Posts Tagged ‘Música’

Michal Jackson está vivo?

Durante anos, ouvimos fanáticos roqueiros afirmando que “Elvis não morreu”. Até hoje tem gente que acredita nisso, que o grande ídolo pop vive em algum lugar retirado, uma reclusão do tipo a que se submeteu J. D. Salinger.

Minha filha caçula sabe pouco de Elvis, de uma ou outra música que ela ouve de passagem, aqui em casa. Mas ela, que também não conheceu o auge de Michael Jackson, me conta que na escola em que estuda há muitos colegas que juram de pés juntos: “Michael Jackson não morreu”. Com explicação mais ou menos semelhante ao que dizem sobre o “Elvis vivo”.

Esperta, ela não adere ao “senso comum”. Pergunta-me se acredito nisso.

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Réveillon & rock

Espero que todos os leitores tenham passado ótimos momentos na virada de 2009 para 2010. Quanto a mim, fiquei entre amigos em Balneário Camboriú, mas nada de muvuca de trânsito e praia. Fizemos um encontro muito bacana de roqueiros de primeira, na casa do Nelson Cardoso, com muitas interpretações primorosas de sucessos do Legião, Queen, Beatles, Paralamas, Cássia, Cazuza e tal. Nas imagens, dois momentos da maratona de rock. Na primeira, os três Cristianos que tocavam na banda Estatuta Mediana, formada no Jornalismo da Univali na década de 90: Cardoso, Leão e Lima (espiando no canto as cristianetes Marie e Sandra; com a camisa do Flamengo o baterista e vocalista Farol). Na segunda, Lucas (esquerda), de Curitiba, que nos brindou com uma versão contemporânea (e hard) de Come Together, dos Beatles. Uma noite e madrugada memoráveis: graças a essa rapaziada, passamos longas horas sem ouvir axé, pagode e sertanejo, os gêneros musicais predominantes em festas de fim de ano.

Outra maravilha ao redor do mundo

 

O vídeo anterior (Stand By Me) é uma resposta a este, que é uma maravilha igual e também tem gente do mundo inteiro tocando e cantando, inclusive Bono Vox e Bob Marley. Belíssimo, de chorar.

Stand By Me ao redor do mundo

Uma beleza de edição e emoção musical, pra curtir e guardar. Grato à minha sobrinha Luiza, que indicou essa obra-prima.

Mercedes Sosa

 

Mercedes Sosa, que morreu aos 74 anos neste fim de semana, foi um símbolo musical e político da minha geração. Ela expressava com sua voz macia e firme aquilo que nós sentíamos nos anos 1970, quando militávamos contra a ditadura militar no Brasil e protestávamos, também, contra as ditaduras na Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile (1). Não foram poucas as vezes em que choramos ao ouvir Mercedes cantando alguns standards da rebeldia, como Volver a Los 17, Gracias a La Vida, Me Gustan los Estudiantes, Eu Só Peço a Deus (Solo Le Pido a Dios), entre tantos, dezenas de sucessos (2), numa trajetória fantástica e indispensável à cultura latino-americana.

Claro, com os anos passados, a democracia alcançando todos os países do Continente, Mercedes perdeu um pouco de sua força junto à massa estudantil e operária. Mas continua emprestando sua voz a manifestações sociais, inclusive em Florianópolis.

Se houve uma beleza em sua vida, foi a beleza de ser justamente a cantora dos oprimidos, dos perseguidos, daqueles que as sangrentas ditaduras militares tentaram calar.

No ano que assinala os 30 anos da Novembrada, Mercedes me faz voltar a 1979, às nossas reuniões no DCE, à pequena e tímida manifestação de estudantes na Praça 15 de Novembro que acabou se transformando num grande ato de rebeldia popular. A voz dela estava, naquele 30 de novembro, entre nós. 

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(1) Talvez alguns, que desconhecem a História sul-americana, compreendam por que nos rebelamos hoje contra o golpe em Honduras. O golpe da direita hondurenha é preocupante porque nos faz recordar o que houve na América do Sul ao longo de quase 20 anos.

(2) Coloquei Años lá em cima, no vídeo do youtube, porque é um som mais contemporâneo de Mercedes, que não tem o rótulo “esquerdista” em que muitos tentam envolver a grande cantora argentina. Años é um hino à vida, como Gracias a La Vida, e é uma das minhas músicas preferidas, ainda mais neste dueto dela com Pablo Milanés, muito bem editado por N. Limonge.

Uma noite memorável com Diane Schuur

 jornalistas

Não lembro o ano exato – tenho a impressão que foi em 1996 ou 1997 – deste encontro histórico: a cantora Diane Schuur com muitos jornalistas catarinenses numa pousada da praia do Rosa (Imbituba). Ela veio para um show no Teatro do CIC, que ainda não se chamava Ademir Rosa. Boa cantora de jazz, simpática, divertida, Diane (ao centro, de óculos escuros) cometeu uma pequena gafe numa audição particular pro grupo da foto acima: quis traduzir para o português os standards de jazz e bossa nova que cantava em inglês. Ela queria nos agradar, mas foi uma lástima. Apesar disso, significou um grande momento para nossas vidas. Na imagem, eu estou à esquerda (de óculos), ao meu lado está o produtor cultural Jefferson Bevilacqua, logo a seguir Lígia Gastaldi, Régis Mallmann, dois que não lembro o nome (perdão…), Ângelo Ribeiro, Pedro Leite, Néri Pedroso e mais um colega (extrema-direita), de quem também não lembro o nome. Dos sentados só me recordo do nome da cantora.

O sumiço de Belchior

Para o blog, este é o melhor disco do artista sumido

Para o blog, este é o melhor disco do artista sumido

Gosto muito de Belchior, desde os anos 1970, quando Elis Regina revelou o talento desse grande compositor para o mundo. Conheci-o em 1980, através de Salim Miguel, quando o artista esteve em Florianópolis para um show e lançamento de um LP. Entrevistei-o para o Jornal da Semana. Dono de uma personalidade incrível, Belchior confirmou minhas impressões de adolescente e, mais, garantiu uma admiração perene de minha parte. Tenho o melhor disco dele, de um show inesquecível, no qual o artista repassou toda a sua densa carreira.

Não vi o Fantástico, ontem, porque a revista eletrônica da Globo vem me causando cada vez mais engulhos. Não suporto mais aquela linguagem barata, aquele engodo de jornalismo sensacional.

Mas li no G1, há pouco, uma síntese da matéria (aqui) que o Fantástico exibiu, sobre o suposto desaparecimento de Belchior. O artista estaria sumido há dois anos, mas alguns brasileiros relatam encontros com ele no Uruguai, no Rio Grande do Sul e outros lugares. Parece que está vivo, mas completamente fora da casinha. Um processo semelhante ao que viveu Geraldo Vandré, em outras circunstâncias, uma coisa totalmente esquisita, fora de propósito.