Posts Tagged ‘Esporte’

Paixões futebolísticas

 

   Vamos ser justos: Olsen Jr. é um escritor catarinense que torce para o Internacional. Olsen Jr. é um dos sotaques catarinenses de que falei outro dia. Ele nasceu em Chapecó, cresceu em Blumenau e está amadurecendo em Florianópolis. Optou pela Capital por gosto e segue torcendo para o time que aprendeu a gostar quando criança, em Chapecó. Lá, naqueles tempos de infância e adolescência do escritor, os clubes gaúchos tinham muita força e o jornal de referência da população regional era o Correio do Povo, de Porto Alegre. Da mesma forma encontrávamos esse jornal como favorito da população do Planalto Serrano – quem, em Lages e Bom Retiro, por exemplo, conhecia O Estado e A Gazeta, os dois vibrantes matutinos de Florianópolis? Lá um ou outro fazendeiro metido em política. No geral, quase todos os moradores instruídos dessas cidades serranas tinham o Correio do Povo como leitura obrigatória.

   Quando morei em São Paulo (1981-1985), segui torcendo pelo Figueirense, cujas partidas ouvia pelas ondas curtas da Guarujá (comprei um Transglobe, o lendário rádio da Philco, justamente por isso). Mas me defini, em terras paulistanas, por um time local, o Corinthians. E continuei lendo O Estado, que comprava numa banca da esquina da São João com a Ipiranga. Não deixei de ser catarinense e não me tornei paulista, por causa de um time ou por conta de um jornal. Assim como qualquer pessoa não vai deixar de ser catarinense se torcer apenas pelo Grêmio, pelo Inter, pelo São Paulo ou pelo Flamengo.

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Futebol catarinense…

 

… é só tristeza. Ouvi o jogo do Figueirense ontem. Que coisa horrorosa, que falta de objetivo, falta de equipe, falta de tudo.

Soube do resultado do jogo do Avaí quando cheguei de viagem, há pouco. Outra tristeza.

Que sina a do nosso futebol, não? E o duro, ainda é ler no UOL Esportes o que disse o técnico do Barueri, equipe que derrotou o Avaí neste domingo:

avai

Por que torcemos contra a Copa em Florianópolis

Desterro perde a poesia e se torna paraíso dos arrivistas

Desterro perde a poesia e se torna paraíso dos arrivistas

Estava lendo há pouco o que o Marcos Castiel escreveu em seu blog sobre a questão das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014. “Não importa o que acontecer, nós já perdemos” é o título do post. Castiel aponta uma relativa desunião da cidadania em torno de Florianópolis, não só por causa da disputa para ser uma das sedes do maior evento esportivo do Planeta. O cronista se refere ao definhamento da capital catarinense enquanto cidade de fato, espaço de moradia, convivência, natureza e lazer.

O que há, e nós dizemos isso neste blog desde o início, em 2004, é que Florianópolis tornou-se uma terra de oportunidades, mais ou menos como Balneário Camboriú, sem identidade e personalidade. Quem quer ganhar dinheiro relativamente “fácil” vem para cá – inclusive os mendigos bêbados que moram na Praça 15 de Novembro desde 2005. Muita gente se iludiu com Florianópolis; muitos acharam que era moleza chegar aqui, montar a barraca e acionar a caixa registradora. Não é assim: quem nasceu ou vive há muito tempo em Desterro sabe. O único negócio próspero, de resultados rápidos, é a construção civil, especialmente quando ligada ao turismo. E é essa a oportunidade, como sabemos, que a turma que se instalou no poder percebeu: vincular o turismo a empreendimentos sólidos, não à simples curtição da cidade (curtição da cidade são os gastos dos turistas com entretenimento, passeios, gastronomia, visitas a museus, compras de suvenires etc., como em Paris). Então, Florianópolis deixou de ser atraente pelo que é (ou foi) para se tornar um negócio sob a perspectiva de políticos negociantes, cujo discurso é nitidamente argentário. Só não percebe quem é trouxa e se contenta com pequenos favores eleitorais, como sacos de cimento, tijolos, areia, pregos, ferros, telhas (a construção civil informal ampliou velozmente a destruição de Florianópolis nos últimos cinco anos). Essa concessão à esculhambação urbana, através do clientelismo político escancarado, foi a forma que os políticos negociantes encontraram para respaldar a organização que pretendem, ou seja, abrir espaço para os ricos empreendimentos de preços finais abusivos e restritivos. Não tenho dúvida de que o projeto dessa gente é, no longo prazo, expulsar a pobreza para garantir a presença de mais arrivistas que aparecerem por aqui. Esses arrivistas serão os eleitores do futuro.

Enfim, a Copa 2014 seria (ou será? – escrevo antes do anúncio da Fifa e não poderei acompanhar a divulgação dos nomes das cidades porque estarei viajando) a grande oportunidade para a virada econômica que os negociantes planejavam, ou seja: a transformação impiedosa de Florianópolis num paraíso de supostos ricos, os novos ricos, exatamente aqueles que pensam, respiram e se alimentam unicamente dos lucros, e não contribuem para o bem-estar geral da sociedade. Aliás, os nossos políticos negociantes fazem parte dessa constelação de falsos burgueses deslumbrados que se apossaram de Florianópolis.

É para que eles não se dessem bem (mais ainda) é que torcemos contra a Copa em Florianópolis.