Coluna de terça (16/11)

A história da nossa imobilidade

Querem ver como a questão da mobilidade urbana não é nova em Florianópolis? E como isso, historicamente, sempre envolveu a ineficiência do poder público? O que está entre aspas, a seguir, são trechos do livro “Santa Catarina – A Terra – O Homem e a Economia”, do falecido professor Paulo Fernando Lago, publicado em 1968. Confiram:

1 – “A circulação cotidiana já começa a sofrer os impactos da expansão urbana, sobretudo porque se tornam difíceis as adequações das avenidas de contorno e o acesso à ilha depende de uma única via, a ponte, até hoje em permanente obra de conserto e complementação”.

2 – “A gravidade do problema é mais do que comodamente se pensa, pois as soluções de conserto, visando ao asfaltamento do passadiço, são parciais e impressionantemente morosas. Florianópolis já possui e sente o impacto do ‘engarrafamento’, e tem limitadas (ou sonhadoras) esperanças de atenuá-lo, pois a parcial solução da ponte terá, em contrapartida, o impetuoso aumento da circulação”.

* * * *

Esse trecho do livro do respeitado mestre urbanista, repito, foi publicado há 42 anos. E o que melhorou na cidade, desde então, não foi suficiente para resolver nossos mais graves problemas.

Expectativa

Apesar de todos os problemas – mobilidade urbana, aeroporto deficiente, ausência de transporte marítimo, precariedade viária –, Florianópolis prepara-se para uma temporada grandiosa, com praias e hotéis lotados. Na previsão da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), segundo seu presidente João Eduardo do Amaral Moritz, a rede hoteleira local deve ter um incremento de 10% a 15% no número de reservas para o período de dezembro a março.

Novo avançado na Beira-mar não foi explicado para a população

A “barriga” polêmica

Uma reportagem, em janeiro deste ano, descreveu com detalhes o que seria feito na Avenida Beira-mar. A matéria informava, por exemplo, que o heliponto seria na “barriga” central da via, que, de fato, foi alargada para essa finalidade. Mas, para surpresa geral, surgiu uma quarta “barriga” na avenida, nas imediações do hotel Majestic.

Questionamento

“Erro de cálculo? Erro de logística no projeto? Bom senso, para afastar as vítimas dos salvamentos por helicópteros do efeito colateral do mau cheiro? Poupar a Ivete Sangalo do trânsito caótico?

Seja lá o que for, a construtora não construiu uma ‘barriga’ a mais de graça. Mas imaginamos quem vai encher a pança e pra quem o problema vai ser empurrado com a barriga”, assinala o leitor Paulo Carreirão.

Orfandade

Não deixe de ler a série Passagem, que o Notícias do Dia está publicando desde o último fim de semana. Trata-se da mais importante discussão sobre Florianópolis nos últimos anos, centrada numa questão fundamental: nossa orfandade administrativa.

Retroescavadeiras

A velocidade da destruição é fantástica em Florianópolis. Casas térreas e pequenos prédios antigos vão sendo demolidos em ritmo espantoso, geralmente nas horas frias dos fins de semana, quando os vizinhos ainda estão dormindo ou foram passear. A demolição mais recente ocorreu na esquina da Avenida Gama D’Eça com a Rua Presidente Coutinho.

Faça o que eu digo…

Em Santa Catarina, histórias de pescadores se transformam em caso de polícia. Falsos pescadores, é melhor que se diga, que se aproveitavam do seguro-desemprego específico da categoria para faturar uns trocados mensais. Um motorista de táxi, ouvido por uma emissora de TV, disse que entrou na ciranda da roubalheira porque outras pessoas alheias à pesca também se beneficiavam. O golpe está estimado em R$ 500 milhões.

Feriado

Leitor que se assina Spesso não gostou do que disse o vereador Márcio de Souza (PT), em nota publicada aqui, ontem, sobre o feriado deste sábado, Dia da Consciência Negra. “Por que não mandam esse vereador fazer manifestação na frente de hotéis também? É comércio e está aberto em todos os feriados. Manda ele vir aqui no hotel onde eu trabalho, manda”.

Consciência

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis emitiu nota em que se declara favorável ao Dia da Consciência Negra, “iniciativa bem vinda e com aspectos positivos à sociedade”, mas questiona a necessidade da data ser um feriado, por tratar-se de “um desestímulo ao setor produtivo e ao comércio”, porque nesta semana o setor só funcionará de terça (hoje) a sexta.

