Posts Tagged ‘Poemas de Carlos Damião’

Mulher

 mulher

 

 

Estações de encantos

 

Encontrar teus olhos

aonde a luz não seja cautelosa

como nessa penumbra das

estações

    entre uma cidade

    e outra

    e outra cidade

    e mais outra

 

Dissimular o que resta

insinuado

em visões de pétalas

    que o luar desperta

    — permitindo a maciez da flor —

    em segredos que se movem prematuros

rangendo prudências

mas transpirando ternuras

sugadas em olhares casuais

da mais insensata

adoração lírica.

 

 

Florianópolis, fevereiro de 2008. Do meu livro inédito Museu de Afetos, a sair em 2009.

Carlos Damião — Todos os direitos reservados.

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Poema de verão

Praia do Campeche - Carlos Damião - 2004

Praia do Campeche - Carlos Damião - 2004

 

Um clamor cego das veias sem corpo

 

Coisas não vistas

em dias furiosos

de frutas sem sabor 

e tempestades silenciosas

percorrendo o exílio

da praia.

 

Coisas exaltadas

de suave consolo

extraídas do sossego

 

de uma                 rosa nua

ou de uma            pedra oculta

ou de uma            folha seca

(e suas faces de pétalas).

 

Coisas sem respostas

mal percebidas

         na noite intáctil

um apelo das

árvores mansas

ou o clamor cego

         das veias sem corpo.

 

Coisas não vistas

nem concretas

objetos

da noite sóbria

         de vaga-lumes volúveis

como estrelas pulsantes

rumando loucas para a órbita

prematura da poesia

         entre as ruínas

dos afetos mais primários

 

que desenhamos na curva

abstrata e difusa da

madrugada

         sem janelas

         sem cores

         sem poesia

 

nada que nos surpreenda

ou nos provoque enganos frágeis

– como as labaredas de ternuras

longínquas

         que a memória apaga

         serenamente.

 

© Carlos Damião – 2008 – Todos os direitos reservados

Feliz Natal

 

pontenatal1

 

Poema meu, inédito, em homenagem a todos os amigos que acompanham este blog diariamente – alguns dos quais desde 2004. Um abraço a todos e Feliz Natal:

 

A hora abstrata

 

A hora abstrata em que me vejo

nem físico

nem vulto

nesse instante de harmonia

e silêncio

        

comovendo o que triunfa

         e clareia no mais íntimo

formas que o sossego consente

em rituais

que o destino desalenta

 

breves                 

                   ingênuos

caprichosos.

 

Delírios da poesia

um perfume de flor

na página sem flor

de tons que se esquivam

         ora noite

         ora dia:

 

sombras suplicantes

que se erguem como

torres dispersas a correr

pela paisagem

        

sem os hálitos do vento

 

em arestas crispadas

no pêndulo afogado

na marcha incerta

         e faiscante dessas horas

         que escoam

 

como soluços da poesia

vivida ou

         meramente simbólica.

 

© Carlos Damião – 2008 – Todos os direitos reservados