Longe do mundo virtual

Encontrei durante a semana um amigo, com quem precisava trocar ideias profissionais. Combinamos um contato telefônico. Ele me deu o número fixo. “E o celular?”. Ele não tem. Foi o segundo jornalista desconectado que descobri nos últimos tempos. E esse também não tem e-mail. Usa o da secretária. Perguntei a razão, se era fobia, coisa e tal. “Não, é que não gosto mesmo”. Cada doido com a sua mania.

* * *

Aliás, esse mesmo amigo ainda usa máquina de escrever, que fica ao lado do computador. E não se trata de uma coisa incomum. Estive numa cooperativa, semana passada, onde há três reluzentes máquinas IBM de utilização corriqueira. As secretárias utilizam os obsoletos equipamentos para preencher formulários. Na verdade, achei bonito e me deu saudade dos tempos em que trabalhava com a minha IBM, trocando esferas para tornar os textos esteticamente perfeitos.

* * *

Em muitas pequenas cidades da Grande Florianópolis não há sinal de celular. Há uns tempos, estive numa delas. Perguntei ao prefeito: “Como é que vocês se comunicam?”. E ele: “Usamos o telefone fixo”. Simples assim. “E se a pessoa não está, como fazem?”. Resposta: “A gente deixa recado, a pessoa retorna. Sempre foi assim”.

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13 responses to this post.

  1. Nessa questão, muitas vezes me pego pensando sobre como as pessoas que viveram antes desses tempos de tecnologia se sentem hoje com celulares, emails e tudo mais. Naquela época era tudo mais devagar, hoje a agilidade chega a incomodar. Vejo amigos meus que trocam celular a cada mes, não vivem sem. Imagino como não seria a vida deles nos anos 70, tendo que esperar o retorno. Querem saber onde voce está, porque nao ligou, por onde andou, a que horas vai chegar. A pressa de hoje faz mal. Pressa no transito, pressa no trabalho, pressa em casa. Pressa de viver.

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  2. Uai, tem gente que nao precisa de celular, que ainda está adaptada à boa velocidade cotidiana de há uns poucos tempos atrás. Fiquei quase 6 anos morando em Florianópolis sem celular, até ganhar um no começo de setembro, e só porque as tarifas do celular compensavam (e pra conversar com imprensa, que faz questão de te encontrar onde tu estiver…). Provavelmente tb vou usar o celular pra usufruir do sistema de aluguel de bikes e mandar um ou outro torpedo, mas…
    se eu receber alguma ligação no meio da aula pedindo para eu ir a algum lugar, o q fazer? Eu não sairia da aula, exceto casos de emergência, aos quais, por sinal, no meu caso se refereririam a uma cidade a 700km de distância. Então, haveria tempo para chegar em casa e conferir e-mails ou receber um telefonema confortável no tel. fixo. Nós é que criamos a necessidade de lidar com urgências que não existem na maioria das vezes.
    Quando meus horários eram mais certos, sempre dizia para me ligarem entre às 23h e às 7h, que fora desse horário eu não prometia atender por não estar em casa. Hoje, com a constante alternância de horários, e poucas atividades fixas, um celular me pode ser útil, mas principalmente como agenda e despertador, liberando as datas das atividades de minha mente. Tanto que continuo com… o fixo.

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  3. Posted by Sérgio Luiz da Silva on 19/12/2010 at 9:58

    Tempos modernos para alguns!!! Celulares, internet e outras “tecnologias” ainda são desconhecidos por bilhões de pessoas no planeta. Aliás, comida também. Em quase todo o mundo são serviços prestados por empresas privadas. E a lógica no mundo dos negócios é…retorno sobre os inve$timento$!
    Por outro lado, um telefone fixo e uma secretária eletrônica quebram um galho danado.
    Em salas de aula ou noutros locais em que o uso não se faz adequado, meu aparelhinho funciona como secretária eletrônica: recados e registros de chamadas recebidas. Retorno apenas quando é possível.
    Quando ministro aulas o recado inicial é acerca das regras de uso dos infernais aparelhos. Mesmo assim…parece que o “caminhão do gás” está por perto. Os toques são mais que criativos. O uso de tecnologias requer alguma etiqueta, suponho. Muitos não aprenderam.

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  4. Posted by PAULO STODIECK on 21/12/2010 at 8:35

    Damião, se tecnologia fosse indicativo de conhecimento, Gutenberg, Galileo, Da Vinci e inúmeros outros não teriam se destacado. Quero ver é apontar, no século 23, por exemplo, quem foi gênio no século 21 (a não ser que surja alguém que invente um freio ABS para parar o tempo). A tecnologia da comunicação, para ficar dentro do tema, serve apenas para facilitar o acesso às notícias e permitir a remessa de votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo sem precisar enfrentar a fila do correio. Ademais, 95% das informações são inúteis. Abraço – Paulo

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  5. Posted by Adriano Flor on 22/12/2010 at 8:31

    Agora são dois os postos de combustiveis que se utilizam da uma via da Mauro Ramos para que seus clientes aguardem a vez para ser atendido. E o que é pior, hj por voltas das 8 da manha uma viatura da policia estava a menos de 20 mts de um deles e nada fazia.

