Posts Tagged ‘RIC-Record’

Ainda o vexame do ano

 

Como era de suspeitar o caso RIC-Record x RBS ainda vai render na Justiça, com novos desdobramentos nos próximos dias.

E já há gente do meio da comunicação que considera desesperadora a insistência da Federação Catarinense de Futebol, da Associação de Clubes de Futebol Profissional e… de outros interessados. Pela simples razão de que todos os citados já pagaram o mico que poderiam ter pago, a RBS incluída, com seu marketing de guerra, que saiu afoitamente à frente dos fatos, num claro desafio antecipado à Justiça.

Melhor seria, na avaliação de companheiros que conhecem FCF, Associação e outros personagens menos votados, que a RBS enfiasse a viola no saco e se conformasse com o vexame do ano, acontecido justamente nas primeiras semanas de 2009.

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O jogo pesado da transmissão do Catarinense

 

É muito grande ainda o rolo envolvendo a transmissão do Campeonato Catarinense pela televisão. No blog do Rodrigo Santos está um vídeo muito interessante, produzido pela RIC-Record, com uma síntese da história toda, entrevistas do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto, e da Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina, Carlos Crispim, elogiando a qualidade técnica e a projeção do futebol catarinense proporcionada pela emissora. Enquanto elogiavam em público, os dirigentes das entidades tramavam nos bastidores a puxada de tapete da RIC-Record. Assista aqui ao vídeo.

O cartel do futebol

 

Um amigo que entende do riscado me diz que o futebol só funciona porque os clubes formam uma espécie de cartel. “Se não for assim, não dá certo”, me garante o amigo, lembrando que uma CPI instaurada na Assembléia Legislativa, há alguns anos, não deu em nada. O cartel venceu o jogo.

 

Esse cartel é o que perdeu a disputa na Justiça, até aqui, pela transmissão do Campeonato Catarinense. Pode ser que nas instâncias superiores do Judiciário o cartel consiga impor sua vontade – a de rasgar o contrato com a RIC-Record e entregar a transmissão televisiva à RBS. Vamos aguardar para ver qual o desfecho.

Coisas do arco-da-velha no futebol catarinense

 

Estava lendo agora o ótimo blog do Rodrigo Santos, que fala de futebol e outros esportes, quando me ocorreu o seguinte: o episódio – essa contenda entre RIC-Record, Federação, Associação de Clubes e RBS – serve pelo menos para mais uma coisinha: expor o esquema de podres poderes que envolve o futebol catarinense. Nunca antes na História deste Estado os cartolas estiveram tão próximos de um desmascaramento completo. É só o Ministério Público (Federal, Estadual) aprofundar investigações sobre como o futebol é administrado em Santa Catarina… Suas excelências, os procuradores, descobrirão coisas do arco-da-velha.

Ainda o caso RIC-Record x RBS

 

Um leitor não entendeu muito bem a questão envolvendo o Campeonato Catarinense e as duas emissoras de televisão: desfere ataques contra este blogueiro e contra outros profissionais de imprensa. O caso é muito claro: Federação Catarinense de Futebol e Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina rasgaram o contrato firmado com a Record em 2007, válido por três anos – 2007 a 2009. Unilateralmente. Na seqüência, buscaram um novo parceiro, justamente o polêmico Grupo RBS, que vem sendo denunciado pelo Ministério Público Federal pela prática de oligopólio.

Assim, não há nenhuma falta de ética em criticar o que aconteceu. A falta de ética, caro leitor, está no fato relatado acima e amplamente discutido por toda Santa Catarina nas últimas semanas.

Quanto ao fato de este blogueiro prestar serviços à rádio Guarujá e lembrar, aqui, que a emissora completou 65 anos e mereceria uma homenagem – justamente porque foi a pioneira na transmissão de partidas de futebol, desde a década de 1940 – não há problema algum. Pois os que trabalham na RBS não se vangloriam dos próprios feitos? Não se acham os melhores do Planeta? Eu também acho a Guarujá a melhor do Planeta, com todos os defeitos que a emissora possa ter.

Estou respondendo por mim. Quanto aos outros nomes mencionados na mensagem, peço ao leitor que se dirija diretamente às pessoas em questão. Não falo por elas.

RIC-Record garante seus direitos pela segunda vez

 

A segunda decisão judicial favorável à RIC-Record, na tarde deste sábado, desmonta o esquema preparado pela Federação Catarinense de Futebol, a Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina e o Grupo RBS. 

 

O equívoco gigantesco: as entidades envolvidas, mais o grupo de comunicação, acreditaram que um contrato com a RIC-Record poderia ser rasgado sem-cerimônia e sem-vergonha. 

 

Acreditaram que o poder econômico poderia derrubar o contrato, a concorrência e a Justiça. Investiram milhões, fizeram festa, centenas de chamadas televisivas, e chegaram ao cúmulo da subserviência, acertando o nome do troféu – RBS 30 Anos, em homenagem às três décadas de chegada da rede gaúcha em Santa Catarina. Como se não houvesse no Estado empresas catarinenses de comunicação merecedoras do troféu: a rádio Guarujá – que transmite futebol desde a década de 1940 – completou 65 anos. O Correio Lageano completa 70 anos de circulação este ano. 

 

Chegaram à petulância de desafiar a decisão da juíza Denise Volpato, na tarde de hoje, com uma chamada jornalística, logo após o Jornal do Almoço, dizendo que a RBS estava pronta para transmitir o jogo Avaí x Brusque, tão logo saísse a decisão judicial. Confiaram que o desembargador de plantão derrubaria a liminar concedida ontem pela doutora Denise.

 

Mas não, o desembargador de plantão – cujo nome sequer é citado no noticiário on line do DC – manteve a liminar. Diz a nota no DC on line: “Esta posição não é definitiva em relação ao Campeonato Catarinense. O despacho do desembargador de plantão manteve decisão liminar que impossibilita temporariamente a transmissão pela RBS TV. A decisão final será julgada por uma câmara do Tribunal de Justiça”. A nota jornalística parece ter sido escrita pelo advogado que representa as duas entidades e o grupo gaúcho de comunicação.

 

Esse inconformismo não anula os termos da história. Mas mostra que havia, mesmo, um conluio perigoso entre a FCF, a associação e a RBS. Se achavam acima da lei e da ordem. Ainda se acham, pois confiam cegamente numa câmara do TJ. Mesmo que essa câmara lhes seja favorável, ainda há outros degraus da Justiça que podem resolver a questão. Nós, como cidadãos, só acreditaremos num pronunciamento da instância final do Judiciário: se lá a decisão for diferente das instâncias inferiores, estaremos, enfim, convencidos de que a outra parte (que rasgou o contrato) está coberta de razão.

 

Que o episódio vexaminoso sirva de lição, uma lição de humildade, de ética, de compromisso com a verdade e com a História. Só Deus pode tudo. E mesmo Deus nem sempre usa de todo o seu infinito Poder para conseguir o que pretende.

 

<Publicado em 17 de Janeiro de 2009 às 18h15>