Posts Tagged ‘Literatura’

Quintal ou pátio?

“Anda logo, guri, vai limpar o pátio!”. A frase, de uso comum em algumas regiões de Santa Catarina – sobretudo as mais próximas ao Rio Grande do Sul –, soa estranha em Florianópolis. Outro dia, um leitor indignou-se com a expressão “pátio” substituindo “quintal”, tão nossa, numa reportagem do jornal. Atribuiu o uso à provável origem do jornalista que escreveu a matéria. Desconheço o Estado de nascença do repórter. Mas aquilo me intrigou: até que ponto podemos admitir que jornais locais substituam expressões locais pelas equivalentes de outros Estados? Pátio, para nós florianopolitanos, refere-se ao terreno lajeado de uma escola, de uma repartição pública ou de um quartel. Nunca ao quintal caseiro, especificamente.

Em termos, é a mesma questão do “Ilha de Florianópolis”, usado comumente pelos jornalistas da RBS quando se referem à Ilha de Santa Catarina. Um deles, certa vez, discutiu comigo: “Ora, se Florianópolis está na Ilha de Santa Catarina, por que a ilha não pode ser chamada de ‘Ilha de Florianópolis’?”. Calei-me. Mas fiquei com vontade de dizer: “Pela mesma razão que, trabalhando em Porto Alegre, eu não teria o direito, por exemplo, de referir-me à capital gáucha como Porto do Guaíba, Porto dos Casais ou Porto Rio-grandense”.

* * *

Ah, sim, a ordem contida na frase com que iniciei este texto era dada com relativa frequência por minha mãe, quando eu era rapaz pequeno. E compreensível: ela nasceu no Planalto Serrano, onde viveu até os 23 anos de idade, e trouxe de lá um pouco da cultura gaúcha. Para uma parcela dos serranos, o quintal era (ou é) o pátio da casa. Podendo ser também, no caso da morada de minha avó, o pomar da casa.

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Mais Saramago

O escritor português em Florianópolis (18 de agosto de 1999), cercado pelos intelectuais Rodolfo Pinto da Luz, Alcides Buss e Francisco Pereira. Ao fundo Moacir Loth e Denis Radünz. Encontro foi num restaurante da praia de Santo Antônio de Lisboa.

Diante do mestre

O blogueiro diante do mestre: registro de 18 de agosto de 1999, quando José Saramago esteve na Ilha de Santa Catarina para receber o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Federal de Santa Catarina. Fiquei impressionado com ele. Quem não se impressionaria? Saramago conversou com escritores catarinenses num encontro – retratado acima – que aconteceu em Santo Antônio de Lisboa. Quando me viu com o gravador ligado, mandou desligar. Tarde demais – eu já havia gravado uns 15 minutos do que ele dizia. Mas, a pedido dele, jamais divulguei o conteúdo, que está aqui em casa, trancado a sete chaves. E nem era nada demais, eram apenas considerações sobre o processo de criação literária.

Geração inculta

Ao saber da morte de José Saramago, hoje cedo, comuniquei o fato para os que estavam em minha volta – um grupo de jovens jornalistas. Nenhum deles sabia quem era Saramago. Apenas outro jornalista, de mais de 40 anos de idade, manifestou surpresa com a morte do maior gênio literário da língua portuguesa.

A crônica do Olsen

Olá, camaradas, salve!

Quanto tempo? Depois que se cria o hábito, bem, parece que sempre está faltando alguma coisa…

Os problemas do computador (na verdade são meus por não saber manuseá-lo ainda) de sempre, adicionados a uma cirurgia na boca… Coisa pouca como se diz por aqui… Está tudo bem…

Na sexta-feira envio outro texto (porque ninguém – e nem eu – gostou da tal segunda-feira) e já fica tudo bem novamente.

