Quintal ou pátio?

“Anda logo, guri, vai limpar o pátio!”. A frase, de uso comum em algumas regiões de Santa Catarina – sobretudo as mais próximas ao Rio Grande do Sul –, soa estranha em Florianópolis. Outro dia, um leitor indignou-se com a expressão “pátio” substituindo “quintal”, tão nossa, numa reportagem do jornal. Atribuiu o uso à provável origem do jornalista que escreveu a matéria. Desconheço o Estado de nascença do repórter. Mas aquilo me intrigou: até que ponto podemos admitir que jornais locais substituam expressões locais pelas equivalentes de outros Estados? Pátio, para nós florianopolitanos, refere-se ao terreno lajeado de uma escola, de uma repartição pública ou de um quartel. Nunca ao quintal caseiro, especificamente.

Em termos, é a mesma questão do “Ilha de Florianópolis”, usado comumente pelos jornalistas da RBS quando se referem à Ilha de Santa Catarina. Um deles, certa vez, discutiu comigo: “Ora, se Florianópolis está na Ilha de Santa Catarina, por que a ilha não pode ser chamada de ‘Ilha de Florianópolis’?”. Calei-me. Mas fiquei com vontade de dizer: “Pela mesma razão que, trabalhando em Porto Alegre, eu não teria o direito, por exemplo, de referir-me à capital gáucha como Porto do Guaíba, Porto dos Casais ou Porto Rio-grandense”.

* * *

Ah, sim, a ordem contida na frase com que iniciei este texto era dada com relativa frequência por minha mãe, quando eu era rapaz pequeno. E compreensível: ela nasceu no Planalto Serrano, onde viveu até os 23 anos de idade, e trouxe de lá um pouco da cultura gaúcha. Para uma parcela dos serranos, o quintal era (ou é) o pátio da casa. Podendo ser também, no caso da morada de minha avó, o pomar da casa.

4 responses to this post.

  1. Gosto mais do meu quintal pois pátio me reporta sempre a escola o que não tem nada haver com morada…

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  2. Posted by Maria José on 06/02/2012 at 19:34

    Eu sempre estive no quintal… Pátio e coisa de gaúcho … Sem ofensa…. Êh igual a lingüiça no churrasco e o tal salsichão …..

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  3. Na minha família nos referimos ao quintal como “rua”. “- Norma! Vai chuvê! A roupa tá rua!”, gritava minha mãe, assim como minha vó. Causa-me profunda estranheza cada vez que leio pipa em lugar de pandorga. O que podemos fazer? Escrever uma crônica como esta. Quanto à “Ilha de Florianópolis”, não se trata de manter ou não a tradição. É um erro, pois Florianópolis não se resume à Ilha.

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  4. E a Ilha de Santa Catarina é apenas uma entre as dezenas no território marítimo de Florianópolis…

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