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Carta aberta ao novo prefeito

Prefeito Cesar Jr., a cidade não tem mais cara

Laudelino José Sardá, professor e jornalista

Caro prefeito Cesar Júnior, não há solidão tão estridente quanto a que existe no coração de uma cidade sem alma. Florianópolis tem 430 mil almas assombradas com o excesso de problemas em apenas 672 km2, e tudo parece fantasia em dois cenários teatrais. No primeiro, holofotes ao pedantismo dos que vivem em festa e a simular um glamour só percebido por quem também sonha em morar num castelo; no segundo, com ou sem borrasca, o povo consumido pelo estresse da imobilidade, violência e sem entender a razão de sermos a maior referência turística. A Ilha vive em êxtase induzida pelas visitas relâmpagos de jogadores milionários, que se saciam em estonteantes noites festivas. E nós insensatos, no delírio dos confetes midiáticos, somos incapazes de mensurar e valorizar a fascinante beleza natural da nossa cidade e, entorpecidos, ainda desdenhamos o nosso legado cultural, a face da cidade faceira, onde a mídia prefere a violência, a imobilidade, ou a ostentação de quem, por exemplo, vende uma residência por R$ 6 milhões em Jurerê com direito à ovação em coluna social, ou de quem adquire um avião, quem sabe para ver de cima o quanto é lindo o seu apê na beira-mar.
Bem, prefeito Cesar, como diz Carlos Damião, você precisa amar Florianópolis acima do fazer política. Lutamos há anos contra a cidade sem rosto, sem identidade. Poucos sabem que o Victor, aquele que pintou a primeira missa do Brasil, o Sousa, grande poeta simbolista, e tantos outros são desta Ilha, onde navegadores europeus, já a partir do século XVI, testemunharam a beleza e a cultura ímpares da região. A beleza está sendo destruída e a cultura vilipendiada. Falamos em magia da Ilha e escondemos o riquíssimo acervo de Franklin Cascaes. Temos fortalezas, museus, teatros, oficinas artesanais, artistas plásticos, poetas, ficcionistas, produção cinematográfica, universidades, musicalidade fantástica e ninguém sente essa riqueza incomensurável. É comum engarrafar-se no trânsito de Roma, Londres…, mas lá se enche o pulmão de cultura, a verdadeira natureza do homem, a energia da cidade.
Caro jovem alcaide, faça creches, imunize a ponta do coral contra a ganância imobiliária, invista na mobilidade, mas, antes de tudo, recupere o rosto da cidade, investindo nos valores culturais. Ah, por favor, mas não tire de novo dinheiro da cultura para equipar a polícia, tá? O Museu Histórico de Florianópolis, que você já anunciou, é importante, mas significa menos de 10% do oceano de legados culturais. Você sabia que a literatura catarinense nasceu em Canasvieiras, com o livro “Assembleia das Aves”, de Marcelino Dutra? Bem, a herança de navegadores, os pintores, a magia de Franklin, a poesia, a música e jornais, tudo isso merece museus também. Devolva a nossa cara!

(Publicado no Notícias do Dia de 31/10/12)

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Faltam informações sobre as pontes

Volta e meia alguém questiona, nas redes sociais, ou por e-mail, sobre as condições estruturais das pontes Pedro Ivo e Colombo Salles (foto). O leitor Sílvio Peixoto, por exemplo, mandou-me a indagação: “Nunca vejo operários trabalhando nos velhos pilares das duas pontes. Lembrando que o Tribunal de Contas já lançou um alerta sobre problemas que podem comprometer a qualidade desses equipamentos. A ponte Colombo Salles completou 37 anos de operação este ano. E a Pedro Ivo, se não estou enganado, já alcançou os 20 anos em 2010. O Deinfra bem que poderia nos esclarecer o caso”. O leitor tem razão. Quem passa todos os dias pelas pontes acaba sempre refletindo consigo mesmo: “Até quando essas duas vão aguentar o tranco do trânsito e da maresia?”.

Pancadaria

“Ainda bem que atendimento de telemarketing é por telefone, né? Porque se você pessoalmente ia dar muuuita pancadaria!”. Tuitada da jornalista Jamille Cardoso (@Jamille_Cardoso), cheia de razão.

Guia

Tudo sobre as 10 regiões turísticas do Estado está no Guia Abav-SC, recentemente lançado. Uma das dicas, por exemplo, é a Festa do Pinhão, que tem seu auge neste feriadão, atraindo milhares de pessoas para Lages, a principal cidade do Planalto Serrano.

Inclusão

Formada por 20 estudantes, a Orquestra Municipal da Rede de Ensino de Palhoça (OMEP) se apresenta neste sábado (9), no shopping ViaCatarina, a partir das 17h, para uma homenagem muito especial ao Dia dos Namorados. A OMEP integra o Programa de Educação Musical da rede de ensino de Palhoça, que atua em seis escolas da cidade, num belo trabalho de inclusão social pela cultura.

Caso sério

É preciso acabar de uma vez por todas com essa história de construir belas obras, consumindo fartos recursos públicos, mas, na hora de cumprir sua finalidade, esses equipamentos se mostram inúteis para quem interessa. Não acontece só com a saúde, mas também com creches, escolas, cadeias, centros de recuperação de menores infratores etc. E não só em Palhoça, como citei na coluna de ontem. É por toda Santa Catarina.

Arraiá Solidário

Na tarde deste domingo (10) estudantes de administração da ESAG organizam no Pátio da Irmandade Divino Espírito Santos (IDES), em frente à Praça Getúlio Vargas, um Arraiá Solidário. O evento encerra o projeto Deleite a Vida, que começou no início do semestre, com o objetivo de arrecadar fundos para a construção de um Banco de Leite no Hospital Universitário da UFSC.

