Ponto Final – 13 de setembro

Relatos do martírio

Chovem e-mails para a coluna sobre a gravidade do trânsito em Florianópolis. Segundo o leitor Fernando Silva, “não há como dizer que Florianópolis tem ‘mobilidade urbana’. A título de exemplo: do Córrego Grande ao Centro, para percorrer uma distância de menos 10 quilômetros, a linha de ônibus leva mais de uma hora nos horários de pico. O maior tempo se perde para atravessar a UFSC e na Rua Bocaiúva, nas imediações do Beiramar Shopping. E isso no ônibus executivo! Imaginem o tempo que se leva caso tenha de ser feita baldeação no TITRI”.

Sérgio Luiz da Silva é outro indignado. “No trajeto do centro ao Itacorubi, menos de 10 quilômetros, gastei quase uma hora na quinta-feira à noite. Tive o dissabor de passar pela Altamiro Guimarães. Uma encrenca sem tamanho até acessar a Beira-mar. Motivos: excesso de veículos nas ruas e as espertezas de praxe. Junto ao Shopping parte da pista é surrupiada para facilitar a saída do estacionamento do estabelecimento”.

Abusos

Finaliza o leitor Sérgio Luiz da Silva: “Nas áreas sinalizadas ‘Proibido Parar e Estacionar’, bólidos reluzentes estacionados. Os proprietários? Provavelmente num dos botecos da região para um happy hour! Polícia? Essa é uma outra história que possui relação com o meu primeiro comentário. Estamos correndo atrás do rabo faz horas…”. São dois dos relatos recebidos nos últimos dias; há outros, imensos.

Soluções 30%

Diante do que dizem os leitores que penam no trânsito de Florianópolis, cabe a pergunta: o que fizeram nossas autoridades nos últimos quatro ou cinco anos para melhorar as coisas? O elevado do Itacorubi, que é uma solução meia-sola, porque resolveu 30% do problema. Apenas. A Beira-mar Continental segue em obras e o elevado do trevo da Seta não vai solucionar o fluxo do trânsito rumo ao Sul da Ilha. O gargalo continuará (é outra solução 30%).

Equívoco

Querem outro exemplo de solução errada? A conversão dos ônibus que seguem para o Ticen, no meio do aterro, próxima ao Centro Sul. Foi uma invenção da atual administração, que piorou em muito a vida de quem ruma para o Continente: uma sinaleira no meio do caminho de quem sofre com a tranqueira. Outro dia fiquei parado quase 40 minutos – antes da sinaleira. Depois, o trânsito andou, devagar, mas andou.

O rabo

Exemplos não faltam. A cidade está parecida com aquela história do cachorro que tenta morder o próprio rabo, como disse o leitor Sérgio Luiz da Silva. Tudo se fecha em círculos. Você sai de uma tranqueira, entra em outra. Culpa de quem? Do poder público, que não resolve as questões locais porque simplesmente não segue o que foi planejado no passado para evitar nossas encrencas de mobilidade urbana.

Resposta

“Com relação à sua nota ‘Ausência’, esclareço que como secretário-adjunto respondo pela Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais da Capital, que cuida diretamente das questões do transporte público. Quanto à engenharia de tráfego, informo que o órgão da Prefeitura responsável é o IPUF – Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). A ações que envolvem o transporte público e a mobilidade urbana são implementadas por esta secretaria e o IPUF conjuntamente”. Juvencílio João de Souto, secretário-adjunto de Transportes, Mobilidade e Terminais de Florianópolis.

Consumidor

A Câmara de Florianópolis volta a ter sessões esta semana. Na de hoje, por exemplo, será discutido um requerimento do vereador Márcio de Souza (PT) para uma audiência pública sobre o atendimento da Unimed na capital. Há relatos de clientes do convênio que esperam até seis meses por uma consulta.

Segurança

Outro requerimento importante da Câmara de Florianópolis é de autoria do vereador Ricardo Vieira (PCdoB), solicitando patrulhamento policial nas ruas do Monte Verde e Cacupé. Claro que ele responde a uma reivindicação das comunidades, mas a gritaria por segurança pública é geral em toda a Grande Florianópolis.

Império da desordem

Dois flagrantes do último sábado: por conta de um evento evangélico, Florianópolis foi tomada por ambulantes, vindos de todas as partes, sem qualquer controle das autoridades. As imagens foram registradas por um leitor da coluna, que ficou impressionado com inúmeras falhas: uma delas, a completa falta de cuidados de higiene com alimentos. É o império da desordem, da falta de lei e de fiscalização. Onde? Ora, na Avenida Paulo Fontes “humanizada”, é claro.

