Ano da imobilidade total: 2011

Ano da imobilidade total: 2011

“Segundo especialistas, há dois fatores que explicam a frota (de automóveis) ser tão grande: primeiro, a má qualidade do transporte público. Segundo, as vantagens oferecidas pelo governo federal para a compra do carro zero”.

O que está entre aspas, leitores, não tem nada a ver com Florianópolis. Certo? Certo e errado. O texto é do jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem publicada ontem. Refere-se a São Paulo, que deve chegar à imobilidade total em 2011, com 7 milhões de automóveis circulando por suas vias.

Errado, claro, porque, guardadas as devidas proporções, Florianópolis vive situação semelhante. O próximo ano será o do nosso colapso urbano completo. E ninguém vai fazer nada para evitar o caos?

Feriados

Com a suspensão do feriado de amanhã também em São José, parece claro o entendimento do Judiciário de que é necessário disciplinar a criação indiscriminada dessas folgas, num país que já é pródigo nesse campo. Repito: estamos fechando 2010 com 11 dias de paralisia completa, fora os dias emendados.

Peso turístico

A composição do Conselho Municipal de Turismo, empossado na terça-feira, é multidisciplinar: reúne representantes das áreas de infraestrutura, comércio, marinas, restaurantes, hotéis, eventos, educação especializada, patrimônio histórico e cultural, meio ambiente, serviços públicos, esportes, transporte coletivo. Ou seja, o futuro do turismo na Capital depende do planejamento a ser deliberado pelo Conselho.

Enigma

A maioria das pessoas, muito menos este colunista, não sabe bem o que significa esse recado enigmático escrito em faixas de pedestres pela cidade. A imagem foi registrada por um leitor, na esquina das ruas Arno Hoeschl e Almirante Lamego.

Lamento

Em mensagem direta à coluna, Bernardo Torres lamenta a desistência de Eike Batista quanto ao estaleiro: “Adeus Instituto Técnico Naval e milhões de empregos e reais em investimentos no Estado”.

Temor

Comerciantes da região da Praça Esteves Júnior, no Centro da Capital, estão apavorados com a notícia de que o tráfego será interrompido até 20 de dezembro para obras no sistema de drenagem da água da chuva. Os comerciantes acham a obra importante, mas temem prejuízos justamente na época de mais movimento no comércio. Um grupo pede a suspensão das obras e a retomada apenas no início de janeiro.

Foco

Uma das questões polêmicas que envolvem a Zona Azul nas praias é relativa à segurança dos motoristas e dos automóveis. Perguntado sobre o caso no Papo de Redação (Guarujá), o prefeito Dário Berger deu a entender que segurança não é problema da prefeitura. Mas é certo, também, que quem cobra estacionamento tem que garantir a integridade do veículo. Já há jurisprudência sobre o assunto, inclusive em Santa Catarina.

Sem prumo

Chovem e-mails, mensagens pelo celular, recados telefônicos malcriados, entre outras formas de comunicação, destinadas aos vereadores de Florianópolis. Há quase um consenso na cidade de repúdio ao projeto da prefeitura que pretende implantar a Zona Azul nos balneários. Alguns parlamentares, em especial da base governista, estão sem prumo: não sabem o que fazer.

Intenções

Muita gente até concorda com a cobrança de Zona Azul, porque disciplina a questão dos estacionamentos públicos, evitando privilégios e a ação dos execráveis flanelinhas. Mas o valor estipulado pelo poder público extrapola o limite do razoável – R$ 3 a hora, mesmo sendo em praias, não é um preço muito digestivo. Acaba apontando segundas intenções.

Omissos

O prefeito Dário Berger destacou, reservadamente, para a equipe do Papo de Redação, que muitos empresários de Florianópolis não estão preocupados em contribuir para o desenvolvimento social ou cultural da cidade. Mas fez questão de destacar, por exemplo, a contribuição do grupo WOA (Koerich), que recentemente investiu R$ 600 mil na revitalização da Praça Celso Ramos.

Comenda

Diretor presidente do Grupo RIC-Record e do Notícias do Dia, empresário Mário José Gonzaga Petrelli, receberá na segunda-feira a Comenda do Legislativo Catarinense. Quem propôs a honraria foi o deputado Manoel Motta (PMDB). Outras 39 comendas serão entregues a empresários, entidades sociais, empresas, professores, religiosos, instituições educacionais e esportivas.

Vida

“Automóveis são meios de transporte, e não meios de vaidade ou de competição. A vida vale muito mais do que qualquer carro do ano”. Frase divulgada pela Polícia Rodoviária Federal-SC, em seu twitter.

Transparência

Cópias de todos os procedimentos da Secretaria de Turismo para realização das festas de fim de ano foram encaminhados na quarta-feira para o Tribunal de Contas, um dia depois que o novo secretário, Homero Gomes, assumiu a pasta. A ideia é garantir a transparência total do processo.

Filme francês

Quem gosta de um bom filme francês tem no Paradigma uma ótima dica para hoje e amanhã – o “Enfim, Viúva”, dirigido por Isabelle Mergault, com Michèle Laroque e Jacques Gamblin. Sessões às 17h, 19h15 e 21h30.

Ambulantes

Secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, engenheiro José Carlos Rauen, revelou ontem, no Papo de Redação (Guarujá) que a prefeitura não está apenas combatendo o comércio de ambulantes nas ruas. Está desarticulando a rede criminosa que abastece os vendedores ilegais.

Chato nem tanto

O chato do chifre, que circula com um megafone pelo centro de Florianópolis, não é nosso mal maior, segundo o leitor José Motta Pires Filho. Ele concorda que Carlos Alberto é um porre, mas também acha que ele é uma figura folclórica da cidade – e de Balneário Camboriú, onde o chifrudo aterrissa todos os verões.

Ciclofaixa errada

Heloise Amin acrescenta mais elementos à discussão sobre a ciclofaixa da Rua Bocaiúva. “Um elenco de coisas erradas”, diz ela, “porque a obra nivelou a rua com a calçada, eliminando o meio fio, ou seja, perdemos a proteção dos pedestres. Além do que, quando chove é impossível caminhar sem ganhar um ‘banho’, temos que ter duas sombrinhas uma na horizontal e outra na vertical”.

A curva

Ainda sobre o heliponto na Avenida Beira-mar, Osvaldo Peixoto pede uma explicação do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) quanto ao acesso de ambulâncias e outros carros de socorro ou resgate. O leitor considera a logística complicada, uma vez que o heliponto está situado numa curva acentuada.

Gastronomia

Até o final deste ano, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) receberá o dossiê preparado pelo grupo gestor do projeto Florianópolis Cidade da Gastronomia, ligado à Associação FloripAmanhã. Objetivo é incluir a capital catarinense na Rede Mundial de Cidades Criativas na categoria Gastronomia.

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8 responses to this post.

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Carlos Damiao, Carlos Damiao. Carlos Damiao said: Especialistas preveem: 2011 será o ano da imobilidade total. (Tks, @adauri, pela dica, ontem). Na coluna – http://bit.ly/din4G5 […]

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  2. Posted by PAULO STODIECK on 19/11/2010 at 7:04

    Se a imobilidade em Florianópolis vai ser ampla, geral e irrestrita, sugiro que os técnicos do IPUF já comecem a estudar a implantação da Zona Azul sobre as pontes Pedro Ivo e Colombo Salles…

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  3. […] 2011 19/11/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  4. […] 19/11/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  5. […] 19/11/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  6. Posted by Sérgio Luiz da Silva on 19/11/2010 at 10:16

    Damião, novamente receba minhas congratulações pelo enfoque nas questões da cidade. Aqui segue uma série de pitacos.

    A imobilidade é apenas um dos sintomas da incompetência dos “gestores” municipais (tratando-se da Capital). O desestímulo ao uso do transporte público é notório. Tomemos por exemplo a questão do pagamento das passagens (sem entrar no mérito do valor das passagens). Como proceder para adquirir um cartão com os créditos para facilitar a vida de cobradores e usuários? A forma atual é humilhante. Logo pagamos em dinheiro o valor superior (tarifa única?). Recém voltei de viagem ao exterior (Itália). Cidades de 80.000 habitantes ou de milhão: compra-se cartões para o transporte público em banca de revistas. Aqui…tecnologia sobra para facilitar esta parte do processo. Em direção as praias no norte existe um parque tecnológico com uma série de especialistas que desenvolveriam soluções diversas numa tarde de sexta. Outro aspecto: dirija-se para uma das paradas e tente descobrir quais linhas passam naquele lugar; qual o itinerário que percorrem e quais horários são programados… Mofas!