A conferir

A prefeitura de Palhoça esclarece ao morador Joaquim Mácario da Silva que a mudança da praça de pedágio do quilômetro 222 para o quilômetro 245 está autorizada desde 16 de novembro de 2011. Depois de quatro audiências em Brasília, o prefeito Ronério Heiderscheidt obteve a garantia federal de que as obras começam no dia 12 deste mês.

Vedete

O 8º Feirão da Caixa de Imóveis, que começa amanhã e vai até domingo, no CentroSul, deve ser o maior da história. E as vedetes, sem dúvida, serão os apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, mais acessíveis à nova classe média brasileira. Conforme o gerente de Construção Civil da Caixa Econômica Federal, Marcelo Luiz Moser, só na Grande Florianópolis a instituição já assinou 1.800 contratos do programa.

História

História da Nação Latino-americana, de Jorge Abelardo Ramos, é o lançamento programado para segunda-feira (11), pela Editora Insular, a partir das 19h, na Assembleia Legislativa. Ramos foi fundador da Izquierda Nacional, movimento político e cultural argentino. Victor Ramos, filho de Jorge, participará do evento. O autor do livro faleceu em 1994.

Obrigado, mestre

Uma das mentes brilhantes de Florianópolis, o professor Rodolfo Joaquim Pinto da Luz deixou ontem a Secretaria da Educação e a Fundação Franklin Cascaes. Vai fazer falta. Homem do diálogo, de larga visão social e cultural, entra como “reserva técnica” para a campanha eleitoral que se avizinha. Quem o conhece, só tem a agradecer pelo que fez pela educação e pela cultura na cidade.

Inclusão

A Fucas, instituição voltada a programas de assistência social em Santa Catarina, está comemorando o sucesso de mais uma marca alcançada, a de 917 jovens aprendizes inseridos no mercado de trabalho nos 20 municípios catarinenses em que atua. As empresas parceiras contribuem ao dar a primeira oportunidade de trabalho para a futura geração de profissionais.

Cabidões

Impressionante a série de reportagens da RIC TV, realizada pelo colega Iuri Grechi, mostrando a completa inutilidade das secretarias de desenvolvimento regional. Pelas matérias, percebe-se que a única intenção do criador foi mesmo implantar escritórios políticos, para acomodar cabos eleitorais. Que feio. Pior, com dinheiro meu, seu, nosso, caro leitor.

Dança

Bia Mattar, que frequenta o Festival de Dança de São José dos Campos (SP) desde 2005 como jurada, palestrante e professora convidada, está participando do evento novamente, e com tripla missão: integrar a banca avaliadora, ministrar palestra e divulgar o Prêmio Desterro – Festival de Dança de Florianópolis, do qual é diretora artística.

Tradição

Temporada das festas juninas começa a esquentar. O Centro Educacional Menino Jesus, que realiza uma das mais tradicionais de Florianópolis, já marcou a sua – para o próximo dia 16. Será a 44ª edição da festa, com jogos, brincadeiras, delícias e outras atividades típicas de um arraial junino.

Prontidão

A quantidade de guinchos da Autopista Litoral Sul em Santa Catarina – nas BRs 101, 376 e 116 – dá ideia do que pode ser um feriadão nessas rodovias. Desde ontem, estão disponíveis 75 guinchos extras, além dos 17 que já operam normalmente. E não é só: as estradas contam também com 13 ambulâncias, sendo 4 UTIs e 9 de resgate.

Negativo

Motoristas que dão “sinal de luz” para avisar sobre a presença de um radar da Polícia Rodoviária Federal merecem uma multa bem pesada! É impressionante a falta de cidadania e a tolerância à estupidez nas estradas. Só ontem, no trecho entre Tijucas e o pedágio de Porto Belo, eram dezenas de motoristas sinalizando para o tráfego no sentido inverso. Depois reclamam da violência nas rodovias.

De musa a executiva do Carnaval

Confira na coluna do fim de semana um papo muito cabeça com Jaqueline Aranha, musa (e executiva) do samba em Florianópolis. Ela sabe tudo de Carnaval. Confira AQUI.

O sucesso da Avenida do Samba

Na coluna desta segunda-feira, 13 de fevereiro, o sucesso da Avenida do Samba – que resgatou a Avenida Paulo Fontes para o Carnaval. Confira AQUI.

Vento Encanado

Na coluna do fim de semana meu entrevistado é o Nivaldinho Machado, comandante do único bloco carnavalesco de Florianópolis que não sai do lugar – o Vento Encanado. Confira aqui

Coluna de 4 e 5/2/12

Bom dia. Na coluna deste fim de semana (4 e 5/2/12), Papo cabeça com cantor Luiz Falcão. Tem ainda foto antiga: Terminal do Largo Fagundes. Quem lembra? Confira aqui.

Samba e política

Nega Tide, que será enterrada hoje às 15 horas no Cemitério São Francisco de Assis (Itacorubi), encarnou muitos papéis ao longo de sua vida. O mais conhecido de todos foi o de Cidadã Samba, título merecido e jamais contestado. Mas foi também, além de uma sambista de qualidade indiscutíveis, uma mulher envolvida com a política e o poder. Adorada (até endeusada) pelos líderes e pelas autoridades, justamente por causa da força de sua arte, Nega Tide circulou pela política com especial desenvoltura, dedicou-se ao PMDB – seu partido de coração – e chegou a disputar uma vaga à Câmara de Vereadores. Não se elegeu, mas fez falta. Talvez emprestasse ao Parlamento do município um pouco da sua verve, do discurso direto, objetivo e contundente, sem esquecer da alegria, do sorriso sacana, da “vida-louca-vida” do samba e da noite que ela simbolizava.

A cidade perdeu mais um de seus personagens fundamentais.