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O público da nossa maior festa

 

A manchete do DC de hoje (“Carnaval traz 40 mil turistas a Florianópolis”) confirma que o reinado de Momo é nossa maior festa. Não chega perto da Oktoberfest, cujo número de visitantes é multiplicado no mínimo por dez, mas é preciso levar em conta que o Carnaval são só quatro dias, enquanto a festa alemã se estende por três semanas.
Ouvi no rádio outro dia — era um dirigente de escola de samba — que Florianópolis é o terceiro Carnaval do Brasil. O primeiro seria o do Rio de Janeiro, o segundo, São Paulo.
Desde menino que ouço essa história de sermos o terceiro. Me lembro inclusive de uma reportagem da revista O Cruzeiro, que rolou durante muito tempo na casa dos meus pais, que dizia exatamente isso — a capital catarinense sendo a terceira melhor de folia. Mas, sinceramente, diante de Salvador, Olinda e Recife, dá para acreditar que nós estejamos mesmo nessa classificação? E quais os critérios para definir nossa honrosa posição?
Ainda acredito que o bom do nosso Carnaval é o que acontece pelas ruas, os blocos de sujos, os encontros de amigos, a concentração das bonecas na área do antigo bar Roma. As escolas de samba constituem um espetáculo à parte e se baseiam numa grande força comunitária. Já viram o pessoal do Morro da Caixa descendo para os ensaios da Copa Lord? Quem não viu não sabe o que é invasão do samba no Centro. Falo da Copa porque cresci torcendo pela escola e tenho permanentemente na cabeça o lendário samba “Quem vem lá / de amarelo vermelho e branco / levantando a poeira do chão? / É o Copa Lord do Morro da Caixa…”
Mas, enfim, terceiro lugar no Brasil ou não, o nosso Carnaval é bonito e merece ser curtido pelos 40 mil turistas estimados na manchete do DC.

Liberdade para os ambulantes no Carnaval

 

Os ambulantes cadastrados protestaram e a prefeitura de Florianópolis se tocou: ninguém será obrigado a vender exclusivamente cerveja da marca Sol no Carnaval de rua. Os vendedores podem vender as marcas que quiserem, como manda o bom senso e a liberdade de mercado. A restrição é no sambódromo. Mas neste caso a prefeitura está certa: lá é uma festa fechada (as pessoas entram mediante o pagamento de ingresso). Se há um contrato de patrocínio, está perfeito, não há o que discutir. É o mesmo caso da Marejada, da Oktoberfest e da Fenaostra.

O tardio Enterro da Tristeza

 

Acabo de vir do Enterro da Tristeza. Nunca passou tão tarde pela Avenida Hercílio Luz (21 horas). Sou do tempo em que o Enterro da Tristeza era uma espécie de happy-hour do Carnaval, começava às 17 horas, passava em frente ao Ponto Chic e seguia pelo calçadão. Virou trio elétrico, onde o que menos tem é Carnaval — vai do sertanejo a Xuxa e Balão Mágico, passando pelo inevitável “Eu era um bêbado…. vivia drogado…”.

Quanto aos ambulantes: nenhum deles vendia cerveja Sol. Só tinha Skol, para felicidade de todos os foliões que aguardavam o bloco SOS desde as 18 horas no passeio central da Hercílio Luz.

Destaque-se ainda a segurança da festa. Viaturas da Polícia Militar garantiram tranquilidade para as pessoas que acompanharam a passagem do Enterro.

Bonita festa. Mas muito atrasada. Não houve quem não reclamasse.

 

Atualização às 8h40, 20 de fevereiro — Pelo que observei, e também pelo que dizem os leitores (em comentários e e-mails), o Enterro da Tristeza acabou. Tornou-se uma festa sem autenticidade, sem aquele nosso estilo, para se transformar num evento midiático. Pena.