofaixas em vias de trânsito mais lento e ciclovias e passeios compartilhados nas de trânsito rápido. Não sou também contra rodízios ou pedágios, desde que haja completa transparência com a receita daí obtida. Pistas duplicadas??? Bem, teria que contemplar calçadas e rígida fiscalização de velocidade e demais leis de trânsito, além de provável compensação ambiental. Em alguns locais o transporte marítimo tb pode ser uma boa pedida.

Soluções interessantes para o trânsito

Meu caro Dejair Vicente Pinto deixou um comentário que vale a pena trazer para cá. Sugestões/soluções de uma simplicidade impressionante, que a prefeitura bem poderia estudar. Alô, João Batista?!!?

Caro Damião

Defendo há alguns anos mudanças radicais no trânsito de Florianópolis. Mudanças que em Blumenau já foram realizadas há 15 anos. Aqui, parece que as coisas vão começar a acontecer. Espero. Por exemplo, entre outras tantas mudanças que já deveriam ter ocorrido, a Avenida Mauro Ramos com sentido único, quatro pistas da Beira-Mar Norte para a Prainha, Rua Lauro Linhares com sentido único deste á rótula da UFSC para o Centro, o mesmo acontecendo com a via interna do Saco dos Limões, sentido único para a Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal e para a Capitão Romualdo de Barros, na Carvoeira, sentido único para a rodovia do Córrego Grande desde o trevo da UFSC em direção ao Parque São Jorge e Itacorubi. No Centro o trânsito deveria convergir ao máximo possível no sentido horário. Talvez, tenhamos que rodar um pouco mais, mas será dentro de uma malha mais ativa e dinâmica, com menos pontos de estrangulamento e semáforos instalados,dentro de um sistema antigo e ultrapassado que insistem em manter. Ou será que teremos que esperar mais 15 anos?

Começar de novo

Enquanto trabalho, ouço o Painel RBS sobre Mobilidade Urbana, que está sendo transmitido pela CBN e TV Com. O prefeito em exercício, João Batista Nunes, e o superintendente do DNIT em Santa Catarina, João José dos Santos, foram sabatinados há pouco pelos jornalistas da RBS e por internautas sobre as questões que envolvem a grave questão do trânsito em Florianópolis.

Pelo nível do programa, dá para dizer que a capital catarinense se transformou numa cidade tão complexa, tão extraordinariamente complicada, que só resta uma alternativa: parar tudo e começar de novo. De preferência, com a participação da cidadania: o motorista que reclama da tranqueira do trânsito é o mesmo que, quando está na condição de pedestre, é desrespeitado em seus direitos. Tudo converge para um ponto fundamental: Florianópolis precisa de um choque imediato, de alta carga.

O mérito do vice-prefeito JB, no meu entendimento, continua sendo o de ter provocado esse debate a partir de alguns intervenções pontuais na questão do trânsito. As intervenções podem não ser as adequadas, mas pelo menos estão servindo para que a cidadania repense sua cidade.

Pena, mesmo, é que o prefeito eleito não esteja na Capital. Não está aqui e não está nem aí pra nada.

A bronca da Zona Azul

Tenho acompanhado com atenção as declarações de nossas autoridades sobre a Zona Azul. Em nenhum momento percebi qualquer argumento que seja tecnicamente aceitável. Ao que me parece, até agora, já está tudo arranjado para privatizar o serviço – algo absolutamente desnecessário, uma vez que a Zona Azul já é administrada de forma privada (não é serviço público, portanto…).

Minha bronca com o sistema, desde os primeiros tempos, é relativa ao retorno que a cobrança pelo uso das vagas rotativas proporciona à cidade. Onde é aplicado o dinheiro? De que forma? Com quais resultados?

Na prática, a Zona Azul é resultado de uma pressão exercida pelos comerciantes, por conta da movimentação de veículos nas ruas comerciais. O problema é que o Centro foi inteiramente demarcado pelo Ipuf, inclusive ruas que são totalmente (ou quase) residenciais. E quem mora e não tem garagem faz o quê? Paga Zona Azul, mesmo tendo a prefeitura, lá atrás, permitido a construção de edifícios residenciais sem garagem – ou com poucas garagens, como acontece no chamado “paredão” da Hercílio Luz.