Posts Tagged ‘Memória’

Uma luz para o patrimônio histórico de SC

Patrimônio histórico ganha força em Santa Catarina com aprovação de programa específico, que garante recursos anuais para recuperação e manutenção dos bens tombados. Na coluna de hoje

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Coluna de 4 e 5/2/12

Bom dia. Na coluna deste fim de semana (4 e 5/2/12), Papo cabeça com cantor Luiz Falcão. Tem ainda foto antiga: Terminal do Largo Fagundes. Quem lembra? Confira aqui.

Flutuando de novo

Eu não lembrava como era. Quando comecei a andar pelo passeio senti as pernas bambas. Nos primeiros passos senti uma emoção infantil. Andei mais um pouco e tive medo. A moça dos Bombeiros, no caminho, me recomendou: “Cuidado para não tropeçar”. Não tropecei, porque por alguns momentos tive a sensação de que flutuava no espaço. Flutuava mesmo, na memória, na realidade, na saudade. Lembrei-me do ‘seu’ Wanderley, que me apresentou a ponte quando eu era pequeno. Eu tinha o mesmo medo. A ponte balouçava, no ritmo do vento Sul. E meu pai garantia: “É normal. Se não balançar, cai”. Então eu rezava para que ela balançasse sempre. Hoje não rezei por tão pouco, mas agradeci aos céus pela oportunidade de estar ali, andando aqueles pouco menos de 200 metros do viaduto insular, até o limite onde começa o vão central — o tal vão central que é a última parte da reforma. O engenheiro Walter Galina, secretário de Desenvolvimento Regional, estava lá e me disse: “Se tudo correr bem, no fim do ano a ponte estará aberta e poderás passar por aqui quantas vezes quiseres”. Tomara. Até dezembro vou ficar vendo e revendo as 180 imagens que registrei nos 20 minutos em que refiz meu trajeto de infância e adolescência. Um trajeto de deslumbramento. Alguns das imagens estão abaixo:

O começo do trajeto, rumo ao Continente

Fim do percurso: aí começa o vão central

A Colombo Salles, vista assim, também é bonita

Um dos "braços" da Hercílio Luz e a cidade ao fundo

O bombeiro e uma das peças novas da ponte

A cidade e seu trânsito: uma perspectiva diferente

O belvedere insular: lugar favorito dos turistas

[A Ponte Hercílio Luz foi aberta à visitação neste sábado para a realização de um pedágio social, promovido pela RIC e jornal Notícias do Dia. Mais detalhes — e outras imagens — na minha coluna de segunda-feira no ND]

São Pedro homenageia doutora Zilda

Poucos sabem, mas a família Arns tem uma ligação profunda com a Grande Florianópolis, apesar de ser sempre citada como “originária de Forquilhinha”, Sul do Estado. Na verdade, os antepassados de D. Paulo Evaristo Arns e da doutora Zilda Arns chegaram no século 19 a São Pedro de Alcântara, primeira colônia alemã de Santa Catarina. Ali viveram como agricultores durante muito tempo. Parte de seus descendentes acabou migrando para a região Sul, da mesma forma que outros imigrantes rumaram para o Vale do Itajaí e região serrana.

A importância da família para São Pedro de Alcântara é tamanha que D. Paulo esteve na colônia e foi homenageado com uma placa, afixada na Igreja Matriz, na passagem do sesquicentenário da imigração alemã, em 1979.

Por conta desse histórico, a prefeitura de São Pedro de Alcântara fará uma homenagem póstuma, no dia 1° de março, 181° ano da imigração alemã, à doutora Zilda Arns, irmã de D. Paulo, falecida há sete dias, em consequência do terremoto que atingiu Porto Príncipe, capital do Haiti.

Novembrada, um ensaio

O Celso Martins, meu amigo de muitas jornadas, escreveu um texto contestando uma afirmação que o escritor Olsen Jr. — outro amigo de décadas — publicou em sua mais recente crônica, postada aqui no último sábado. O texto é longo, mas muito interessante e elucidativo. Vamos a ele:

NOVEMBRADA

Estava lá, não foi nada disso! 

Celso Martins, historiador e jornalista 

Aos fuzilados de Anhatomirim 

Segundo nosso escritor Oldemar Olsen Jr., a Novembrada foi um “movimento de protesto que começou com o impedimento da instalação de uma placa em homenagem ao Marechal Floriano Peixoto”.

