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Um belo e instigante filme

Faz tempo que não pratico aqui uma das coisas de que mais gosto: comentar filmes. Hoje é The Answer Man (trailer acima), uma obra sensível de um diretor estreante John Hindman, com Jeff Daniels e a deliciosa e ótima atriz Lauren Graham.

Daniels interpreta Arlen Faber, um desses picaretas autores de livros de auto-ajuda, que fez fama com a obra “Eu e Deus”, composta de perguntas existenciais e espirituais dirigidas ao Criador. Faber sabe que o que fez e faz é picaretagem. E tem dificuldades em conviver com a fama obtida graças à malandragem editorial. É quando ele conhece Elizabeth (Lauren), que dá novo sentido à sua vida.

O interessante do filme é que, embora realizado nos Estados Unidos, tem um toque diferente, sutil e questionador. Ou seja, não é um filme comercial. Tanto não é que foi um dos concorrentes no Festival de Sundance, tradicional evento do cinema alternativo, no ano passado. Vale a pena assistir. Fiz isso ontem, pela segunda vez.

Gângsteres do cinema

Virginia e Cagney: uma relação de amor, ódio, poder e dinheiro

Sou fã de filmes antigos, em especial os policiais de gênero noir e também os que retratam histórias de gângsteres. Ontem assisti no TCM a Fúria Sanguinária (White Heat), um clássico de Raoul Walsh, rodado em 1949, com o impressionante ator James Cagney no papel do gângster Cody Jarrett, um bandido demente, obcecado por dinheiro e poder. A obra tem ainda no elenco a divina Virgina Mayo, atriz maravilhosa e de uma beleza transcendental.

O enredo é muito simples: Cody é um homem sem escrúpulos, que lidera um bando de criminosos e promove grandes assaltos, tendo a figura de sua mãe (Margaret Wycherly) como referência central, alguém que dá sentido à sua vida e é, também, sua parceira de crimes. Depois de um bem-sucedido assalto a um trem pagador, Cody desaparece com seus homens, sua mãe e sua mulher. O fruto do roubo, US$ 300 mil, tem que ser “lavado” para despistar a polícia, porque as notas apresentam numeração sequencial. O interesse da polícia, além de prender Cody, é descobrir quem é o responsável pela “lavagem” da grana.

E aí está o grande mote do filme, que inclusive o torna muito atual, em razão dos episódios nebulosos que envolvem alguns gângsteres da política brasileira: como esconder o dinheiro, como “esquentá-lo” e como continuar cometendo crimes sem ser (teoricamente) descoberto.

A obra de Walsh, um mestre do cinema, tem sequências impressionantes e antológicas, perseguições de automóveis, efeitos especiais incríveis para a época e o uso de algumas tecnologias interessantes, como uma espécie de avô do GPS. A frase final de Cody, “Made it, Ma! Top of the world!” (“Eu consegui, mãe! Estou no topo do mundo!”) é considerada uma das mais importantes citações do cinema no século 20.

No site Melhores Filmes os leitores-cinéfilos escolheram Fúria Sanguinária como o melhor filme da carreira de Walsh.

A ironia

Claro que uma coisa não tem nada a ver com outra. Mas é uma extrema ironia essa história do grave acidente sofrido pelo cineasta Fábio Barreto às vésperas da estreia de seu filme “Lula, o Filho do Brasil”. Ironia porque a obra cinematográfica repete, entre nós, o estilo do realismo socialista, de culto à personalidade de um líder político. Lula não precisava disso. Nem o povo brasileiro.

O ‘gauchismo’, até nas legendas dos filmes

Um assunto mais ameno: gosto muito de filmes clássicos — comédias e dramas das décadas de 1930 a 1970. O canal que normalmente passa esses filmes é o TCM (para quem assina a TVA). Há verdadeiras preciosidades em cartaz, como Dinner at Eight (Jantar às Oito), um clássico de George Cukor, pós-depressão de 1929, abordando a decadência da burguesia estadunidense.

Outro é Walk Don’t Run (Devagar, não Corra), produção de 1966, com Cary Grant e Samantha Eggar, uma comédia de costumes ambientada no Japão, muito divertida e inteligente, dirigida por Charles Walters.