A música é uma homenagem ao “Dia Internacional da Mulher”, na verdade, no meu caso, às mulheres, simplesmente…

Escolhi esta, dos Beatles, em função da qual extraí(mos) o nome da nossa filha, Michelle…

Do disco “Rubber Soul”, de 1965…

O clipe aí embaixo, muito bom, apresenta a Michelle Phillips, do grupo “Mamas and the Papas”, enfim, são várias Michelles… Todas muito bonitas e criativas, filósofas inclusive…

Houve um tempo em Liverpool que era moda usar suéter preto com gola olímpica, barbas, boinas e fumar cigarros gitanes, imitando os franceses…

Em uma das festas, Paul tentou imitar um dos convidados que dedilhava um violão e fazia um coro que parecia o Charles Aznavour… Mas a coisa empacou…

Um dia o John Lennon insistiu para ele fazer a tal música (com sotaque francês) para o próximo disco deles, que já estava sendo gravado…

Com o auxílio da mulher de Ivan Vaughan, Jan… Paul solicitou um nome francês feminino com duas sílabas e uma descrição de uma garota que rimassem… E ficou ali tocando o violão até que ela (Jan Vaughan) falou “Michelle, ma belle” o que não era difícil de pensar, “Michelle minha linda”…

Depois de um tempo, Paul ligou para ela novamente e pediu para que ela traduzisse “these are words that go together well” para o francês… E ficou assim “Sont les mots qui vont très bien ensemble”…

Após tocar a música para John, este sugeriu “I love you” no meio da canção, explicando que a ênfase deveria ser dada a palavra “love” toda a vez… Ele tinha se inspirado na gravação “I Put a Spell on You” de Nina Simone na qual a cantora usou a mesma frase mas com a ênfase no “you”…

É, acho que é suficiente para se entender as razões por que…

Ah! Quase esqueço, a música ganhou o Grammy em 1966 como a melhor canção do ano… 

 

DIÁRIO DA PROVYNCIA VIII

Olsen Jr.

olsenjr@matrix.com.br

TODO O DIA É “DIA DA MULHER”

   Leva tempo, mas acabamos aprendendo: a mulher é o sexo forte!

   Tenho minhas razões para pensar assim e você pode arrolar as suas… Quem duvida é porque ainda não viveu o suficiente…

   Começando pelos livros de história no colégio, mulheres que mudaram as suas vidas e a de muita gente, as guerreiras, Joana D’Arc com apenas 18 anos liderando um exército francês e expulsando os ingleses… Carlos VII, rei francês, acumulou-a de títulos de nobreza, mas quando ela foi capturada pelos ingleses um ano depois, não fez nada para livrá-la da fogueira; a brasileira, Anita Garibaldi a “Heroína de dois Mundos” e a audácia de virar a mesa e seguir a sua paixão acompanhando Giuseppe Garibaldi e o seu destino de revolucionário…

    Tem mais, a também brasileira, Anna Néri que foi enfermeira na Guerra do Paraguai e destacou-se pela extrema dedicação aos enfermos mesmo tendo perdido um filho no mesmo conflito onde prestava serviços; a Madame Curie (polonesa de origem) que ganhou dois Prêmios Nobel (um de física e o outro de química) por descobertas no campo da radioatividade e pelos dois elementos Rádio e Polônio…

    Na década de 1920, na Rue de Fleurus, 27 em Paris, Gertrude Stein e sua fiel escudeira Alice B. Toklas (depois que o irmão de Gertrude, Leo ausentou-se) conseguiram reunir todos os expatriados norte-americanos ou não e que tivessem algum talento, Hemingway, Fitzgerald, Faulkner, Williams Carlos Williams, Ezra Pound, Joyce, T. S. Elliot, Picasso, Cézanne, Matisse, Jean Cocteau, Apolinaire, Erik Satie… O que não era nada fácil, levando-se em conta o superego de cada um…

   Também em Paris, na rue de l’Odeon, 12 foi criada a livraria “Shakespeare and Company” por Sylvia Beach (que foi escritora, editora, animadora cultural e patronesse) aliás, foi ela quem bancou o livro “Ulisses”, em 1922. Todo o mundo cultural da época passava por ali e lhe deve reverência, remember o livro “Paris é uma Festa”, de Hemingway, em que há um capítulo dedicado a ela… Ah! Sem contar a Adrienne Monnier, outra apaixonada por livros e que muito estimulou a criação da loja de Sylvia Beach…

       Sim, como nem tudo é sossego no mundo, a Simone de Beauvoir (por insistência de Sartre e a titulo de “terapia ocupacional”) em 1949 publica a obra “O Segundo Sexo”, em dois volumes, vol. 1 (fatos e mitos) e o vol. 2 (a experiência vivida)… E pela primeira vez na vida, afirma Paulo Francis, ele leu um livro em que a mulher “não era acessório, mãe, tia, irmã, complemento do homem ou objeto de desejo sexual”, o feminismo ganhou o seu “Corão”, a sua “Bíblia”…

