Coluna de hoje (10)

A engenharia que faz falta

Um qualificado policial militar resumiu para o colunista o que pensam as autoridades de segurança pública sobre os problemas de mobilidade urbana em Florianópolis: “Além do crescimento da frota, a questão do trânsito enfrenta uma outra dificuldade – a falta de engenharia de tráfego. Não há engenharia de tráfego na capital catarinense”. E a gente, que vê a situação das ruas todos os dias, bem sabe o quanto isso é verdade.

Um bom engenheiro de tráfego, por exemplo, jamais permitiria que a Avenida Paulo Fontes fosse fechada, sem que tivesse sido criada previamente uma alternativa para o escoamento do fluxo de veículos. E, com engenharia de tráfego, toda a tranqueira central, de todos os dias, poderia ser resolvida de forma simples, com soluções emergenciais e, claro, a presença constante de agentes públicos – Guarda Municipal e Polícia Militar. Mas, tirando as intervenções pontuais da Guarda, há quanto tempo não vemos autoridades monitorando e orientando o trânsito em Florianópolis?

Qual é a prioridade?

Na campanha de 2008 eles disseram que “governariam para as pessoas”. Não é isso que se vê na Rodovia Admar Gonzaga, bairro Itacorubi. Carros dominam as calçadas, as pessoas disputam espaços no meio da rua com os veículos em alta velocidade. Por sorte, não se registram acidentes fatais naquela via. Quem fiscaliza isso?

Prevenção (1)

Merece consideração o projeto do vereador Aurélio Valente (PP), que pretende proibir a abordagem de ambulantes, distribuidores de panfletos, artistas de rua e flanelinhas nas sinaleiras, entre 18h e 6h da manhã. O objetivo é reduzir a violência, uma vez que alguns desses pretensos “trabalhadores” são, na verdade, bandidos, que assaltam os motoristas nos parados nos semáforos.

Prevenção (2)

O problema da proposta bem-intencionada do vereador Aurélio Valente é que, mesmo aprovada na Câmara da Capital, possa virar mais uma letra morta: simplesmente porque o poder público perdeu o controle sobre o que acontece nas ruas da cidade. Veja-se o caso dos vendedores ambulantes de DVDs piratas: tomaram conta das ruas. Quem os reprime? Quem os investiga?

Desordem

A Universidade Federal de Santa Catarina há muito tempo já era considerada uma terra sem lei. Mas as coisas estão ficando cada vez piores. Insuportáveis. Ninguém mais controla o trânsito. E como não entra polícia militar no Campus, ninguém respeita as placas de sinalização. Trevos e até o meio da rua viraram estacionamento. A desordem é geral no campus.

Dúvida

Tudo bem que a Receita Federal tenha obrigação, mesmo, de fiscalizar, autuar e apreender tudo o que seja irregular – principalmente pirataria e contrabando. Mas a cidade ainda não entendeu por que todo aquele aparato, no último sábado, justamente contra pequenos comerciantes, que têm lojas subordinadas às regras legais, todos com endereço fixo, alvará de licença e tudo mais.

Demissões

Outra questão que incomoda os comerciantes: com o prejuízo de sábado, decorrente do fechamento dos camelódromos, como é que os pequenos empresários vão pagar seus compromissos e a própria folha de pagamento, uma vez que quase todos têm empregados? Aliás, ontem o presidente da associação dos comerciantes, José Roberto Leal (Zezinho), estimava para este colunista em pelo menos 20 o número de demissões já decididas.

Contramão

É o leitor Gunther José Ammon quem registra: “Na Avenida Beira-mar, próximo ao shopping, a Casan abriu um buraco na última sexta-feira. No sábado e domingo o buraco permaneceu aberto. O pior: o barro retirado foi colocado no meio da rua, interrompendo a passagem de veículos. A rua só tem uma mão. Não havia placa indicando como chegar aos prédios, tampouco guardas para orientar os moradores. O jeito para, para chegar em casa, foi andar na contramão, por absoluta ausência do poder público”.

Educação

Uma iniciativa que merece aplausos: o vereador César Faria (DEM) encaminhou documento à Secretaria de Educação, consultando sobre a possibilidade de implantação de disciplina específica nos currículos escolares, sobre questões pontuais referentes ao idoso, portadores de deficiência e formação da juventude. Seria algo como a antiga disciplina de Educação Moral e Cívica, que era obrigatória na década de 1970.

Só eles? – Leitor Paulo Vitorino Silva questiona: será que apenas os camelódromos vendem produtos irregulares (piratas e contrabandeados) e deixam de emitir notas fiscais?

E a nota? –Há certas lojas tradicionais na Grande Florianópolis que só fornecem nota se o cliente pedir. E há comerciantes que fazem cara feia quando o consumidor pede a nota.

Fazer o bem – Tudo quase pronto para a 5ª edição da Benefest, que acontece neste domingo, na sede do Lagoa Iate Clube. Festa tem o objetivo de arrecadar recursos para o Centro de Educação e Evangelização Popular (Cedep), dirigido pelo padre Vilson Groh.

Movimento – As camisetas, que dão direito a feijoada, bebidas e shows, custam R$ 60. No ano passado, a Benefest arrecadou R$ 350 mil.

Picaretagem – A farra turística de vereadores, apresentada em rede nacional no domingo, merece repúdio integral da sociedade. E as empresas que promovem esses “cursos de atualização” deveriam ser proibidas de atuar junto ao poder público. A picaretagem é flagrante demais.

Tormento – Mais uma greve de servidores municipais para atormentar a vida dos cidadãos. A prefeitura e os funcionários têm que se entender, porque a população não pode ficar à mercê dessas idas e vindas, de serviços que ora funcionam, ora não funcionam.

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2 responses to this post.

  1. […] falta 10/08/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  2. Não sou engenheiro, mas acho que a Paulo Fontes poderia dar lugar a um túnel para os carros, ficando o tal “bulevar” no nível da rua. Tudo bem que a região está no nível do mar, mas será que a engenharia moderna não permite construir uma galeria desse tipo?

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