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  6. Posted by rogerio on 22/12/2010 at 13:40

    Só uma observação sobre comentário feito acima e citado abaixo:
    “se tecnologia fosse indicativo de conhecimento, Gutenberg, Galileo, Da Vinci e inúmeros outros não teriam se destacado”
    Gutenberg (imprimiu o primeiro livro em prensa – a Bíblia. Acabou com o emprego daqueles que copiavam livros à mão e ajudou a popularizar a palavra escrita)
    Galileo (desenvolveu leis da física que serviram de base para ínúmeros avanços tecnológicos)
    Da Vinci (anatomista, denhista de projetos militares…)

    os três destacaram-se justamente por desenvolverem conhecimento aplicado (tecnologia), que está longe de ser apenas telas touch screen e teclados luminosos.
    Fato é que os avanços tecnológicos na maior parte dos casos são positivos. O uso que se dá a alguns deles é que pode ser equivocado

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  7. Meu caro Damião, esses comentários sempre negativos sobre tecnologia me parecem coisa de neoludita. É pra fazer charme de ranzinza. Eu entendo, porque às vezes faço a mesma coisa, quando perguntam porque não estou no twitter.
    Para o senso comum, “tecnologia” é só esses apetrechos modernos que a gente tem hoje. Pois ela existe desde que o primeiro primata utilizou algo como ferramenta. Ela é o resultado do nosso desenvolvimento intelectual e social. Há exageros? Claro, como em tudo.
    Perdoe-me pelo pedantismo, mas, como diz o velho Aristóteles, a virtude está no meio. Eu não fico em fila pra comprar o mais recente gadget da Apple ou coisa parecida. Não tenho smart phone, nem telefone fixo em casa. A gente só tem celular aqui em Vancouver. Pra quê telefone fixo?? E vou dizer: uso o celular bem pouco, sempre dentro dos valores do plano. Mas ele dá segurança de poder se comunicar com a família a qualquer momento. Paranóia? Pode ser.
    Tenho laptop, celular simplérrimo, blog. Em contrapartida, não estou no Facebook, nem no Orkut, Flickr… Nem me fale de Second Life. Não consigo manejar nem a minha real life, imagina uma segunda.
    Agora, se o teu amigo aí é jornalista também, então está ferrado. Hoje em dia, se quiser trabalhar, jornalista precisa saber muito mais do que escrever. Coisas de mídia digital, como photoshop, edição de vídeo, um pouco de html, só pra começar.
    Não adianta dar murro em ponta de faca. Cada um faz o que quiser (ou não faz), mas depois não reclame que o “mercado” isso e aquilo.
    A gente faz as nossas escolhas. Que elas sejam as melhores para você e para os seus leitores assíduos.
    Feliz Natal e um excelente 2011.

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  8. “tecnologia” SÃO só esses apetrechos modernos que a gente tem hoje.

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  9. Posted by doctor on 25/12/2010 at 15:01

    Meu caro, gostaria que você comentasse em sua coluna, um episódio lamentável que ocorreu comigo. Dia 24 de dezembro de 2010 fui a missa vespertina na Igreja Católica do Kobrasol, em seguida levei meu filho de 2 anos para brincar no parque na praça que fica na frente da igreja. Para minha surpresa, havia um maconheiro fumando tranquilamente à menos de 20 metros do parquinho. Gostaria que fosse dado um recado via sua coluna para as autoridades patrulharem aquela área.

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  10. Ainda existem muitas pessoas que resistem as novas ideias, novos costumes e consequentemente as novas tecnologias.

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  11. Posted by Bárbara Nunes on 14/02/2011 at 12:12

    Gostaria que nos ajudasse a divulgar o descaso da prefeitura da Palhoça, na Praia da Pinheira. A bela praia está enfrentando problemas de saúde pública, há esgoto por todos os lados. O que não dá para entender é que os políticos estão gastando em show na beira da praia, para ganhar votos. Como disse uma amiga que tem casa na tal praia “Que falta de vergonha na cara e de visão pois não conseguem enxergar que as pessoas não querem mais isto, basta ver o público que compareceu ao dito ‘espetáculo’ “. Pois é, e show político do dia 12/02/11 começou as 15h e foi até às 00h30 com som alto “para ninguém”, pois os moradores e veranistas se quer passaram por perto do palco, ironicamente, montado de frente ao esgoto a céu aberto.
    (Tenho fotos do “evento”)

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  12. Graças a internet fiquei sabendo do show de hoje a noite em comemoraçao aos 285 anos da nossa cidade. Quero agradecer publicamente a prefeitura de Floripa e o grupo Angelone por este presente que nós, manezinhos e visitantes, ganhamos neste dia tao especial. O Maestro Joao Carlos Martins mostrou que apesar da sua limitaçao fisica, ainda toca piano e emociona com sua presença e brilhantismo. Chorei, ri, sonhei… valeu a pena.

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