Coluna do fim de semana

SOS Canasvieiras

Canasvieiras foi, durante décadas, a principal referência turística do Norte da Ilha de Santa Catarina. Famílias da cidade tinham lá suas casas de veraneio, para onde rumavam no início de dezembro, voltando para o Centro apenas depois do Carnaval.

Símbolo de status e de elegância ao longo de mais da metade do século 20, despertou a atenção de turistas estrangeiros, em especial os argentinos, por conta de sua beleza e de suas águas calmas.

O balneário transformou-se numa das referências obrigatórias do turismo catarinense – competindo diretamente com Balneário Camboriú – e, por conta disso, acabou vítima da especulação, da ganância e da incompetência oficial. Sofre hoje com inúmeros problemas, como a poluição, a crescente favelização e a deterioração da qualidade de vida. [A imagem é um cartão postal do início da década de 1980, quando Canasvieiras ainda era um charme só].

Descaso

Para defender Canasvieiras, um grupo de moradores fundou o movimento SOS Canasvieiras, nascido “da insatisfação e preocupação de um grande número de moradores e proprietários de imóveis em relação ao descaso das autoridades com o bairro, onde a qualidade de vida está ameaçada”.

Audiência

Canasvieiras deixou de ser mera e charmosa estação de veraneio para se transformar em bairro residencial. Mas, ainda assim, e por causa disso, precisa de atenção e melhorias urgentes. No dia 8 de novembro, os moradores vão se reunir com o Ministério Público Estadual para tratar dos problemas relacionados com a estação de tratamento de esgoto e a consequente poluição do mar.

Rendeiras

A FCFFC (Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes), junto com representantes do Ministério da Cultura, promove nesta terça-feira uma excursão a Gaspar. Cerca de 45 pessoas envolvidas no projeto de valorização das rendeiras, inclusive as próprias, vão conhecer a fábrica das Linhas Círculo, empresa que desenvolve estudos para industrialização de linhas específicas para confecção de rendas.

Lotéricas

Osvaldo Peixoto (Vadeco) propõe uma discussão sobre o papel das agências lotéricas, que hoje realizam mais serviços bancários do que propriamente a sua atividade-fim. Segundo Osvaldo, é preciso rediscutir, do ponto de vista legal, o funcionamento desses estabelecimentos comerciais. E ele acha que os lotéricos são os menos culpados por essa situação irregular.

Conto

É impressionante como a boataria influencia as pessoas mais simples. Um motorista de táxi, nativo, me fez um relato fantasioso sobre a vida de um dos candidatos a presidente, tentando me convencer que a história era verdadeira. Perguntei-lhe sobre a origem daquelas bobagens. “Cada cliente foi me contando um pedaço da história”, disse-me. Lembrei de imediato do dito popular: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”.

Marretas

A última semana de outubro será marcada, na Ilha de Santa Catarina, por uma forte atuação da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Floram). O superintendente Gerson Basso, que tem carta branca do prefeito Dário Berger, anuncia uma sequência de demolições de trapiches, cercas e outras benfeitorias construídas sem autorização ambiental, em áreas de preservação permanente.

Foco errado

Por razões que ninguém explica direito, o IPUF insiste em apertar o cerco aos clientes e funcionários do Iguatemi que estacionam na rua em frente ao shopping. De acordo com a nova sinalização instalada no local, a partir de agora é proibido até mesmo desembarcar passageiros. Detalhes: a via tem largura de quatro pistas, nunca fica congestionada e, do ponto de vista da população em geral, não liga nada a coisa nenhuma. Serve apenas de acesso ao empreendimento.

* * *

Enquanto a Guarda Municipal multa diariamente no shopping, a grande maioria dos gargalos do nosso trânsito permanece sem fiscalização.

Sugestão – Do leitor Lucas Gonçalves: “Sobre as obras no Saco dos Limões, lembro que ainda existe o canteiro da Odebrecht desde a inauguração do túnel, saindo do túnel em direção ao Sul, à direita. Daria uma bela creche”.

Exagero – Outro leitor, que não se identifica, diz que é um exagero o estabelecimento do limite de 100 quilômetros horários na Via Expressa da BR-282, uma vez que aquele trecho não tem característica de rodovia, mas sim de avenida urbana.

Música na praça – Importante iniciativa da FCFFC (Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes) neste sábado, a partir das 10h: Música na Praça. O grupo Gente da Terra ocupa o coreto para assinalar que, enfim, a praça está voltando a ser da cidade e de seus cidadãos.

Ciência e cultura – Colégio Catarinense, com 105 anos de serviços prestados à educação em Santa Catarina, promove nos dias 27 e 28 deste mês a Feira Cultural e Científica, com trabalhos realizados pelos alunos.

Iniciativa – O Fórum Social, que pretende encontrar soluções para a legião de moradores de rua que toma conta de Florianópolis, terá participação de organizações não-governamentais e representantes da prefeitura.

Office boy – Do indispensável Paulo Stodieck: “Florianópolis não tem Plano Diretor de Transporte e nem de qualquer outra coisa. Quando muito, um Plano Office Boy…, com todo respeito que merece o pessoal que executa essa função”.

Pedido – Jorge Oliveira pediu, e a coluna, que é obediente, publica o apelo: “Não mencione novamente que os pedestres encontram dificuldades para atravessar rodovia no Itacorubi, pois o vice-prefeito poderá mandar fechá-la, como fez com a Paulo Fontes sem que ninguém revogue essa medida absurda”.

Um começo – A coluna critica, mas também reconhece o que é positivo: na terça e quarta-feira será realizado na Capital o Fórum Social Pró Política de Atendimento à População em Situação de Rua. Já é um caminho para melhorar a vida dos andarilhos miseráveis.

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3 responses to this post.

  1. Posted by Paulo Sérgio Miguel on 23/10/2010 at 17:54

    Quero saber quando o Gerson Basso vai demolir uma casa no continente que é totalmente ilegal, construída dentro do mar? Premio para quem descobrir o dono?

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  2. Nesta tarde de domingo, quatro crianças brincavam de “tropa de elite” na minha rua. Fiquei observando da sacada. Todos os garotos tinham as suas “armas de madeira” em punho. O objetivo era matar o “inimigo”. Pelo que entendi, eram três “bandidos” e um “policial”. O policial morreu na brincadeira. Os garotos devem ter pouco mais de dez anos e já refletem muito bem a nossa realidade (mesmo sem ter consciência disso). Triste, não?

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  3. […] 24/10/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, 23 e […]

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