   Em tempos modernos, já na década de 1960 do século XX, a norte-americana, Betty Friedan, a mais conhecida feminista (da segunda onda) de carteirinha, publica a sua “Mística Feminina” (1963) relacionando a mulher com os meios de produção (na indústria e como dona-de-casa) e sua importância na manutenção do capitalismo, foi um best-seller e o abandono do tanque de lavar roupa foi uma questão de tempo para o gênero…       

   A inglesa Mary Quant, por acreditar que a moda era “muito feia”, começou a criar seus próprios modelos, entre eles a famosa minissaia (alguma coisa de pano com 30cm de comprimento em volta da cintura) e que deveria ser usada com botas de cano alto… Well, a ela devemos um pouco da sacanagem da década (some-se o advento da pílula concepcional, os hippies oriundos dos beatniks, a chegada dos Beatles) e os primórdios da revolução dos costumes que transformou (ou seria transtornou?) a juventude no mundo…

    Claro, tem as frases picantes da Dorothy Parker, os “Diários” da Anäis Nin, os poemas de Sylvia Plath e Anne Sexton…

    Mas, principalmente, tem o dia-a-dia e as mulheres estão cortando o bolo onde querem e a hora que bem entendem, se você não acredita provavelmente não lhe deixarão nem o glacê para uma pequena lambida sequer!

Crônica do Olsen

Olá, camaradas, salve!

   Desvinculado dos periódicos convencionais, estou fazendo essa série “Diário da Provyncia”, pequenos textos onde vou revelando o meu aprendizado literário, intercalado com pequenas observaçãoes de  nosso cotidiano insolente…

Está claro que até o final do ano teremos um novo livro…

   Agradeço aos blogueiros Sérgio Rubim, Carlos Damião, Celso Martins, Amilton Alexandre, Arthur Monteiro, Valério Fabris e Maria Odete Olsen pela acolhida e que me tem dado um bom retorno…

Isso me empresta tempo e fôlego, igualmente,  para a introspecção e outro livro de contos em que trabalho nesse mesmo período, um acaba tornando-se contraponto do outro…

   A música “Fortunate Son”, do Creedence Clearwater Revival é a trilha de muitos filmes que falam do Vietnã, o último deles que assisti foi “Forrest Gump”…

   Fala da consciência que se vai formando de alguém que está partindo para a guerra, não é filhinho de papai (uma alusão ao neto do ex-presidente Dwight Eisenhower que se casara com a filha de Richard Nixon) e percebe as diferenças em quem age e quem assiste… Os iguais e os “mais iguais”, segundo Orwell…

Com o carinho de sempre, o abraço do viking!

 DIÁRIO DA PROVYNCIA III

 Olsen Jr.

olsenjr@matrix.com.br

CÍNICO, CÉTICO E EFICIENTE! 

   Foi somente depois que o carro passou sobre a água empoçada num desvão (de um trabalho mal feito anteriormente) nas lajotas oitavadas da Avenida das Rendeiras, pulverizando com água barrenta uma família inteira que caminhava no passeio em frente é que me dei conta: tínhamos de ser muito otimistas para acreditar que havia alguma esperança para o ser humano.

   O veículo trafegava com o dobro da velocidade permitida naquele trajeto no bairro boêmio da Lagoa da Conceição. Compreende-se que as pessoas de férias possam distrair-se com o ambiente enquanto passeiam, mas é injustificável que um motorista não tenha a dimensão de uma atitude imprudente. Seja pelo excesso de velocidade ou pela visão embotada do percurso. O que é pior, que encare ambas com naturalidade como se estivessem incorporadas ao “seu fazer” e até, a danação, que sequer tenha consciência da imperícia e da infração cometida.

   Sei! Alguém pode lembrar que uma ação isolada não serve de parâmetro para avalizar um comportamento humano. De tanto observar atitudes desrespeitosas como essa, me tornei um cético. Então, resta o quê?

   Lembrei de um texto do Paulo Fancis na Folha, década de 1970 “Resta o consolo do trabalho. São Paulo estava errado e São João certo. A salvação é pelas obras e não pela fé. Esta matamos há muito tempo”.

    Parte do meu aprendizado foi aperfeiçoada num texto do mesmo Paulo Francis (já que mencionei o trabalho) comentando o filme “Mississippi em Chamas”, de Alan Parker e a atuação de Gene Hackman.

