Coluna de quarta (25 de agosto)

Mais cidadania humilhada

Recebi do leitor Fernando Silva a anotação a seguir, um nota distribuída pelo Colégio de Aplicação da UFSC: “Senhores pais/mães – Estamos passando por um momento de falta de professores, cuja contratação é impossibilitada pela lei eleitoral. A direção do CA está envidando todos os esforços para superar rapidamente esta situação, que sabemos, está presente em todas as universidades. Dos 16 Colégios de Aplicação, 14 estão com dificuldades de contratar professores substitutos”.

Observa Fernando Silva: “Estudei no CA em toda a minha vida escolar. Considero uma vergonha que uma instituição tenha de depender de professores substitutos para ensinar. Mais grave é que se trata de uma referência em Florianópolis, quando se trata de ensino público. Em que situação estariam, então, as escolas estaduais menos estruturadas? Deixar crianças e adolescentes sem aula por conta da véspera da eleição é exagerar na interpretação restritiva”.

Invasões

O registro é do leitor Fabiano Faga: “Alguém reparou que, olhando à direita na praia na sede do Parque Municipal da Lagoa do Peri, há postes fornecendo eletricidade a casas de alvenaria surgidas nos últimos três anos em meio à mata? Andando pela região, encontrei, além das casas, uma trilha toda alargada, presença de motoqueiros (não motociclistas), eletricidade e até cercas delimitando um futuro terreno em área onde não se poderia construir”.

Aldeia global

Os leitores Marcos Vinicius Rodrigues de Oliveira e Macson Ferreira protestam contra o uso da palavra aldeia, aqui, ontem. Lamento decepcioná-los, caros amigos: aldeia não tem nada a ver com tribo indígena. Aliás, aldeia é uma forma carinhosa e elegante com que os jornalistas, poetas e cronistas se referem a cidades charmosas, pequenas, agradáveis, como a nossa querida Santo Amaro da Imperatriz.

* * *

Para exemplificar, vou a Fernando Pessoa, maior poeta da língua portuguesa, que versejou, sob o heterônimo Alberto Caieiro:

“Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo…

Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…”

* * *

Lembrando que o gênio Marshal McLuhan escreveu na década de 1960 um livro que se tornou clássico e criou um conceito que é discutido até hoje – Aldeia Global –, referindo-se à revolução da comunicação, muito antes da internet.

Vistas grossas

Parte do passado de São José foi ao chão no último domingo. O casarão era tombado como patrimônio histórico do município desde 2005. Era um antigo entreposto comercial, dos tempos em que São José servia de importante base de apoio, no Continente, para a capital da Província, Desterro. A impressão dos moradores e dos defensores do patrimônio histórico é de que as autoridades fizeram vistas grossas para a demolição. E que, infelizmente, a moda pode pegar.

Zoológico

Sempre que a mídia aponta falta de segurança em Florianópolis a polícia aperta o cerco contra a secular invenção do Barão de Drumond, o jogo do bicho. Foi o que aconteceu ontem, de novo, depois que foram apresentadas reportagens sobre a falta de policiais nas ruas. A impressão que os aficionados têm é que a tradicional fezinha é a culpada pela violência.

O drama…

Profissionais de saúde definem como dramática a situação dos hospitais na Grande Florianópolis, por conta de graves problemas estruturais, acentuados com a paralisação dos médicos residentes. Para se ter ideia da demanda por serviços de saúde, a secretaria municipal de Florianópolis vai realizar o quarto concurso público para preenchimento de vagas de médicos no sistema.

… da saúde

Há seis anos, os postos de saúde de Florianópolis dispunham de 110 médicos, em cinco especialidades. Hoje são 303 médicos, com 89 especialidades, distribuídos pelas diversas unidades. Com a saída recente de oito profissionais – que deixaram o emprego por conta de outras oportunidades – a prefeitura está contratando médicos em esquema emergencial, para dar conta das necessidades da população.

Bom de samba

O manezinho Márcio de Souza – na foto com Cris Viana, Mirella Santos e Mônica Carvalho – é o coordenador do Grupo Floripa na Sapucaí, responsável pelas informações repassadas à Escola Acadêmicos do Grande Rio, para a homenagem que a agremiação fará à capital catarinense no carnaval de 2011. Márcio é mesmo bom de samba, com um histórico de quase três décadas dedicadas à folia em Florianópolis.