    Prezado, falta boa vontade para lidar com alguns problemas que exigem soluções simples e baratas (talvez aqui resida o problema maior, compreende?). Estas duas pequenas situações ilustram o “modelo mental” dos gestores de plantão. Metro de superfície? Carros voadores e anfíbios? Teletransporte? Talvez essas ideias estejam na mesa do Alcaide. Logo, logo, alguem virá de Curitiba e solenemente apresentará novas propostas. Novos factóides explodiram naquela esquina próxima da Catedral…

    O Paulo Stodieck, com humor peculiar, faz uma observação pertinente. Meu medo é que isso piore um pouco mais e os proprietários de veículos passem a pagar IPTU! Zona Azul nas praias é um tema controverso e divertido. Factóide?

    No entanto, quando tratamos de congestionamentos e outras situações do genero nas diversas vias da região central, surge uma questão: por que estacionamento nas dois lados (Zona Azul em ambos, óbvio)? A sanha arrecadadora é prioritária em detrimento da mobilidade – simplesmente. Trafegamos num funil. Na minha opinião deveríamos criar na região central zonas vermelhas (epa! nada parecido com o que existe na bela Amsterdam – mesmo porque o nosso estilo puritano permite apenas que os anúncios sejam realizados no calçadão com “fly”). Áreas proibidas para estacionamentos em qualquer horário. Tenente Silveira, Deodoro, Osmar Cunha, etc. e tal. Area central apenas para transporte público; emergência; segurança pública. Carga e descarga e os monstrengos de transporte de valores (outra vergonha): disciplinados por horários.

    Ciclofaixas na Ilha? Isso não foi levado para um Forum Mundial como exemplo de solução adotada para mobilidade? Estacionamento descarado para veículos na Bocaiuva, sem qualquer tipo de admoestação. Aliás naquela região do Shopping estacionamento em locais proibidos é uma festa. Caminhões de carga e descarga para lojas do shopping na Altamiro fazem o diabo. Final de tarde e noite, todo mundo nos botecos com seus bólidos na porta. Placas de parada e estacionamento proibidos ali estão, mas… Aliás um passarinho soprou que…deixa prá lá!

    Conselho de Turismo para “pensar” o turismo ou chorar no final de cada temporada? Hummmm. Pago para ver isso funcionar com tantos interesses difusos.

    O Sr. Rauen poderia fazer a gentileza de pegar os fiscais e dar uma geral nas lojas da região central com aquelas caixas de som nas portas com volume nas alturas; com mercadorias nas ruas (camas, geladeiras, máquinas de lavar, …). Pago um café para a equipe no sábado pela manhã – ali no Bob´s! Estarei com um lenço vermelho na lapela!

    Estaleiro do Eike: convenhamos, a área em questão nem poderia ser objeto do projeto. As implicações para a região eram nótorias e dispensaria gastos com EIA/RIMA. Aliás tudo parecia um sonho megalomaníaco de alguém, sabemos quem. A fosfateira é outra novela…

    Por falar em praças e relação entre o público e o privado, a Lauro Muller, junto ao Majestic é uma vergonha. Não demora muito e será transformada em estacionamento do Hotel. Por outro lado, a explicação para a localização do heliporto merece entrar nos anais do Stanislaw Ponte Preta.

    Para finalizar, se segurança não é problema da prefeitura, encerre-se as atividades da desnecessária Guarda Municipal.

    Era o que tinha para pitacar, S.M.J.

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  7. Posted by Marcelo on 20/11/2010 at 19:51

    Damião,

    Acho que o prefeito tem problema com números.
    Dizer que a WOA investiu R$ 600 mil na revitalização da praça é debochar (mais uma vez) do povo.
    Parabéns à empresa, mas seu investimento não chegou nem perto da cifra do alcaide.

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  8. Caro Damião,

    “Cuidado, monstros atrasados“ nada mais é uma menção aos carros e seus motoristas mal educados em nossa Capital. Infelizmente sofremos da saturação além da péssima mobilidade urbana. Quem fica na fila fica aborrecido, e falta com o respeito com os pedestres. É como andar pra trás. Vamos a pé ou de bike, e cuidado com os monstros. Te mando imagens das próximas, gostei do blog. Abraço !

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