Não é a primeira vez que o viking nascido em Chapecó e ‘exilado’ na Lagoa da Conceição repete isso. Ele realmente acredita que a Novembrada tenha se originado numa placa em homenagem a Floriano Peixoto. Não só ele, muitos vão pela mesma trilha.

Em novembro do ano passado assisti a um debate na UFSC em que participaram os professores Remy Fontana e Luis Felipe Miguel. Eles discorreram sobre a Novembrada e em momento algum citaram a referida placa. Enfatizaram, sim, a importância que teve o protesto contra a visita do presidente Figueiredo no fim da ditadura militar. E foi isso o que aconteceu.

Eu era repórter do jornal O Estado e cobri aqueles eventos. Morava no bairro da Trindade e frequentava quase todas as “repúblicas” estudantis, sobretudo aquelas em que residiam estudantes de esquerda e/ou de oposição. Na qualidade de membro da comissão de agitação e propaganda ligada à direção do PCB em Santa Catarina, atuava desde 1975 nos bastidores do movimento estudantil da UFSC (fui aluno do Colégio de Aplicação por sete anos e conhecia a Universidade por dentro). Tinha contatos com quase todos os líderes acadêmicos (alunos e professores).

Cheguei ao local dos protestos com os estudantes que o lideraram. Deixamos o DCE e descemos pela rua Tenente Silveira distribuindo panfletos e com as faixas enroladas embaixo dos braços. “Abaixo a exploração”, “Abaixo a fome”, “Mais arroz e mais feijão”. Tudo começou timidamente. As escadarias da Catedral estavam repletas de crianças das escolas levadas pelo Governo do Estado, mas que aderiram depois ao protesto. Os estudantes da UFSC começaram a gritar as palavras de ordem. Os ânimos foram se alterando. Havia um “clima”, alguma “coisa no ar”, a sensação de que algo ia acontecer. Figueiredo apareceu na janela. O coro já era o de uma multidão. Ele fez um sinal com os dedos e a massa entendeu que ele estava mandando a gente tomar naquele lugar. Um líder do torcida do Avaí puxou: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos Figueiredo vá pra puta-que-o-pariu” – Figueirense foi substituído por Figueiredo. O sujeito que começou com isso é guia turístico no terminal Rita Maria.

Foi então que o ditador que tentava vender a imagem de João, o amigo do povo, partiu para a ignorância e desafiou o governador Jorge Bornhausen a enfrentar os estudantes no tapa (o próprio Bornhausen me declarou isso). Jorge recusou. Figueiredo ficou encolerizado e foi contido pelos seguranças. Depois foi ao Ponto Chic, onde o tumulto continuou. Nesse meio tempo, os manifestantes destruíram tudo o que lembrava a visita presidencial: as faixas e bandeirolas, um enorme balão colocado na altura do antigo Miramar (foi arrastado pela multidão ao redor da praça), cartazes, e uma placa que seria inaugurada em homenagem a Floriano Peixoto, mas que se fosse em honra ao Senhor dos Passos teria o mesmo destino.

Foi mais ou menos isso o que aconteceu. Não houve qualquer tentativa de inauguração da placa. Quem organizou o protesto e dela participou, nem sabia da sua existência. Só depois do dia 30 de novembro de 1979 é que se tomou conhecimento. O autor da invenção de que a Novembrada fora motivada pela homenagem a Floriano é o sociólogo Robert Henry Srour (São Paulo: Econômica Editorial, 1982) – um “livro interessante, mas incompleto”, segundo Luis Felipe Miguel.

O então candidato pelo PMDB à Câmara de Vereadores de Florianópolis, Rogério Queiroz, que na época da Novembrada não residia em Florianópolis, aproveitou o embalo. Uma vez eleito, começou em 1983 uma campanha para mudar o nome da cidade, logo angariando as simpatias dos descendentes fuzilados na Revolução Federalista de 1893-95 na ilha de Anhatomirim e de outros. É bom esclarecer que só a partir desse momento os acontecimentos do final do século 19 ganharam visibilidade. Até então se tratava de um episódio desconhecido e/ou esquecido, como o Contestado era quase completamente desconhecido. A deturpação foi repetida por Eduardo Paredes em seu filme sobre a Novembrada. Outras áreas da criação cultural acabaram contaminadas. É possível que professores repitam isso nas escolas a seus alunos.

