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180 anos da imigração alemã

 

O dia 1º. de março deste ano assinala os 180 anos de fundação da primeira colônia alemã de Santa Catarina, o atual município de São Pedro de Alcântara, que à época (1829) era um distrito de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.

Estou colocando aos poucos, ali ao lado, na lista de links, alguns sites que se dedicam à pesquisa da colonização germânica no Estado. Já estão ali, a partir de hoje, as páginas de Osvaldo Deschamps, empresário e historiador, recentemente falecido; e também a de Toni Jochem, outro pesquisador incansável da nossa origem alemã. O site da prefeitura municipal de São Pedro de Alcântara é este aqui. O Instituto Carl Hoepcke, que está integrado às comemorações dos 180 anos, pode ser conhecido aqui.

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Uma despedida

Fui à despedida do empresário e escritor Osvaldo Deschamps. Centenas de pessoas aglomeradas em torno da Casa da Cultura de São Pedro de Alcântara velavam seu corpo às 15 horas, sob calor intenso. Perto das 16 horas, o cortejo saiu em direção à Igreja Matriz. No caminho, as poucas casas comerciais fecharam as portas em sinal de respeito. Lembrei-me do enterro de minha avó Amélia – prima de Osvaldo – em Bom Retiro, há 30 e tantos anos. Não se vê mais esse tipo de coisa na cidade grande. As cidades cresceram demais, as reverências se tornaram fora de moda ou esquisitas. Até quando cumprimentamos as pessoas no elevador somos encarados de forma desconfiada. Recentemente dei “bom dia” a um gajo que já estava no elevador e tive a impressão de ouvir um rosnado como resposta.

Mas essa perspectiva humana, fraternal, de se dar atenção ou esperar atenção dos outros ainda sobrevive nas pequenas cidades e nos vilarejos. São Pedro de Alcântara está a 20 minutos de Florianópolis, tem pouco mais de 4 mil habitantes e conserva a cordialidade como um elemento fundamental de seu cotidiano. Talvez por isso Osvaldo tenha escolhido voltar para lá, onde mantinha uma pequena casa histórica como refúgio principalmente nos fins de semana. E lá, na sua terra natal, hospitaleira e carinhosa, a esposa Nilza (também memorialista da colonização alemã, pelo lado dos Kretzer) os filhos Nilzete, Roberto, Odécio (Décio), Eleuza Maria, Nestor, Gilvânio, Osvaldo Vianey (Nino) e Gisele sepultaram seu corpo na tarde hoje, sob forte emoção e tristeza.

Osvaldo Deschamps

No domingo da chuvarada (22 de novembro), fui almoçar no Sobrália, em Coqueiros. Lá encontrei o empresário Osvaldo Deschamps, historiador da colonização alemã em Santa Catarina. Conversamos sobre seu terceiro livro, que está no prelo, também sobre a imigração germânica para o Estado, que completou 180 anos este ano. A família dele foi uma das pioneiras em São Pedro de Alcântara. 

Ontem, Osvaldo morreu aos 72 anos. 

Uma bela figura humana. Homem de origem humilde, começou a vida como caminhoneiro, depois trabalhou na construção civil. De espírito empreendedor, fundou a construtora RDO há 30 anos. Ainda ligado à direção da empresa, resolveu dedicar-se às pesquisas sobre a imigração alemã, tendo visitado várias vezes a Alemanha e a França (de onde os Deschamps são originários), países onde coletou documentos importantes, inclusive a cópia do passaporte de Nikolaus Deschamps, que chegou ao Brasil em 1828.