Ponto Final – 5 de julho

Debates esquentam Plano Diretor

Quem anda meio descrente sobre o processo de discussões do Plano Diretor de Florianópolis pode reacender a esperança: há sim, muitos debates em andamento, tanto no plano oficial – sob a coordenação do professor Rodolfo Pinto da Luz – quanto no acadêmico. Hoje e amanhã, por exemplo, acontece o 1º Seminário de Geografia Urbana e o 2º Seminário Interuniversitário do Plano Diretor Participativo Mobilidade e Qualidade de Vida. O evento, promovido pela UFSC e Udesc, acontece hoje no auditório da primeira universidade, com palestras e debates, envolvendo arquitetos, engenheiros, técnicos e lideranças sociais e comunitárias. Amanhã haverá mini-cursos, com foco principalmente na questão do transporte público, na Faculdade de Educação da Udesc.

Ou seja, as discussões avançam e o documento final, que ainda depende de inúmeras audiências e reuniões, pode ficar pronto ainda este ano. Com menos estresse, evidentemente, do que o causado pela primeira versão, apresentada há três meses.

Morte polêmica

O Notícias do Dia publicou na sexta-feira uma reportagem sobre falta de vagas nos cemitérios de Florianópolis. Enquanto os técnicos da prefeitura quebram a cabeça para resolver o problema, tramita na Câmara o projeto de lei 14.052/2010, que institui “o cemitério (Campo Santo) judaico da Associação Israelita Catarinense”, uma ideia pra lá de polêmica.

Discriminação

Dois dos cinco artigos do projeto estão provocando frisson entre os vereadores por conta de limitações rigorosas exigidas pela comunidade judaica. Uma delas, no artigo 3º do projeto de lei, aponta para a destinação de uma área exclusiva, com um muro de no mínimo 3,5 metros de altura – ou seja, totalmente discriminatório, como se os outros mortos não merecessem respeito.

Questionamento

O questionamento na Câmara: a comunidade judaica quer que a prefeitura ceda uma área pública exclusiva para enterrar seus membros. Se isso não for possível, o poder público deverá disponibilizar uma área dentro de um cemitério “comum” separada pelo tal muro. E se os demais representantes dos diversos credos que formam nossa cultura e nossa sociedade solicitarem o mesmo, como vai ficar? Um cemitério para cada religião?

Perda

Morreu no fim de semana o veterano comunista catarinense Alécio Verzola, um dos presos pela operação Barriga Verde em 1975 e barbaramente torturado pelos militares durante aquele período obscuro da história. Alécio foi recentemente personagem do documentário “Audácia”, dirigido por Francisco Pereira Filho, obra que trata justamente da violência que indignou os catarinenses em 1975.

Interlocutor

Conheci Alécio Verzola naqueles tempos sombrios da ditadura militar. Ele era livreiro, trabalhava na Livraria Cruz e Sousa, que ficava numa pequena sala comercial em frente ao Cine Ritz, na Rua Arcipreste Paiva. De fala mansa, formação intelectual extraordinária, Alécio era um interlocutor indispensável às discussões sobre o Brasil e o destino dos brasileiros. E por isso era considerado perigoso para o regime militar.

Somos todos caipiras

Poeta Alcides Buss encaminhou uma extensa correspondência ao conselho editorial da Editora da UFSC, com considerações definitivas sobre o que aconteceu naquela respeitável instituição – cuja história foi esquartejada, todos os seus caminhos salgados, todos os velhos nomes (de gente e de livros) deletados e amaldiçoados.

* * *

A nova administração da EdUFSC acha que nós somos todos caipiras porque defendemos a identidade catarinense. E aí, reitor Álvaro Prata, o senhor vai deixar por isso mesmo?

Gelo – Para quem gostou em 2009 e aguarda confirmação: o Floripa Shopping garante a pista de patinação no gelo para esta temporada de inverno. Em poucos dias.

Tranquilidade – A Back, que atua há 40 anos em Santa Catarina com a terceirização de serviços de vigilância humana e eletrônica, RH e mão de obra especializada, está emitindo um Certificado de Tranquilidade, enviado aos seus clientes como garantia de seus serviços.

Prioridades – A Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) está produzindo documento com uma lista de prioridades da região a ser entregue aos candidatos a governador e aos postulantes ao parlamento estadual.

Investimentos – A reunião da Acif para discutir o assunto acontece nesta segunda-feira. Entre outras considerações, a entidade deve pedir que os eleitos trabalhem para atrair mais investimentos para a Grande Florianópolis.

Ficha Limpa – Que confusão o STF está fazendo em relação ao Ficha Limpa, hem? Decisões absurdas põem em risco a própria legitimidade da lei – um dos maiores avanços da nossa democracia – aprovada recentemente.

(Aviso – Está faltando uma nota, que tem três fotos. Vou postar mais tarde, porque estou na correria agora).

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4 responses to this post.

  1. […] 5/07/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  2. […] 5/07/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna Ponto Final, por Carlos Damião (ND, […]

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  3. Posted by Aline on 05/07/2010 at 13:29

    Essa questão do cemitério não pode ser verdade neh. Pq não se faz uma campanha pela cremação? Não é bem mais higiênico e melhor para o meio ambiente? Já pensou se cada religião resolve pedir o seu cantinho, que baderna que vai virar isso…

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  4. Damião, há mais ou menos 10 anos, a disciplina de Literatura Catarinense foi “rebaixada” na grade curricular do curso de letras da UFSC. De obrigatória, passou a optativa. Não lembro de ter visto reação à atitude, infelizmente. Essa tentativa de descontrução da identidade catarinense é triste e cotidiana. Sou paulista, mas moro em SC desde 1993. Estudei e me formei em Jornalismo na UFSC. Desde que vim morar aqui, sempre respeitei a cultura e as tradições catarinenses. Primeiro, porque acho que a cultura de qualquer povo deve ser respeitada e tratada com dignidade (não existe coisa pior que gente que acha que somente suas tradições são dignas de registro). Segundo, por achar que era um resgate da minha história (minha mãe é catarinense). Por fim, por crer que devo isso a minha filha, nascida em Florianópolis e criada aqui. Abraço e parabéns pela luta em prol da cultura catarinense.

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