Reduzir a Novembrada a uma placa é desconsiderar a grande efervescência política na segunda metade da década de 1970 em Santa Catarina, sobretudo em Florianópolis. É não levar em conta a presença do PCB na organização do MDB no Estado, com importante participação desde 1966 e no pleito de 1974; a reorganização do movimento estudantil na UFSC iniciada sob a liderança de Marcos Cardoso Filho e sua expansão até a reorganização da UCE e da UNE, com o surgimento de diversos grupos políticos; a intensa campanha pela anistia motivada sobretudo pelas prisões de 4 de novembro de 1975 (Operação Barriga Verde, 42 integrantes do PCB presos); o surgimento de grupos feministas; a atuação da “geração mimeógrafo” de literatura e a agitação cultural (poucos se lembram das feiras de arte de rua em Brusque); o Núcleo Anarquista de Florianópolis (NAF); o jornal Contestado e a imprensa alternativa – circulação dos jornais Politika, Versus, Pasquim, Opinião, Movimento e Hora do Povo.

Se algum morto foi lembrado no momento em que se confrontou a ditadura, não foi nenhum do século 19, talvez Herzog, Manuel Fiel Filho ou dezenas de outros que perderam a vida combatendo o regime de 1964, sofreram o exílio e a perseguição. Ou as torturas sofridas pelos presos da Operação Barriga Verde em Santa Catarina – afogamento, choque elétrico, pau-de-arara, empalamento, “telefone”, “latinha”…. Os “desaparecidos” até hoje, por aqueles aos quais Figueiredo representava. Afinal, era isso o que denunciavam os poetas, alguns parlamentares do MDB, a imprensa alternativa e a campanha pela anistia. Era isso o que talvez estivesse presente no imaginário dos que fizeram a Novembrada, jamais os fuzilamentos do final do século 19.

Toda a agitação políticos dos anos 1970 será trabalhada num futuro livro, o primeiro de minha autoria que surge com um título pré estabelecido: Antes da Novembrada, com fartura de imagens (fotos, desenhos, cartazes, publicações etc.). Cobri a Novembrada. Estava lá. Não foi nada disso de que andam falando. O protesto foi político, contra a ditadura. Vincular o evento aos episódios de Anhatomirim é forçar a barra, diminuir a importância e a dimensão de manifestação que fugiu do controle dos organizadores e foi apropriada pela multidão que lhe deu um significado. E que não foi em nome daqueles aos quais dedico o presente artigo.    

Celso Martins, Florianópolis-SC (11.1.2010)

Balneário Camboriú há 40 anos

Uma das mais badaladas praias do Brasil, Balneário Camboriú está saturada de prédios na atualidade. Há mais ou menos 40 anos era assim, conservando grande parte da beleza original. Hoje, em determinadas horas do dia, o sol não chega mais à orla por causa da barreira de edifícios. [A imagem é de um cartão postal da minha coleção].

Mais relíquias automotivas

Cumprindo o que prometi ontem, mais uma colagem com fotos da exposição de autos antigos. Selecionei algumas imagens que têm relação com minha infância e adolescência (meu amigo Guilherme me diz que a gente gosta mais dos carros antigos que a gente lembra). 

Identificação das imagens, mais ou menos na ordem que estão acima: 

1 — O veterano Karmann-Ghia, beleza das belezas, ano 1967 

2 — Acredite: este Fusca é um carro ano 1974, tem 58 mil quilômetros originais (rodou menos de 2 mil quilômetros por ano) e está à venda por R$ 15 mil 

3 — Não se confunda, leitor, não é um Audi. É um DKW Vemag, cujo símbolo (as argolas) remete à empresa alemã Auto Union, que tinha Audi, DKW, Horch e Wanderer como sócias. Curioso é que a DKW foi comprada no Brasil pela Volkswagen, que é hoje também a proprietária da Audi 

4 — Um adesivo original da Willys e dois Willys – o jipe e a picape. A Willys foi comprada no Brasil pela Ford (anos 1960), que manteve a fabricação desses modelos até a década de 1970 

5 — Um jipinho simpático, chamado de Candango, que foi uma febre nos anos 1960. Era fabricado pela DKW 

6 — O Chevrolet Impala, uma verdadeira lancha, ano 1960. Abaixo dele está uma logomarca antiga da Chevrolet e um detalhe do “rabo-de-peixe”, nome pelo qual era conhecido no Brasil. O carro exposto estava à venda, sem menção ao preço. Consultei na Internet. Um carros desses, inteiro como o da imagem, vale no mínimo R$ 75 mil. 

7 e 8 — Dois Fuscas conversíveis, provavelmente não-originais (fico devendo a informação), mas belíssimos.