Posts Tagged ‘Televisão’

Trivial variado

Faz tempo que não escrevo um “trivial variado”, notas avulsas sobre o cotidiano, televisão, música, teatro, cinema.

Comecemos com televisão.

  • Meus leitores mais antigos sabem que gosto de uma boa telenovela. Serve para desopilar, para aquela higiene mental básica. Gostei do Caminho das Índias, uma trama muito saborosa, com um ritmo bem amarrado pela autora, Glória Peres. Findo o Caminho, tentei por diversas vezes assistir a um capítulo inteiro de Páginas da Vida 2 (ou Viver a Vida). Nada me agrada. Talvez a tentativa de construir personagens interessantes, como o taradão do Gustavo (Marcello Airoldi) e a gostosona da Malu (Camila Morgado), seja um ponto positivo. E só. O resto é previsível, muito Manoel Carlos pro meu gosto, até com o elenco da novela anterior que ele escreveu, outro dramalhão absurdo, e a trilha sonora cansativamente baseada na Bossa Nova.
  • Soube hoje que o Toma Lá Dá Cá vai terminar. Não sabia que era a última temporada. Foi bom enquanto durou. Na minha opinião, apenas a primeira temporada satisfez. Depois, virou uma apelação xarope.

Will Smith

  • Estou acompanhando, sempre que posso, três reprises interessantes no Nickelodeon. Um Maluco no Pedaço (tradução imbecil para The Fresh Prince of Bel-air), sitcom estadunidense exibida entre 1990 e 1996, que lançou o divertido Wil Smith na televisão. Descoberto por Quincy Jones, co-produtor de The Fresh…, Smith se tornaria depois um dos grandes astros do cinema de seu país. É tão divertido que não me canso de assistir as reprises dos episódios (a Nickelodeon é muito ruim de programação; pior, repete sem critério cronológico).
  • Outra série formidável é Alf – O E.Teimoso (ou Alf – o É Teimoso). Meus filhos mais velhos eram pequenos quando o programa passava na Globo, se não me engano aos domingos. Alf é um alienígena que cai na garagem de uma típica família estadunidense. Ele acaba cativando seus anfitriões e passa vida a criar situações hilariantes. Triste é saber que o protagonista (o chefe da família), Max Wright, foi fotografado por uma revista de escândalos, ano passado, fumando crack numa roda de mendigos. Lamentável decadência de um bom e cativante ator.
  • Por último, e quando o sono não me pega (começa à meia-noite e meia), o clássico Agente 86, com Don Adams e seu humor nonsense. Eu era muito pequeno quando a série passou na TV brasileira. Me lembro, de longe, da trilha sonora. Considero-a uma das grandes produções da história da TV mundial, com coisas surpreendentes, como o sapato-fone, o avô do telefone celular.
  • Voltando à TV aberta, o que foi aquele esporro que a ministra Dilma Roussef deu hoje numa jornalista, apelando para arrogância típica dos déspotas! Chamou a repórter de “minha filha”, num tom estúpido. E quer ser candidata a presidente da República! Um candidato tem que ter, sobretudo, compostura, firmeza educada e bons projetos.
  • Reitero o que disse sobre a Globo: a emissora carioca esmaga quem ela quiser, do bispo Macedo ao presidente da República. O que a poderosa rede está fazendo em relação ao apagão de terça-feira é uma campanha, não um noticiário. Não vi, até agora, nenhum lampejo de isenção no tratamento editorial. Deve ser porque a emissora perdeu audiência naquela noite – Casseta & Planeta, Toma Lá Dá Cá, Profissão Repórter e Programa do Jô – nas maiores praças, ou seja, naquelas que lhe dão maior faturamento. E algumas pessoas, muito ingênuas, acham que a Globo está ao lado da cidadania, defendendo-a contra a incompetência governamental.

Divina dama

 Flávia Alessandra

A atriz Flávia Alessandra, mestre de cerimônias na inauguração do Shopping Ideal, localizado em Barreiros. A festa foi há pouco e reuniu alguns pesos-pesados da economia e da política regional, como o secretário Walter Gallina e os prefeitos Djalma e Dário Berger. Foto registrada pelo João Felipe, com exclusividade para este blog.

