O justo reconhecimento a Raimundo Colombo pela recuperação da ponte

2Não convidar o ex-governador Raimundo Colombo para a reinauguração da Ponte Hercílio Luz é um ato mesquinho, mas completamente ajustado à “nova política” que emergiu das urnas na onda do bolsonarismo, em 2018. A política que se pretende nova na verdade reedita as práticas da Velha República (1889-1930), do coronelismo baseado na vingança, no rancor e no ódio. Algo que se conheceu também a partir da redemocratização de 1946 – a histórica rivalidade entre UDN e PSD construída a partir de movimentos que visavam a aniquilar os “inimigos”, de um ou de outro lado, conforme quem estivesse no poder. [Na foto acima, Colombo em visita de vistoria às obras, em 24 de janeiro de 2017].

Não convidar Colombo para a festa deste dia 30 de dezembro é um ato de descortesia que não tem qualquer justificativa, a não ser pela ideia de “apagá-lo” da memória da ponte, como faziam os stalinistas com seus inimigos internos na União Soviética. Colombo deveria estar presente e, não só isso, deveria merecer homenagens e aplausos. Foi em sua gestão que a reforma da ponte ganhou fôlego e se concretizou. O governador teve a coragem de romper o contrato existente desde o governo de Luiz Henrique com a empresa Espaço Aberto. Sem condições técnicas de continuar as obras, mais enrolando (e faturando) do que trabalhando, a Espaço Aberto foi dispensada por determinação de Colombo.

1Em 10 de março de 2016, quando assinou o contrato (foto acima, ele é o terceiro) com a gigante portuguesa Teixeira Duarte, o governador enfatizou que sabia dos riscos que aquele ato poderia representar, mas se cercou de todas as garantias jurídicas e técnicas para contratar a empresa estrangeira sem licitação. “Ou fazemos deste jeito ou não vamos conseguir recuperar a Ponte Hercílio Luz”, disse a este colunista naquela data, logo após a solenidade realizada no Centro Administrativo do Governo do Estado.

O resultado visível é a ponte recuperada e pronta para devolução à sua finalidade, nesta segunda-feira histórica, 30 de dezembro de 2019.

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Explicando o andamento das obras a jornalistas, em 24 de janeiro de 2017 – Foto Carlos Damião

Idas e vindas

Desde que assumiu seu primeiro mandato como governador, em 2011, Raimundo Colombo tinha a preocupação (quase obsessão) de garantir a qualidade da travessia rodoviária Ilha-Continente, comprometida pela saturação das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos e pela impossibilidade de se utilizar a Hercílio Luz naquela época. Não faltaram interessados em apresentar projetos para construção de uma quarta ponte ou mesmo de um túnel. Mas Colombo, sempre ouvindo sua equipe técnica, optou por concluir a reforma da Hercílio Luz, que começou no fim do segundo governo de Esperidião Amin. No ano 2000, Amin conseguiu viabilizar recursos do governo federal para pagamento do projeto de restauração, que deveria ser licitado e contratado nos anos seguintes. Já no governo de Luiz Henrique da Silveira foram realizadas duas obras fundamentais: as reformas dos viadutos da Ilha e do Continente (lembrando que a ponte é composta por três corpos: os dois viadutos e a ponte em si – chamada de vão central).

Luiz Henrique queria concluir a reforma de ponte ainda durante seu governo (ficou até 2010), mas o governo escolheu a empresa errada para cumprir sua determinação, justamente a Espaço Aberto, que não tinha a menor condição de tocar uma obra tão pesada quanto complexa.

Raimundo Colombo “herdou” a Espaço Aberto e, desde o início de seu governo, sabia que a empresa não tinha capacidade técnica para cumprir o desafio. Mas o novo governador mantinha uma relação muito próxima com Luiz Henrique, porque este viabilizou sua eleição (em primeiro turno), em 2010.

Aqui é opinião do colunista, baseada em observações de bastidores: Colombo tinha um sentimento de lealdade em relação a LHS, que trabalhou intensamente nos dois pleitos vitoriosos que disputou (2010 e 2014). Depois da morte de Luiz Henrique, em 2015, Colombo conseguiu se livrar da Espaço Aberto de forma definitiva. Em 2016, contratou a Teixeira Duarte, que deu à ponte a capacidade técnica e o ritmo adequado. Chegamos a 30 de dezembro de 2019 com a ponte pronta graças a essa iniciativa de março de 2016.

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Colombo (esquerda) durante a delicada operação de “levantamento” do vão central, em 11 de fevereiro de 2017

O governador Colombo acompanhou de perto todo o processo da reforma, participando de reuniões técnicas e vistoriando diretamente o andamento dos trabalhos.

Para que não restassem dúvidas quanto ao acerto de sua decisão, Colombo cercou-se de representantes do Ministério Público Estadual, da Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), do Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina (Senge), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), da Federação Nacional de Engenheiros (FNE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um comitê com a participação desses representantes atuou no dia a dia da reforma desde que a Teixeira Duarte assumiu a obra, em 2016. Também acompanharam os trabalhos representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), da Prefeitura de Florianópolis, da Defesa Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

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Comitê de acompanhamento das obras, em visita realizada em 12 de julho de 2018

Nas redes sociais, Colombo divulgou que seu governo foi responsável por 80% das obras de recuperação do monumento histórico mais importante de Santa Catarina. Os atuais governantes contestam a informação, atribuindo ao governador Carlos Moisés a responsabilidade por 30% das obras. Mas quem acompanhou de perto os trabalhos realizados entre 2000 e 2019, sabe que não é bem assim. Sem a coragem de Colombo, não teríamos a ponte pronta neste fim de ano.

2 comentários sobre “O justo reconhecimento a Raimundo Colombo pela recuperação da ponte

  1. Perfeito Carlos Damião. Esse governo que caiu de paraquedas em SC segue o que tem de mais asqueroso em política.

  2. Prezado Damião
    Tendo também acompanhado todas as tratativas de gestão da reconstrução da ponte, concordo em gênero, número e grau quanto as suas observações.
    O ex-governador Raimundo Colombo foi o grande ausente. Sem ele está realidade não teria sido construída. Uma pena que o atual Governador Carlos Moises não tenha valorizado quem viabilizou os 80% da obra.

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