Ordinário – Um sujeito que rouba alimentos de uma creche merece o quê? Cadeia longa para ele, que agiu em São José, foi filmado e identificado.

Bacana – Pesquisa interna realizada pela Secretaria de Saúde de Florianópolis revela que 90% dos pacientes que passam pelas unidades de pronto atendimento saem satisfeitos com o atendimento.

Amarelinhos – Uma antiga reivindicação do vereador Aurélio Valente (PP) vai ser atendida pela prefeitura e pela empresa Insular: a partir de 2 de setembro a população do Ribeirão da Ilha passa a contar com os ônibus executivos (“Amarelinhos”), mais confortáveis e rápidos.

Nova favela – André Corrêa de Abreu chama a atenção das autoridades: região do Poção, no Córrego Grande, que é área de preservação permanente, está sendo transformada em favela. Pede providências que impeçam a permanência desses novos moradores, a maioria dos quais migrantes que vêm do interior de Santa Catarina e outros Estados.

Castigo – Humilhação moral a que foram submetidas três moradoras da cidade de Indaial, acusadas por uma joalheria de roubo de joias, valeu uma indenização de R$ 3 mil para cada uma delas. Decisão do Tribunal de Justiça.

Sorvete – O calor de ontem fez a festa dos vendedores de sorvetes. Houve congestionamento nas boas casas do ramo em toda a Grande Florianópolis.

Sem recesso – A Câmara de Florianópolis esclarece: não está em recesso. Segundo a direção da Casa, as 12 sessões mensais estão sendo realizadas normalmente, apenas com um calendário diferente, por conta da campanha eleitoral.

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6 responses to this post.

  1. Posted by Bernardo on 25/08/2010 at 8:04

    Carlos Damião, gostaria de usar o espaço para denunciar as invasões de terra existentes em Naufragados. O outrora virgem balneário do Sul da Ilha, recanto de trilheiros e amantes da nossa ilha, vem sendo invadido por posseiros, que montam ali seus restaurantes, sem as condições mínimas de higiene. Um já foi fechado por ordem judicial, mas outros tantos já criam suas casas e já tem até criação de galinha, cavalo e cães, que transmitem doença pela orla. Não perdoam nem esse paraíso intocado mais.

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  2. […] 25/08/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  3. Posted by Ferreira on 25/08/2010 at 11:08

    “……90% dos pacientes que passam pelas unidades de pronto atendimento saem satisfeitos com o atendimento….”é , e Papai Noel é de Florinópolis, né Damião?…Tá na hora de “pintar” esta chapa, coleguinha……

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  4. Posted by Aline on 25/08/2010 at 11:30

    Acabei de receber esse link e não acreditei no que vi.
    Propaganda eleitoral do Tiririca.

    “Você sabe o que faz um Deputado federal? Eu tb não sei. Vote em mim que eu te conto!”
    “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica!”

    Como é que esse país vai pra frente dessa forma?

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  5. Damião, cresci na Carvoeira e agora moro no Córrego. O que vejo acontecer no Poção é exatamente o mesmo processo que deu origem ao Alto do Caieira e à Serrinha, locais onde, quando criança, colhia frutas (goiabas, ameixas e amoras), fazia casa na árvore e tomava banho em riachos. Hoje, são apinhados humanos em áreas de risco, consolidados com o beneplácito das autoridades municipais.

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  6. Posted by Ricardo da Costa on 27/08/2010 at 21:00

    Damião, morei e trabalhei na Lagoa nos anos 80 e uma coisa que observei na época foi que, quando pessoas tentavam invadir as dunas ou outras áreas de preservação, o pau comia e não aliviava. Sou Carioca e vim junto com minha mãe pra cá em 1979. Ela nasceu no Maciambú, em palhoça e foi pro Rio com 19 anos. Quando ela veio pra cá, vivemos de aluguel e depois compramos um terreno legalizado e escriturado. Acho um absurdo as pessoas invadirem um local que não é seu e formar favelas em áreas de risco. Se continuar assim, essa ilha vai ficar pior que a Rocinha, no Rio…

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