Havaianas

 

Sou um dos brasileiros que ficaram chocados com a linguagem do comercial das Havaianas, que esteve um tempinho razoável em exibição na TV. Um diálogo direto entre neta e avó, sobre atraso e atualidade, com a utilização natural (e, por isso, chocante) da palavra sexo. Mas, evidentemente, jamais votaria pela retirada do comercial, como ocorreu. A Havaianas aproveitou a reação do público, recolocou a vovó no ar para explicar o que houve e, agora, remete a audiência para o campo da internet – onde, parece, a liberdade de expressão não tem qualquer limite. Aliás, vovó e neta são duas gracinhas, vale a pena rever.

Caminho das Índias… e das lojas

 

Acompanho, com razoável interesse, o desenrolar da telenovela Caminho das Índias. É uma terapia, uma higiene mental, como se dizia antigamente. Tenho especial predileção pelas encrencas entre Abel e Norminha, pela trajetória do esquizofrênico Tarso, pelo empresário errante Raul Cadore, pelas malvadezas da Ivone, pela doidice da perua Melissa e pela doçura do velho Cadore (Elias Gleizer).

As coisas da Índia não me interessam muito, não por preconceito, mas porque se tornaram lentamente chatas. Até o grande ator Tony Ramos acabou transformando seu personagem numa figura estereotipada (sem falar no porre que é o personagem de Osmar Prado).

Mas, vá lá, no conjunto Caminho das Índias me agrada muito desde o primeiro capítulo. Agora, na reta final, começam a acontecer todas as coisas previsíveis, com os malvados sendo presos/punidos, os bonzinhos cumprindo suas rotinas, alguns amores sendo desfeitos e outros começando a surgir.

Escrevi tudo isso para, ao fim e ao cabo, expressar uma espécie de indignação com os intervalos comerciais, que se tornam excessivamente apelativos quando uma telenovela entra na reta final. Ainda bem que existem o controle remoto e os canais de televisão a cabo! Caso contrário, estaríamos perdidos.

Vou ser mais específico: todos os intervalos de Caminho das Índias, ontem, foram invadidos por uma guerra de ofertas entre supermercados e lojas de departamentos. Não são mensagens criativas, são comerciais do tipo varejão, que tentam ganhar a simpatia do consumidor na marra. Horríveis, pobres, xaropes. As agências são culpadas. Mas mais culpados ainda são os clientes que aprovam essa baixaria/gritaria de produtos e preços em horário nobre.

Como disse, nada como um controle remoto. Nos intervalos da telenovela, na quinta-feira, eu assistia os Simpsons na Fox. Coisa boa pra fugir da mesmice e da estupidez.

Uma noite de Dias Gomes

 

A telenovela O Caminho das Índias teve hoje uma noite de Dias Gomes: a sequência em que o corno Abel expulsa a gostosona Norminha de casa, depois de anos e anos de traições e cinismo. Um dos grandes momentos da dramaturgia televisiva brasileira.

A comparação com Dias Gomes vem a propósito da técnica narrativa, a melhor dentro das histórias cruzadas de O Caminho das Índias. Mas é claro que se pode dizer, ainda, que a autora da telenovela, Glória Perez, bebeu também da fonte de Nelson Rodrigues para criar o enredo tragicômico do subúrbio carioca.

Não se pode elogiar

 

Outro dia, elogiei aqui uma matéria do Nader Kalil (RIC-Record) sobre a falta de segurança na Trindade. Hoje, o repórter televisivo se excedeu e causou uma intensa comoção na cidade. Ao cobrir o assassinato de uma mulher em Biguaçu, ele entrevistou a filha da vítima, uma criança de cinco anos! Instada pelo repórter, a criança descreveu detalhes do crime.

Conversei com amigos sobre o caso. É revoltante. Não dá para colocar qualquer coisa no ar, muito menos uma entrevista com uma criança de cinco anos, abordando uma história tão sórdida!

Ainda que a realidade seja podre, a infância tem que ser preservada. É o mínimo que os meios de comunicação — e seus repórteres, editores, apresentadores (alô, Hélio Costa, como é que pode uma coisa dessas?!?) — deveriam fazer.

TV digital começa dia 5 na Capital

 

Moacir Pereira registra em seu blog, hoje, que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, “estará em Florianópolis na próxima semana. No dia 5 de fevereiro, às 19 horas, vai participar na Assembléia Legislativa da solenidade que marcará o início de transmissão, pela RBS, da TV digital em Santa Catarina. O ato, programado inicialmente para o final do ano passado, foi cancelado em função da catástrofe que se abateu sobre o Vale do Itajaí”.