Ponto Final – 11 de outubro

Mobilidade: chega de palpiteiros

A questão da mobilidade continua em pauta e um colaborador da coluna volta a fazer considerações importantes. Confira:

“Mobilidade é assunto tão sério que não pode ser tratado por palpiteiros, por mais bem intencionados que sejam. Transporte marítimo não acontece por ‘vontade política’ mas sim quando tem viabilidade técnica e econômica, caso contrário o JetBus que foi inaugurado com pompa e circunstância em Joinville teria sido um sucesso, mas ele foi parar em Paranaguá…

Se fosse viável, por que no Rio não há transporte marítimo entre o Centro, Copacabana e Barra da Tijuca, por exemplo?

Em Curitiba, a mobilidade é estudada há mais de 40 anos, e mesmo assim, está se tornando impossível transitar nas horas de pico, especialmente quando chove, coisa muito comum lá! Os corredores de ônibus não tiveram o ‘upgrade’ para metrô de superfície como planejado, por falta de viabilidade econômica, pois as passagens teriam que ter preços ‘europeus'”…

Corredores

Para encerrar, diz o colaborador da coluna, que é profissional do ramo: “O atual prefeito (cadê?) se elegeu explorando o tema da mobilidade, mas, em seis anos, além de fechar terminais, nada fez para mudar e o vice usa o tema para aparecer na mídia, mas até seus corredores de ônibus sumiram…”.

Protesto cultural

No registro do jornalista Celso Martins, um dos belos momentos da manifestação promovida sábado, em Jurerê, contra a instalação do estaleiro da OSX na baía Norte (Biguaçu). O ato reuniu representantes comunitários e militantes das causas ambientais e contou com apresentações culturais, como o pau–de–fita. Objetivo dos organizadores: manter viva a resistência ao empreendimento, até que seja divulgado o parecer ambiental definitivo.

Cidade sem lei

Observação registrada no twitter: “Tem coisa que não se entende em Florianópolis. Qualquer um pode botar cone no meio da rua? Como uma praça em reforma obriga as pessoas a andarem pela rua?”. Pois é, isso acontece na Praça Celso Ramos, Agronômica, e também na Praça Pereira Oliveira, Centro.

* * *

E, quanto aos cones, é verdade: qualquer um interrompe o trânsito – e a passagem de pedestres – ou reserva estacionamento de acordo com sua vontade particular. A causa é simples: ninguém exige o cumprimento das leis em Florianópolis.

Revitalização

Foi muito bacana a promoção da Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis, com apoio da prefeitura, no sábado, fechando uma parte da Praça 15 de Novembro para estimular a circulação de consumidores pela área da Rua João Pinto e Terminal Cidade de Florianópolis. Até a banda de música do Exército apareceu. Clima de alto astral, como há muito não se via naquela região, com atrações para adultos e crianças.

Trânsito

A violência no trânsito na Grande Florianópolis, de quinta-feira até ontem, foi de causar espanto. Pelo menos três tragédias comoveram a cidade – as mortes de um jovem jornalista, de uma jovem servidora pública e de três pessoas, num acidente na SC–401 que só pode ser explicado pelo excesso de velocidade do veículo. Contradição: de um lado, discutimos os problemas de mobilidade urbana; de outro, pessoas se matam por conta da imprudência. 

Marginais úteis

Observador da realidade local acrescenta, sobre a “marginal” da Avenida Beira-mar: a via deveria fazer a ligação desde seu início, nas proximidades da Ponte Hercílio Luz, até o campo da gruta (Trindade), bastando para isso a abertura em alguns poucos pontos, passando a ser corredor de ônibus e trânsito local (entrada e saída). “É fácil perceber os benefícios desta intervenção, que me parecem tão óbvios. É inexplicável por que não o fazem”, diz.