* * *

“O 13 de maio, que comemora o Dia da Abolição da Escravatura, é lembrado todos os anos mesmo sem ser um feriado. Apoiamos a causa, mas os empreendedores e colaboradores do varejo também dependem dos dias úteis”, finaliza a CDL.

Obrigação

De um leitor que é especializado no assunto, sobre nota publicada nesta coluna: “A Câmara de Florianópolis até pode aprovar o projeto de lei do vereador Aurélio Valente, para preservar o patrimônio histórico, mas isso já é uma obrigação constitucional, conforme artigos 23 e 30, que tratam da competência para proteção de documentos, bens de valor histórico, artístico e cultural. “Leis, ora direis…”, assinala o leitor.

Amadorismo

Uma família florianopolitana recebeu parentes no feriadão. Foram todos jantar num restaurante da moda, na Avenida Beira-mar Norte. O atendimento totalmente atrapalhado provocou a indignação dos clientes – e de outros, que se retiraram do estabelecimento. “Ficamos a imaginar como será o atendimento dessa casa na temporada de verão, com tantos turistas em Florianópolis”, reflete um deles.

Amanhã é outro dia

Do impagável colunista Beto Stodieck, registrado no livro “É Tudo Mentira”, organizado por Bea Porto e Fernanda Lago:

“Se hoje estamos bebendo um porre de democracia – não esqueçam que amanhã podemos ter uma ressaca de porcaria…” (O Estado, 16 de novembro de 1989).

Fazer o bem

O Recanto Silvestre, em Biguaçu, a Associação Vida Nueva e o Recanto Paz e Bem, em Palhoça, a Casa de Cáritas, em São José, e o Grupo de Dança Topp Dance, da Rua Monsenhor Topp, na Capital, além de dezenas de famílias necessitadas da Grande Florianópolis, foram os beneficiados com as mais de três toneladas de comida e leite angariadas com a venda de ingressos para a 9ª Mostra de Dança Infantil A Noite é uma Criança.

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O evento ocorreu no Teatro Governador Pedro Ivo, no final de outubro, com a participação de 102 academias, companhias, escolas e grupos de dança inscritos de 18 municípios catarinenses e também um convidado do Rio de Janeiro.

Desmanches

Essas oficinas que desmancham automóveis não deveriam funcionar sob fiscalização constante? Pelo que se vê, os chamados “desmanches” são descobertos em operações pontuais da polícia, não há um trabalho permanente de acompanhamento do que esses estabelecimentos fazem. E o interessante é que a maioria mantém atividades visíveis, abertas, ou seja, são firmas constituídas.

Atraso

“O Correio daqui é um inferno. Às vezes o vizinho do edifício entrega correspondências que foram entregues erroneamente. É como se o Correio estivesse em greve definitivamente. Eu só gostaria de um esclarecimento”. Do leitor Édio Silva, que mora na Rua Frei Caneca, Agronômica.

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5 responses to this post.

  1. […] 16/11/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  2. […] Norte 16/11/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  3. Posted by Osvaldo Peixoto on 16/11/2010 at 7:23

    BARRIGA POLEMICA: Não está dificil saber quem vai se beneficiar da dita barriga da beira mar. Resta saber como os hóspedes serão resgatados alí na curva, vão parar sobre a pista mesmo ou vão fazer um recuo ? Dizem que dinheiro não traz saúde nem felicidade, mas compra remédio e faz a gente rir.

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  4. Posted by Carlos on 16/11/2010 at 7:39

    A atitude do vereador Marcio de Souza em relação ao recem criado feriado do dia 20 mostra bem o tipo de legisladores que temos por aqui. Criam leis sem se preocupar se atendem ao ordenamento jurídico do país. A criação de feriados deve atender os limites da lei federal 9.093/1995, e o vereador deveria saber que os municípios só podem ter 4 feriados, de caráter religioso. E o judiciário ajuda na bagunça, ao não julgar em definitivo esse assunto. Quando a Câmara do Rio de Janeiro criou esse feriado, o governo do estado foi até o STF contra ela, mas os ministros arquivaram o processo, sem julgamento do mérito, dando o caso por encerrado apenas por uma questão formal. E 23 de março, data magna de Florianópolis? Também é “ilegal”. Mas, efetivamente, quem se importa com isso? Nesta república bananeira, temos a figura do “proibido, mas tolerado”. E assim vamos.

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  5. Posted by Spesso on 17/11/2010 at 5:43

    Sobre os Correios: o que dizer de um carteiro que larga as cartas na grade de um estabelecimento comercial que fica aberto o dia todo? Falta de consideração e noção das suas funções é pouco para descrever essa situação absurda.

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