    O filme é baseado no assassinato em 1964, de três ativistas dos direitos civis no sul segregacionista dos EUA. O foco está na investigação de dois agentes do FBI, o sulista Rupert Anderson (Gene Hackman) e o nortista Alan Ward (William Dafoe) e os métodos de cada um para chegar a verdade: o primeiro com suavidade e o segundo agressivo. No fim triunfa a astúcia do primeiro e a perseverança do segundo. Em 2005, um ex-integrante da Ku-Kux-Klan, Edgar Ray Killen, então com 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão pela morte dos ativistas no qual o filme se baseou, corroborando a tese de seu diretor, que acreditava que um filme pode ter funções políticas.

   Francis ressaltava que a atuação de Gene Hackman era a expressão pura do que o crítico Edmund Wilson chama de Jobbism num ensaio em afirmava que “só nos resta neste mundo corrupto fazer nosso trabalho bem feito, sem tomar conhecimento de causas e pretensões iluministas”.

   No filme, as pessoas se recusam a falar. Quem diz alguma coisa é espancada. Lá como aqui, uma realidade que se repete nomundo e no submundo da impunidade. Mas o Francis afirma que “Hackman olha e ri nos falando uma enciclopédia britânica sobre a natureza humana. Não se vangloria e nem tem ilusões. São pessoas assim que avançam as causas, poucas ainda em que acreditamos, e não ideólogos e idealistas. São céticas, cínicas e eficientes. Nossa única esperança, e Gene Hackman é emblemático de nossa condição”.

   Esse “jobbism” que pode ser traduzido como “mãos-à-obra” descoberto pelo Francis no ensaio de Edmund “Bunny” Wilson que ele tomou conhecimento no início da década de 1960 e só foi assimilado na de 1980 pode ter raízes no médico e poeta transcendentalista americano Oliver Wendell Holmes… A uni-los, a descoberta da dignidade profissional enquanto último e inoxidável instrumento de participação social.  Não será a pólvora, como lembrou a jornalista Ana Claudia Vicente, mas para mim o jobbism foi um achado. Que funcionará, quando muita gente o achar também.

   É isso, desde então, na cabeceira da minha cama, além de um champanhe e do livro que estiver lendo, está o trípdico: cínico, cético e eficiente…

   Justifica-se: a bebida, porque como lembrou Zózimo Barroso do Amaral “enquanto houver champanhe, há esperança”; um livro, porque como diz o poeta que habita em mim “é a melhor companhia quando você não quer ver ninguém” e as palavras, para manter uma atitude enquanto não se põe mãos-à-obra!

Crônica – Olsen Jr.

Olá, camaradas, salve! Conforme o prometido, segue a crônica no seu dia habitual… A última publicada no jornal “A Notícia”… Um “casamento” que terminou depois de 12 anos e dois meses, aliás, mais longo do que 95% dos outros enlaces matrimoniais que conheço… Sim, porque estar vinculado com um jornal é o mesmo que estar casado, pelo menos para nós, os “durões”…

Despedidas, não suporto isso, a menos que seja essa, do ano que passou… Bem, então a música pode/deve ser essa:

“Auld Lang Syne”

De um poema de Robert Burns escrito em 1788 logo foi popularizada no Reino Unido…

Graças a uma gravação de Guy Lombardo, líder de banda canadense, em 1929 apresentada no final daquele ano e popularizada nos anos seguintes como uma espécie de despedida do ano que terminava, acabou associada e repetida sempre… Nas despedidas… 

Nos Estados Unidos, é conhecida como “”The song tha nobody knows” (a música que ninguém conhece) porque embora a melodia tenha se internacionalizado, poucos conhecem a letra do poema…

Como acontece com canções que se tornam populares mundialmente, acabam sendo adaptadas de acordo com a índole do país que as abriga…

No Brasil há uma versão de Alberto Ribeiro e Carlos Alberto Ferreira Braga (o “Braguinha”) e ficou conhecida como a “Valsa da Despedida”… E começava assim: “Adeus amor eu vou partir”…

Well, em fase de despedidas, parece que todo o mundo está fazendo o mesmo… O César Valente do seu blog deolhonacapital… O Les Paul do fazendobarulho… Enfim, novo ares se avizinham, e isso cabe bem aqui, agora, acho…

 Com o carinho de sempre do poeta, vai: 

DESPEDIDA DOS (MEUS) LEITORES DO AN 

Olsen Jr. 

