Novo Largo da Alfândega recupera um cenário de Desterro em linguagem contemporânea

5O Largo da Alfândega Prefeito Dakir Polidoro volta a ser um imenso espaço aberto à convivência e à contemplação dos moradores de Florianópolis e turistas. Sua requalificação urbana demorou, mas está quase pronta para o uso da população. Demorou porque o Largo era parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas, incluído em 2014, ainda durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). O prefeito da época, Cesar Souza Júnior (PSD), não teve força política para viabilizar os recursos necessários para a obra, desenvolvida de forma paralela à recuperação do prédio da Alfândega, esta de responsabilidade do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional). A revitalização da edificação deve ficar pronta até maio deste ano. Credite-se ao prefeito atual, Gean Loureiro (sem partido, mas eleito pelo PMDB em 2016), o mérito de ter conseguido garantir as verbas federais previstas, além de ter empregado recursos próprios para a realização os trabalhos. No total, a obra consumiu cerca de R$ 9,5 milhões, dos quais R$ 2,2 milhões da prefeitura).

7Mas o mérito não é só político-administrativo. Há que se destacar o papel da equipe técnica, com o professor Cesar Floriano dos Santos (UFSC) à frente, arquitetos e urbanistas do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) e do IPHAN, além do envolvimento direto da Secretaria de Infraestrutura da prefeitura. Foi – e continua sendo – um trabalho de profissionais gabaritados, que se empenharam durante mais de um ano para apresentar um resultado surpreendente e encantador. Quem esteve lá no sábado (8) pôde perceber que pouca coisa lembra o antigo Largo, feio e degradado. Tudo é novo, mas novo sem ser brega ou excessivo. A população é convidada a reocupar a praça que se formou no lugar do antigo cais, o ponto em que as embarcações chegavam para o despacho aduaneiro no porto central. A Alfândega foi inaugurada em 1876, quando a cidade ainda se chamava Desterro, e encerrou suas atividades em 1964, em razão da desativação do porto de Florianópolis. O prédio foi tombado depois (década de 1970) como patrimônio histórico e artístico do município, do Estado e do país.

2O Largo não passou por uma simples reforma física, mas por uma requalificação de fato, com intervenções artísticas e urbanísticas que fazem referência à cultura local: um exemplo é a cobertura de metal do deque principal, próximo à Praça Fernando Machado, uma homenagem às rendeiras da Ilha, representando uma imensa toalha de renda – tramoia – que acolhe os frequentadores. O efeito artístico é impressionante, em especial quando o sol projeta o desenho da renda no piso de madeira: a tramoia se transforma num tapete de sombras.

10Diferentes interferências utilizam a água como elemento visual para lembrar que ali, um dia, havia o mar, furiosamente afastado para bem longe quando o governo do Estado implantou o Aterro da Baía Sul. Aliás, o novo layout do Largo, nesse pedaço roubado ao mar, não deixa de ser uma homenagem ao paisagista Burle Marx, autor do projeto de urbanização do aterro, ignorado pelas autoridades do Estado e do município ao longo de mais de 40 anos. Visualizando o que a equipe de arquitetos e urbanistas realizou no Largo a gente da cidade não se cansa de admirar e até comentar entre amigos: como seria maravilhoso o aterro se o projeto de Burle Marx não tivesse sido rasgado pelo poder público.

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Roda de rendeiras presente à reinauguração do Largo, no sábado

Dakir Polidoro

A família Polidoro esteve presente no sábado à festa de reinaguração do Largo, que desde 2004 tem o nome de Largo da Alfândega Prefeito Dakir Polidoro, em referência ao jornalista, radialista e vereador que governou a cidade interinamente, em 1964. Dakir (1927-2002) tornou-se célebre por seu programa A Hora do Despertador, um dos mais populares da história do rádio catarinense.

O filho do homenageado, também jornalista e radialista Polidoro Júnior, informou na noite de sábado que a placa informativa, retirada durante a reforma, será recolocada pela prefeitura no local após o Carnaval.

 

Um comentário sobre “Novo Largo da Alfândega recupera um cenário de Desterro em linguagem contemporânea

  1. Meu querido Carlos Damião . Você faz história, poesia e justiça. Que belo texto compartilhei para que mais pessoas conheçam Carlos Damião faz jornalismo com paixão e ética.

    Grande abraço

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