Posts Tagged ‘Preços em Florianópolis’

A zona do transporte de passageiros

 

O transporte de passageiros em Florianópolis está virado numa baderna. Vans encostam nas imediações da rodoviária Rita Maria e seus motoristas entram no terminal para agenciar passageiros com o objetivo de formar lotações. Vans percorrem rodovias e vias urbanas dos balneários para catar passageiros, especialmente turistas, e transportá-los para outras praias ou para o Centro. Tanto num caso quanto no outro os passageiros dispendem de R$ 3 a R$ 5 pelo serviço informal.

Quando paradas pela fiscalização, as vans se apresentam como veículos de turismo (placas vermelhas), autorizados pela prefeitura.

 

Da mesma forma, os automóveis de turismo — chamados de executivos — concorrem deslealmente com os táxis normais, realizando corridas que seriam destinadas aos veículos licenciados para isso. Recepcionistas de hotéis agem na caradura, chamando os executivos quando há corridas gordas (aeroporto, praias, Balneário Camboriú ou Porto Belo-Bombinhas).

 

“Para nós, sobra a carne de pescoço”, afirmou o taxista que me trouxe há poucos minutos da rodoviária para casa. “Carne de pescoço” são as corridas curtas, do Centro para a Rodoviária, Mercado Público, Ponte Hercílio Luz, cujos valores não chegam a R$ 10. “Nem para o Morro da Cruz os hotéis nos chamam. Os executivos saem com preço fechado, dependendo da volta cobram de R$ 30 a R$ 50”, completou o taxista.

 

Uma corrida de táxi normal para o aeroporto não sai por mais de R$ 32. Os executivos, com esquemas nos hotéis, cobram de R$ 50 a R$ 100, dependendo do ponto de partida. Uma viagem para Balneário Camboriú, bem negociada com o táxi autorizado, pode custar de R$ 150 a R$ 200. No executivo, não sai por menos de R$ 300. Simplesmente porque ninguém controla os carros de turismo, essa esculhambação que só existe em Florianópolis.

 

E a fiscalização, o que faz? Foi a minha pergunta para o taxista. Que respondeu na lata: “O senhor acredita em história da carochinha, não é mesmo?”.

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A crise e os velhos urubus

 

Um colega de trabalho me disse hoje que eu estava exagerando quando lhe disse que li, no Notícias do Dia, uma matéria informando que alguns itens do material escolar podem ter variação de até 280% no comércio.

Eu não estava exagerando, muito menos o ND. Está no G1 de hoje: “Preço do material escolar varia até 233% em São Paulo”.

Tem muita gente se aproveitando da crise para fazer fortuna. E esse é o lado ruim da crise: os urubus que acabam procriando mais do que o normal.

A inflação do verão

 

Fui hoje ao supermercado. Não há um produto sequer cujo preço não tenha sido reajustado, por baixo, em 20%. Quase tudo aumentou – e não se culpe a crise por isso, porque não há qualquer dificuldade macroeconômica no Brasil que justifique a remarcação dos preços. Essa exploração, que prejudica os cidadãos de Florianópolis, tem objetivo direto: os turistas. Como vem muita gente com grana no bolso, os supermercados em geral aproveitam a oportunidade para meter a faca em todos, indiscriminadamente. E há um outro fenômeno: o cliente não encontra tudo o que está acostumado a comprar todos os meses. Meu pão favorito, da Wickbold, nunca faltou no Angeloni. Hoje não tinha. E a explicação que recebi de um atendente: os turistas carregam tudo. Aí acontece a lógica perversa: os preços aumentam… porque há muita procura. O nome disso é inflação do verão. Quem paga a conta somos nós, que moramos aqui.