   Francamente, não gosto de despedidas. Um adeus sempre sugere a hipótese de que seja definitivo. Foi assim quando minha mãe morreu e o fato se repetiu com o meu pai, do mesmo jeito: era para ser apenas um até breve, e acabou sendo um nunca mais.

   Prefiro mil vezes os encontros. A aproximação possibilita uma expectativa, algo capaz de gerar uma esperança e essa, naturalmente, abre horizontes… Não restringe, amplia.

   Levado pelos editores Joel Gehlen e Dennis Radünz, (Paulo César Ruiz, in memoriam), tive a primeira crônica “Boemia, Aqui Me Tens de Regresso”, publicada no “Anexo”, no dia 06 de novembro de 1997.

   Os tempos eram outros, havia total liberdade para se criar e se dizer, mas igualmente, havia um espaço generoso para ambas e a competição era acirrada.

   Foram 12 anos e dois meses, semanalmente, aqui neste espaço, buscando com uma visão humana e muito particular, cínica e/ou cética se preferirem, revelar o homem para os outros homens, e que o homem assim revelado pudesse agir e assumir a sua inteira responsabilidade em face ao que está observando e vivendo.

   Ao todo, 410 textos produzidos a partir de várias motivações, o cotidiano e suas mazelas naturalmente triunfando. Ainda que pareçamos descrentes de uns cem números de virtudes desusadas nesses tempos modernos, paradoxalmente, foram as crônicas em que aludi a família aquelas que encontraram sempre melhor receptividade entre os leitores. Nem tudo está perdido então porque a família continua sendo um núcleo poderoso na transformação social.

    Também recebi o prêmio da melhor crônica publicada em 1999, “Prêmio Planel de Jornalismo – rádio e televisão de Santa Catarina”, pelo Jornal “A Notíca”.  O texto “Na Última Página”, publicado no dia 19/11/1999, teve como leitmotiv o aparente contentamento de um andarilho por poder transitar pelos lugares que lhe aprouvesse, inspirado em reportagem publicada na contracapa do Diário Catarinense. Na crônica fiz uma espécie de “balanço” do aprendizado humano desde a idade da pedra até a informática e esse apelo irresistível para a aventura e pela liberdade, aliás, essa busca pela liberdade é que conta a grande história humana.

   Ignoro quais serão os caminhos para o jornalismo tradicional (impresso) para o futuro, embora a preocupação com o fenômeno e os debates já tenham começado, principalmente nos Estados Unidos, há pelo menos cinco anos e onde o todo poderoso New York Times contabiliza perda de leitores e assinantes anualmente. De qualquer maneira, aqui no Brasil, na Região Sul, notadamente, segue-se uma tendência mundial iniciada na década de 1980 de se regionalizar a informação. Os periódicos diários se fortalecem na medida em que definem um nicho de atuação e investem nele, tornando-se necessários e até imprescindíveis.

   Natural, portanto, que se busque gente e conhecimento que digam respeito à Região onde estão inseridos.

   Assim, também é natural que eu, atuando na Capital, possa representar uma peça descartável nesse processo, embora um suplemento cultural signifique, muitas vezes, uma espécie de “oásis” na insolência informativa diária, porque a realidade mais e mais está fornecendo material para alimentar tudo o que há de indigente em uma sociedade e, invariavelmente, os veículos de comunicação têm se apropriado disso, o que acaba respingando até na cultura, que nunca está imune a nada.

   Nunca deixei de enfatizar nesse tempo todo, a minha profissão de fé na literatura. Tomei a decisão de ser um escritor aos 13 anos de idade, desde então nunca tergiversei sobre isso.

  A busca continua agora em novos caminhos e os meus textos poderão ser encontrados (todas às sextas-feiras) nos blogs da vida: 

https://carlosdamiao.wordpress.com (do jornalista Carlos Damião, de Florianópolis)

http://sambaquinarede2.blogspot.com (do jornalista Celso Martins, de Florianópolis)

http://cangarubim.blogspot.com (do jornalista Sérgio Rubim, de Florianópolis)

www.zsite.com.br (do jornalista Valério Fabris, de Belo Horizonte)

www.digitalabc.com.br (do jornalista Arthur Monteiro, de Brasília)

http://blog.educacaoecidadania.com.br (jornalista Maria Odete Olsen, de Florianópolis)

http://tijoladasdomosquito.blogspot.com (Amilton Alexandre, de Florianópolis) 

   E como diria o poeta, vamos em frente e sejamos felizes, se pudermos: um bom ano novo para todos e até outro dia… Por aí!