Coluna de hoje (9)

Uma operação desmedida

Caminhando pela área do Camelódromo central de Florianópolis, eu observava a operação da Receita Federal no sábado, quando fui chamado pelo presidente da Associação dos Comerciantes daquele espaço público, José Roberto Leal (Zezinho). Ele estava indignado e me apontava a ação dos vendedores de DVDs piratas, ao lado do Camelódromo: as vendas seguiam normalmente enquanto a lei agia no centro de comércio popular. Aliás, não só ali, mas por todo o calçadão espalhavam-se os camelôs das meias, das toalhas, dos panos de prato, de eletroeletrônicos e outras quinquilharias procedentes da China. Havia até vendedores de carteiras e bolsas na frente de lojas especializadas nesses produtos.

A ação contra os pequenos comerciantes provocou reações de desespero. O próprio Zezinho, chorando, lembrava que mais da metade das lojas do camelódromo é associada à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), utilizando os serviços da entidade, entre os quais o SPC. Ele alegava, por exemplo, que uma ou outra irregularidade não poderia justificar uma operação daquele porte.

Prevenção…

Zezinho não foi o único a manifestar indignação. Populares que se aglomeravam em volta do camelódromo estavam estupefatos e revoltados com a desproporção daquele ato da Receita Federal. E havia quase um consenso entre as pessoas que assistiam a cena: se havia irregularidades, por que não houve ações anteriores, preventivas ou de autuação direta dos sonegadores e vendedores de produtos piratas?

… funciona melhor

Na noite de sábado recebi e-mails a propósito do caso. Diz um dos autores, que não pode se identificar: “Ora, se prefeitura construiu e autorizou a montagem daquele espaço na tentativa de organizar os ambulantes da cidade, por que não faz uma fiscalização mais efetiva e permanente no local? Fazem vistas grossas o ano todo, para querer ganhar manchete de jornal e mostrar serviço uma vez no ano?”

Tem mais

Outro leitor comenta: “Acredito que o que é ilegal deve ser retirado, melhor, não deve ser permitido, mas daí a deixar todos em pânico, é um sensacionalismo completamente desnecessário. Se houvesse dois fiscais diariamente ali trabalhando, a coisa não chegaria ao ponto que chegou, não é mesmo? Há tanta coisa irregular e que prejudica a imagem da cidade, isso ninguém vê?”

Comodismo

Esse era o retrato do caos no sábado pela manhã, região central, provocado pelo comodismo dos motoristas. O colunista estava ao lado do tenente-coronel PM Newton Ramlow, quando este mandou fechar o estacionamento da Aflov próximo ao mercado. Todos esses veículos presos no engarrafamento queriam acessar aquele espaço. Ninguém queria deixar o carro a três quadras do mercado.

Corrida às compras

Muvuca. Não havia outra palavra, no sábado pela manhã, que pudesse definir o movimento de compras, na véspera do Dia dos Pais, pela região central da cidade. Em algumas ruas, como a Deodoro (foto) era quase impossível caminhar com tranquilidade. Eram milhares de pessoas disputando espaço para chegar às lojas.

Viva o vinho

Dois setores da economia estão muito favorecidos pelo bom inverno que tem feito: o de roupas quentes, é claro, e o de vinhos. No sábado, havia filas nos principais supermercados e casas do gênero para compra de garrafas de vinho, 90% do tipo tinto. Em alguns estabelecimentos, os clientes chegavam a lotar carrinhos com a mercadoria fina – que nunca esteve tão acessível ao bolso de qualquer brasileiro.

Os ladrilhos (1)

Professor Carlos Humberto Corrêa, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, enviou e-mail a propósito do piso da antiga Academia de Comércio, que será sede do IHGSC e da Academia Catarinense de Letras: “É necessário esclarecer que a reforma ou restauração do prédio está sendo feita absolutamente de acordo com o projeto inicial aprovado pelos arquitetos do IPUF, dos órgãos do Estado, da Secretaria do Turismo, Cultura e Esporte e pelas direções do IHGSC e ACL”.

Os ladrilhos (2)

Prossegue o professor: “O atual piso será substituído por placas de granito negro pelo fato de ele estar quebrado e, pior, quase que totalmente desnivelado. Arrancá-lo para colocá-lo no nível será destruí-lo totalmente. Em alguns lugares serão colocadas no chão janelas cobertas por vidro para se ter conhecimento do piso original, como se faz com qualquer restauração”.

Os ladrilhos (3)

E finaliza o professor: “O prédio ficou fechado, sendo deteriorado, e mesmo destruído durante quase vinte anos, e ninguém se lembrou da sua conservação. Aqueles que levantam a bandeira do purismo restaurador, só agora o fazem, às vésperas do término do trabalho, apesar de muitas vezes terem sido convidados para visitar as obras. A opinião individual não pode suplantar o bem senso coletivo”.

Zona Azul – Ariovaldo Ferreira, gerente do Programa Zona Azul, enviou mensagem de esclarecimento sobre nota que saiu aqui na semana passada: a Zona Azul não pode fiscalizar as vias públicas que não tenham vagas rotativas, como é o caso da Rua Mário Couto, cujo estacionamento é proibido.

Calçadas – Arquiteto amigo da coluna explica: existem dois tipos de calçada padrão. A primeira é com piso alerta. A segunda é com piso guia. Nos últimos anos houve uma mistura de gêneros em Florianópolis, contribuindo mais para a desorientação do que para a segurança dos deficientes visuais.

Armadilha – Há mais problemas com as calçadas de Florianópolis: além da mistura, muitos pisos conduzem o deficiente para… as placas de sinalização e postes.

Clima antigo – Clube 12 de Agosto estava que estava na noite de sábado: centenas de pessoas participaram de um encontro político que deixou o centro de Florianópolis com aspecto de campanha antiga – dos bons tempos de PSD e UDN, com muito movimento, alegria e empolgação.

Mais Justiça – Tribunal de Justiça instala hoje, às 17 horas, o Juizado Especial da Fazenda Pública da Comarca de Florianópolis, no Fórum do Norte Ilha.

Ritmo – Câmara Municipal de Florianópolis entrou mesmo no esquema de sessões quinzenais durante a campanha? Até ontem, não havia previsão de sessões plenárias para esta semana. Plenárias, apenas dos vereadores mirins.

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One response to this post.

  1. Posted by Spesso on 09/08/2010 at 8:36

    Alguém me explica por que o Fórum do Norte da Ilha fica na Trindade, ao lado da Igrejinha da UFSC?

    Responder

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