Coluna de hoje – sexta (29/10)

Mudar capital é factóide

Florianópolis tornou-se capital do Estado no século 18, porque a concentração populacional estava localizada justamente no litoral e a Ilha de Santa Catarina era o centro geográfico da província. 

O factóide que aparece de tempos em tempos, de alguns desocupados querendo deslocar a capital do Estado para o interior, não é novo e sempre foi amplamente repudiado. No final do século 19, o então governador Hercílio Luz conseguiu vencer um movimento político que pretendia implantar a capital na região central de Santa Catarina. Aliás, a reação de Luz foi fundamental para que ele decidisse pela construção de uma ponte ligando Ilha e Continente – a Ponte da Independência, que depois ganhou seu nome.

Iniciativas

Na década de 1970, o então prefeito de Joinville, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), também propôs a transferência da capital para outra região, como se isso resolvesse os problemas de Santa Catarina. Tempos depois, foi o deputado estadual Onofre Agostini (DEM) que pretendeu o mesmo, tendo sua ideia derrotada na Assembleia Legislativa.

Lucidez

“Mudar a capital para outro lugar tem custo incompatível com a escala de prioridades do Estado de Santa Catarina. Se o problema é o inchaço da Ilha – e realmente ela já não suporta mais qualquer tipo de obra – que se faça, então, da Grande Florianópolis a capital de SC. Seria, inclusive, uma forma de turbinar as pequenas cidades que formam a Grande Florianópolis, transformando-as em locais dignos de seus habitantes”. Do sempre lúcido Paulo Stodieck.

Omissão

Do vereador Édio Vieira (PSDB), de São José, em seu Twitter, ontem: “Sinto que nos últimos tempos nossas comunidades estão apáticas. Onde andam as associações e conselhos comunitários? Cadê nossos lideres?”. É verdade, vereador, quanta gente se omite. Por isso nossas cidades vão sendo tomadas por invasores, especuladores, aventureiros e oportunistas!

Música e alegria

Tem muita gente indignada com a Polícia Militar, porque esta não vem cumprindo sua função constitucional de proteger a população. Mas a PM tem um outro lado que o público admira e aplaude: sua Banda de Música. Parte dela apresentou um belíssimo concerto ontem, ao meio-dia, na frente da Secretaria da Educação, em comemoração ao Dia do Servidor Público. Os músicos encantaram a plateia que se formou na Rua João Pinto com clássicos de jazz e música brasileira.

Sinalizada

A Amaro Antônio Vieira, via doméstica do Itacorubi que é rodovia só no papel, está sinalizada em alguns trechos, com placas de proibido estacionar. A novidade foi comemorada por moradores que vinham fazendo pressão há anos pela medida. O trânsito da rodovia fluiu bem melhor durante o primeiro dia de vigência da proibição, mas em alguns trechos as dificuldades de mobilidade persistiram porque alguns motoristas insistiram em desrespeitar a sinalização.

Competência

A dúvida agora no bairro é quem vai fiscalizar as infrações. Por estar registrada como rodovia, a Guarda Municipal e a PM habitualmente recusam-se a atender ocorrências na via, alegando que a competência é da Polícia Rodoviária Estadual. Mas de onde vem a ideia de que aquilo é uma rodovia?

Alto custo

Ainda a propósito da demolição do Edifício Mussi, o presidente do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) Átila Rocha, a prefeitura não pode arcar com o ônus de restaurar prédios tombados, “porque o custo em geral é de milhões de reais. A responsabilidade pela recuperação e manutenção é do proprietário”.

Segredo – Constatação indiscutível: assaltos a ônibus acontecem maciçamente nas linhas intermunicipais da Grande Florianópolis que não utilizam bilhetagem eletrônica. Número de abordagens às linhas da Capital, que usam o Passe Rápido, é insignificante.

Árvore – Jorge Luiz Goerck pergunta se teremos uma bela árvore de Natal na cidade este ano. “Não precisa ser tão grande como a do ano passado, mas seria bom ter uma”, diz.

Significado – Tem razão o leitor: não importa o tamanho da árvore, mas o seu significado.

Turismo – Uma das bandeiras da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis é a ampliação do número de voos na Capital. Desenvolvimento do comércio e turismo depende diretamente disso. O problema é o aeroporto, que continua muito humilde. Sem falar na infraestrutura viária.

Ossos – Advogado Renato Boabaid lembra que há décadas já se falava em descoberta de ossos no subsolo da Catedral Metropolitana. Ele não vê nenhuma novidade no assunto e não entende por que tanto alarde em torno da questão.

Impunidade – Tomando como gancho a demolição do Edifício Mussi, na Capital, João Martim Marques pergunta: “E o casarão demolido em São José, deu no quê?”. Em nada, como sempre, meu caro João.

Cobrança – Não param de chegar relatos sobre assaltos à luz do dia em vias públicas de Florianópolis e São José. E a pergunta que um leitor faz sintetiza a indignação geral: “Onde está a polícia? Onde foi parar a valentia dos oficiais e soldados da PM?”.

Asfalto – Todos sabemos, e esta coluna bateu firme no assunto durante meses, que o asfalto da Avenida Beira-mar estava em petição de miséria. Agora que as obras de recuperação começaram sobram queixas contra a iniciativa da prefeitura. Vai entender.

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3 responses to this post.

  1. Posted by Maurício Oliveira on 29/10/2010 at 7:22

    Caro Damião, tudo bem? Rapaz, eu acho que o debate de ideias é sempre saudável. Por isso fiquei um pouco incomodado quando você usou o termo “desocupados” para classificar quem propõe a mudança da capital. Nem sei de onde a discussão nasceu desta vez, mas o simples fato de ser recorrente já demonstra que não é assim tão irrelevante. Em 1994, participei do movimento Cem Anos de Humilhação, para lembrar as origens do nome Florianópolis (junto como Eloy Gallotti, Antônio de Freitas Moura, Eduardo Paredes, entre tantos outros) e a primeira coisa que usavam para desqualificar a discussão era dizer que éramos “desocupados”. Como quase tudo na vida, vejo vantagens e desvantagens em mudar a capital de lugar. No final das contas sou contra, mas o debate poderia ter o efeito positivo de mobilizar a população e o poder público na busca de soluções para os problemas de Florianópolis, assim como o nosso movimento pela troca do nome da cidade contribuiu à época para que a população conhecesse melhor a história da cidade. Abração! Maurício Oliveira

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  2. Posted by Carlos on 29/10/2010 at 9:50

    Eu concordo que tenhamos decoração natalina, o que me incomoda é o fato de que a prefeitura tem sempre que colocar esse trambolhos em cima da ciclovia da avenida Beiramar, como se não tivesse mais nenhum lugar pra fazer a montagem.

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  3. Posted by Rogério Machado on 31/10/2010 at 19:45

    Sobre o item “Lucidez”. O custo de uma transferência de capital para o interior, na região serrana. Li alguma coisa dizendo que teria um custo de 3 bilhões para esta mudança. O pessoal acha muito? O que acham de aumentar a dívida do estado em 3 bilhões para beneficiar uns títulos podres da época do Paulo Afonso que o Bradesco possui em sua carteira? Para isto ninguém fala nada. Também não sou a favor da mudança da capital, usei este exemplo apenas para ilustrar o caso das Letras da época do Paulo Afonso e seus custos para a população catarinense.

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