Posts Tagged ‘Economia’

Preço baixo tem… preço alto para a sociedade

Sabem aquelas promoções mirabolantes em supermercados? Parece que o Ministério Público Estadual encontrou uma explicação interessante para certos milagres nas prateleiras desses estabelecimentos – nada menos que 412 supermercados de Santa Catarina (mais uns tantos do Rio Grande do Sul e Paraná) participavam de um esquema de fraudes fiscais, operado a partir de um atacadista da região Oeste catarinense. Confira os detalhes aqui.

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Sonegação, preço e lucro

 

   As autoridades catarinenses desenvolvem uma força-tarefa hoje para prender gente graúda envolvida num esquema de sonegação fiscal. Uma empresa atacadista, sediada em Chapecó, desenvolveu um sistema de fornecimento de mercadorias aos supermercados com base em notas fiscais fraudadas (ou falsificadas). O Ministério Público Estadual descobriu o caso, monitorou os suspeitos e colocou a polícia na parada. E é o que está acontecendo nesta quinta-feira: uma operação para prender os “empresários” (empresário de verdade é quem constrói sua história com ética e honestidade).

   Há muito tempo desconfio de ofertas milagrosas em muitos estabelecimentos comerciais.

   Existem casos de empresas de fora que chegam com a política de arrasa-quarteirão, demolindo preços para conquistar a clientela. Não sabemos a origem dessas empresas, nem como elas conseguem preços tão fantásticos. E vemos com tristeza os comerciantes locais sendo forçados a trabalhar no prejuízo – ou mesmo fechar as portas, como aconteceu com uma farmácia da Mauro Ramos que existia há mais de 40 anos. O proprietário dessa farmácia me explicou, há uns tempos, que vendia um medicamento para controle da pressão arterial por, digamos, R$ 100, que era o preço de tabela do fabricante. Uma farmácia de fora que instalou filial na região oferecia o mesmo remédio (mesma marca) por R$ 50, com um suposto prejuízo de R$ 50. Como?

Calamidade

 

O prefeito de Itajaí, Jandir Bellini, teve que decretar estado de calamidade pública no município – especificamente na região do porto – para tentar sensibilizar os ministros do Tribunal de Contas da União, que colocaram uma ‘caveira de burro’ na história da reconstrução do porto.

Só para vocês terem ideia, além da movimentação normal de cargas (importação-exportação), Itajaí é o maior porto pesqueiro do País e amarga milhões de reais em prejuízos todos os dias.

O TCU simplesmente não reconhece a urgência de realização das obras, e consequente liberação dos recursos. Bellini chorou durante entrevista concedida no início da semana, em Brasília. E não é para menos: trata-se de uma catástrofe econômica e social, depois da catástrofe ambiental que aconteceu em novembro do ano passado.

Uma cidade à espera de um porto

 

Estava em Itajaí hoje cedo e senti o clima na cidade em relação ao protesto que se prolongaria durante horas, por conta das obras de recuperação do porto — que teve 80% de sua estrutura destruída durante a inundação de novembro do ano passado.

Itajaí vive do porto. E isso nem é de hoje — a diferença é que atualmente o porto é quase que totalmente indutor da economia local. Tudo, de um boteco a um colégio, de uma imobiliária a uma joalheria, de um restaurante a uma revendedora de automóveis, de uma loja de móveis ao aeroporto de Navegantes, tudo depende das plenas atividades do porto.

Mas, como eu comecei dizendo, estava lá hoje cedo quando os protestos ainda estavam em curso. O povo de Itajaí — e isso inclui empresários, políticos, trabalhadores, donas de casa, professores, estivadores — está cansado. Faz cinco meses que aconteceu o desastre ambiental. E não é mesmo possível que as obras estejam demorando tanto, ainda mais que o governo do presidente Lula garantiu os recursos. Pena que as verbas demoram a chegar e que os responsáveis pelas obras civis, inclusive de dragagem e reconstrução do porto, não  tenham aquele ânimo todo para concluir o que devem fazer.

Num momento de crise como este, em que uma cidade depende de um porto para viver, é incompreensível o que está acontecendo em Itajaí. A incompetência da burocracia parece ser a única explicação razoável.

Cada um se vira como pode

 

Um fenômeno interessante é facilmente observável no centro de Florianópolis: a volta maciça de camelôs, não só da região metropolitana, mas também de outros Estados. É reflexo direto da crise econômica, que recoloca a informalidade no eixo da sobrevivência. 

Voltam ao mercado também outras práticas informais que caíram em desuso nos últimos anos. Mulheres e homens reativam o negócio da venda porta a porta, oferecendo perfumes, peças de artesanato, livros, CDs e DVDs (piratas), jóias e outros produtos. Cada um se vira como pode.

Macroeconomia

 

O leitor Carlos (um, entre quatro ou cinco Carlos que aparecem por aqui) informou que a história da redução do IPI não é bem como foi comentado aqui no blog. Esclareço que meu post se baseou em depoimento de um prefeito, que está se juntando a outros prefeitos para um protesto em Brasília, nesta terça-feira. E, sinceramente, meu caro Carlos, não entendo nada de macroeconomia mesmo.

Coisa de país rico

 

Está nas folhas de hoje: “Venda de carros cresce 30%” (em março). E quem paga a conta pelo ótimo desempenho da indústria automobilística? A sociedade. O resultado econômico é fruto da renúncia fiscal proporcionada pelo Governo Federal. E os maiores prejudicados são os municípios.