Em ambos, uma característica ímpar: as legendas mal-construídas e cheias de cacoetes gaúchos. Por exemplo: no primeiro, cujo título em português é Jantar às Oito, os personagens referem-se frequentemente à “janta” — que um amigo diz que é coisa de gaúcho; outro diz que é coisa de pobre. No segundo, Grant e outro personagem voltam de uma noitada e ficam em torno do fogão, preparando um café. Ao que um pergunta ao outro: “Quer uma taça?”. Ninguém, a não ser gaúcho, se refere a xícara de café como “taça”.

Não bastassem esses escorregões regionalistas, as legendas contêm erros crassos de português, como crases fora de lugar, uso indevido do verbo haver (ou ausência do verbo), concordâncias sofríveis etc. e tal. Uma tragédia vernacular, agravada pelo baixo “estilo” gauchesco dos tradutores.

Atualização, em 18-11-2009, às 20h30 — Uma leitora nascida no Alegrete me corrige e diz que nunca ouviu falar em “taça” como referência a xícara de café em sua terra. Mas, ela me desculpe, sempre que vou a Porto Alegre tenho que ouvir um argumento contrário ao meu pedido no balcão das lanchonetes (que eles chamam de lancherias). Peço uma “média com leite”. O atendente me olha desconfiado e irritado e diz: “Uma taça, né?”. E já ouvi amigos gaúchos que moram em Florianópolis pedindo “uma taça” na lanchonete da rodoviária Rita Maria. Como os nossos atendentes manezinhos estão acostumados com tantos gaúchos em Florianópolis não há nenhuma manifestação de estranheza.

To Sir With Love, um filme, uma música

Poucos filmes têm a capacidade de me emocionar quanto Ao Mestre Com Carinho (To Sir With Love, 1967), obra-prima de James Clavell, estrelada pelo magnífico ator Sidney Poitier. É daqueles filmes marcantes, históricos, inesquecíveis, que assisti hoje de novo, numa sessão do TCM (pena que a versão exibida era dublada).

Outras obras cinematográficas posteriores tentaram repetir a fórmula – em síntese, o professor que é designado para lecionar a uma turma problemática, com sérios desvios comportamentais. Mas, honestamente, nenhuma teve a capacidade de fazê-lo com tanta propriedade, beleza e emoção quanto To Sir With Love. Sociedade dos Poetas Mortos (Carpe Diem) também é bom, mas não tem como comparar; embora grandioso e bonito, é de outra época e não tem o mesmo impacto. Além do que, o personagem de Robin Williams soa anárquico, descontraído, modernete, enquanto o professor de Sidney Poitier tinha a sobriedade como marca.

Pra quem nunca viu, recomendo Ao Mestre Com Carinho, que continua sendo uma grande lição humana, de ética, comportamento e educação. Não só pelo filme, mas também pela emocionante música interpretada por Lulu que marcou a infância e adolescência de tanta gente, inclusive a minha. (No vídeo acima, Lulu aparece interpretando a música-tema em diversos momentos, inclusive numa apresentação mais recente).

30 anos da Novembrada (1)

Novembrada-blog

Nos 30 anos da Novembrada – a se completarem no dia 30 de novembro deste ano – uma imagem (making of) do filme rodado pelo cineasta Eduardo Paredes a respeito do fantástico episódio político ocorrido em Florianópolis. “Novembrada”, o filme, é de 1998 e ganhou dois Kikitos no Festival de Gramado. [A foto é minha, de uma série de 20 e tantas imagens que registrei].

A boa arte cinematográfica na rede

 cinearth

Descobri, li, gostei e recomendo o blog do CineARTH, um belo projeto relacionado ao bom cinema, explicado pelos próprios autores:

O CineARTH — Cinema, Artes e Humanidades — além de um Cineclube, é também um Projeto de Extensão vinculado à Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), que visa criar um espaço para debates que envolvam o cinema, as artes e as ciências humanas, bem como criar um cultura cinéfila que contemple não só o mundo acadêmico, mas que envolva toda a comunidade.