Explicação – O piso do Centro Sul onde foi servido o jantar do 23º Congresso Nacional dos Corretores de Imóveis é bruto e feio porque a área utilizada é na verdade o pavilhão de exposições. O evento teve que ser naquele ambiente por causa da quantidade de participantes.

Cinema – Programa imperdível para esta terça-feira: o Cineclube BRDE exibe “Aquele que Sabe Viver”, de Dino Risi, com o inigualável ator Vittorio Gassman. Sessão a partir das 19h. O cineclube passa a exibir seus filmes quinzenalmente.

Incompetência – Mudaram a lei das cadeirinhas de novo. É a prova cabal de que nossas autoridades não têm a menor noção do que estão fazendo.

Assassinato – Além de Balneário Camboriú, também Itapema promoverá, com apoio da prefeitura, a sua Semana Farroupilha, evento que lembra a revolução gaúcha. Quando reagiremos e faremos uma Semana Barriga-Verde, para defender nossa cultura?

Geografia – Tem mais: um gaiato criou um perfil na internet com a seguinte localização pessoal – Florianópolis (RS). Disse tudo, não é mesmo?

Pressão – Autoridades municipais da região estão empenhadas, nos últimos dias, em “convencer” os ocupantes de cargos comissionados a trabalharem por seus candidatos, especialmente à Câmara Federal, Senado e Assembleia Legislativa. Há relatos sobre ameaças.

Anúncios

5 responses to this post.

  1. […] 13/09/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

    Resposta

  2. Posted by Aline on 13/09/2010 at 10:18

    Na semana passada (quarta-feira, retorno do feriadão), no trajeto Estreito-Itacorubi (15 Km), levei cerca de 40 minutos. Do Estreito até a ponte levei 20 minutos; para atravessar a ponte levei 10 minutos; e da ponte ao Itacorubi levei 10 minutos. Para atravessar a ponte levei o mesmo tempo de percorrer toda a beira mar. Não bastasse a quantidade de veículos transitando e o péssimo transporte público que temos, ainda somos obrigados a conviver com os motoristas sem educação, que furam filas, estacionam em locais proibidos (e ligam o pisca-alerta, como se com isso ficassem invisíveis), fazem conversões em locais inadequados, etc. E ainda temos que “tomar cuidado” com os motoqueiros (que sempre aparecem quando queremos trocar de pista). A falta de educação das pessoas só faz agravar o descaso de nossas autoridades com a “mobilidade urbana”.

    Resposta

  3. Posted by Aline on 13/09/2010 at 10:26

    Por falar em estacionar carros… sábado fui ao centro, no instituto, fazer uma prova. Deixei meu carro na rua lateral do colégio (zona azul até uma da tarde, se não me engano, depois está liberado). O flanelinha, quando desci do carro, falou que cobrava uma ENTRADINHA de CINCO REAIS. Quase tive um treco: “O que? CINCO REAIS? Mas a rua não é pública? E cinco reais está muito caro neh amigo! Vou te dar uma moedinha (por azar, saiu uma de R$ 1,00 da carteira); se você estiver aqui quando eu voltar, a gente conversa”. Jura que ele estava lá neh? Nem sombra, nem sinal do flanela. Até tentei ligar pra polícia antes de começar a prova, mas os telefones estavam ocupados. Tenho que dizer que morri de medo do malandro detonar meu carro. Mas ele estava intacto, sem arranhões (ufa!!!). É um absurdo termos que viver com isso. Se fosse um terreno particular, tudo bem. O cara cobra o quanto quer, o terreno é dele e ele explora como bem entender. Mas cobrar CINCO REAIS de ENTRADA para deixar meu carro na rua? E ter que ficar preocupado se o flanela não vai te roubar, ou estragar o teu carro, ou marcar a tua placa… Ninguém merece! E a tendência é piorar…

    Resposta

  4. Posted by Anthony Toini on 13/09/2010 at 16:13

    A solução para o trânsito na Grande Florianópolis é uma só: transporte coletivo! A nossa geografia não facilita, o Centro e o Continente são duas penínsulas que impedem a circulação que teria uma cidade sem acidentes geográficos no entorno dos locais mais movimentados. Vamos aperfeiçoar os terminais que foram construídos, usar o que já se tem e começar a “caça aos carros”… Rodízio, estacionamentos com preços exorbitantes, tudo isso vale, desde que o transporte coletivo seja alterado imediatamente!

    Resposta

  5. Posted by Tadeu on 13/09/2010 at 20:58

    Como catarinense me sinto envergonhado .
    Nos dias de oktoberfest, quando Balneario Camboriu esta cheia de turistas por conta da festa nao se ve sequer um bem-vindo da prefeitura aos folioes dessa que é uma festa nossa, faz parte da cultura do Vale do Itajai aonde esta inserida a cidade de Balneario Camboriu ; preferem enaltecer a semana farroupilha.

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: