Posts Tagged ‘Obama’

O Lula de lá

 

A primeira pesquisa de opinião pública, após a posse, indicou que Barack Obama é aprovado por 68% da população norte-americana.  É o Lula de lá.

A mídia, a média e a pele de Obama

 

Não sei se é implicância minha, mas essa história de relacionar Barack Obama à cor de sua pele como destaque central das manchetes (Jornal Nacional incluído) não tem um laivo de preconceito? Por que não destacar que a Presidência dos Estados Unidos passa a ser exercida por um intelectual brilhante – coisa que Obama é – ao invés de se ater à sua condição de negro?

Mas, como eu disse, pode ser só implicância minha. Talvez a mídia e a média considerem realmente importante o fato de o presidente ser negro. Eu não o vejo dessa forma. Percebo Obama como um líder carismático, altamente preparado, um ídolo pop, que infelizmente não tem o poder individual de transformar as coisas – como a mídia e a média gostariam. O próprio Obama parece preocupado com isso, com a imensa responsabilidade a que está submetido, de produzir milagres.

Obama, símbolo de um mundo novo

Foto oficial do presidente, by Pete Souza

Foto oficial do presidente, by Pete Souza

Barack Obama assume a presidência dos Estados Unidos nesta terça-feira, já destacado como líder mundial. Nunca um presidente dos EUA foi tão bem-vindo, numa hora tão própria: a hora em que o Planeta descobriu a grande mentira do neoliberalismo, a política econômica irresponsável que começou a se popularizar no início da década de 1990, difundindo a idéia dos ganhos financeiros em escala (a ganância como meta objetiva), à margem do processo produtivo e sem a interferência do Estado.

 

O Brasil, como todos os países, embarcou na onda da globalização baseada no capitalismo financeiro, no capitalismo virtual, sem consistência física, sonante. O resultado disso tudo já estamos vivendo desde outubro: a verdade irretorquível de que aquele mundo era apenas um conto de fadas, que enriqueceu muita gente, mas também lançou milhões de pessoas à mais completa miséria. São as pessoas que investiam na especulação e que agora precisam voltar a recuperar alguns valores do capitalismo clássico, baseados no trabalho, na produção e na geração de riquezas reais. Vejo este como o lado mais positivo desta crise.

 

O outro lado que me anima é a recuperação das doutrinas de John Keynes, o economista britânico que teve suas teorias rasgadas pelos neoliberais dos anos 1990. Keynes (1883-1946), simplificadamente, propunha mecanismos de controle do Estado sobre a economia como forma de garantir a estabilidade social. Foi o que deu certo na recuperação dos Estados Unidos após a crise de 1929. É o que vai dar certo, agora, de novo, pelo menos até que a insanidade neoliberal se recupere do baque. Tomara que não levante do túmulo. E Barack Obama é uma esperança sincera de todo o mundo para que isso não volte a ocorrer.

 

Gostaria imenso de estar nos Estados Unidos nesta terça-feira, para vê-lo, mesmo de longe, como um homem a iniciar um sonho, de um país (e um mundo) menos belicista, menos financista, mais sustentável e socialmente mais justo. Posso estar errado, mas Obama é uma espécie de símbolo de um mundo novo.