Inviabilidade – Palavra de um profissional da engenharia: o transporte marítimo não emplaca porque a iniciativa privada não vê chance de retorno financeiro em médio prazo. Como as atividades de iniciativa privada visam ao lucro, deduz-se, logo, que o transporte marítimo é bom negócio apenas para o poder público.

Plataformas – O plano da OSX é construir 44 das 48 unidades necessárias à exploração de petróleo no estaleiro que a empresa pretende instalar em Santa Catarina ou no Rio de Janeiro, locais onde tem licenciamento ambiental em andamento.

Regional – Depoimento de uma servidora do Hospital Regional de São José sobre a crise no estabelecimento de saúde: “A questão é a falta de infraestrutura na saúde dos municípios, que faz com que o doente vá ao hospital resolver o seu problema com maior rapidez. Precisamos de clínicos gerais, pediatras e ginecologistas nos postos”.

Tem mais – A servidora acrescenta: “Precisamos de laboratórios com agendamento para exames em tempo suficiente para diagnosticar problemas de saúde, o que não ocorre atualmente”.

Estradas – A questão da mobilidade não é exclusiva das cidades. As estradas também sentem o peso de tantos veículos em circulação. E o transporte coletivo sofre as consequências: no sábado, alguns ônibus chegavam a atrasar mais de uma hora. Na 101 duplicada.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Sergio Luiz da Silva on 12/10/2010 at 13:37

    Damião, mobilidade é coisa séria. Transporte público, não importa o modal, deve ser tratado de forma séria. Para começar: a tarifa não pode ser um resultado da soma entre custos do sistema e lucro (quando o setor privado está envolvido diretamente). De um lado da equação pode-se adicionar alguns elementos. Adicionar não significa incrementar com algum tipo de penduricalho como “administração dos terminais e outras cositas”. Existe formas de não onerar em demasia os usuários. Por outro lado, transporte maritimo pode surgir de uma iniciativa política, sim. Trata-se de conceituar “iniciativa política” e de caracterizar o que significa viabilidade técnica e econômica. Considere, por exemplo, as deseconomias de escala decorrentes da “falta de iniciativa política” em termos de planejamento urbano. Quanto custa um deslocamento para um cidadão (!) entre a UFSC e Coqueiros no horário das 18h00min? Quanto custa para milhares? Nem precisa ir muito longe. Para deslocamentos de 7km na área urbana, quando possuo compromissos, reservo 1 hora para eventualidades. Quanto custa minha hora de trabalho? Bingo! A corrida de táxi? Duas ou tres horas num estacionamento privado na região central? Bingo! tempo nas filas? Bingo! Em algumas cidades do mundo o transporte público, com diferentes modais funciona e é caro. Perfeito! Muito mais caro é o deslocamento por transporte individual. Ponto final.
    Transporte público de qualidade é decisão política. A iniciativa privada não é muito chegada em determinadas avaliações, pois o escopo das ações que movimentam os negócios é outro. Sabemos qual.
    A CDL poderia iniciar uma outra campanha importante para a cidade: conscientizar comerciantes a abandonar a prática de barraquinhas de quermesse. Aquelas caixas de som nas portas, com volume na estratosfera é de doer. Produtos expostos em área pública, cadeia!
    São os pitacos do dia – que agora finda, na beira do lago Como. Ah, transporte público decente (onibus e barco!); parques públicos de fazer inveja; uma trilha para caminhada em volta do lago mais que decente e sem aquelas “construções sustentáveis” que conhecemos na Ilha.|

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  2. Posted by Fernando Silva on 14/10/2010 at 23:13

    No Rio, não há transporte marítimo entre o Centro, Copacabana e Barra da Tijuca. Mas há entre o Riocentro e Niterói! E entre Santos e Guarujá, sem falar do fluvial entre Itajaí e Navegantes.
    Claro, nem todas as linhas serão viáveis, mas será que com 300 mil pessoas de um lado (na Ilha) e 500 mil de outro (no continente) não existe uma linhazinha só que seja viável economicamente?

    Resposta

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