Uruguai! (Por enquanto)

Depois da melancolia brasileira – a pior seleção em todos os tempos – resta-nos torcer pela vitória do bom futebol, da criatividade, do toque de bola, dos dribles desconcertantes. De quem, mesmo? Gosto da Argentina, da irreverência descolada do Maradona, mas não sei se a equipe consegue superar a poderosa Alemanha. Gostei do Uruguai de hoje, contra Gana: mereceu a classificação, foi um time guerreiro, num jogo emocionante, como eram os jogos do Brasil antes de Dunga e Parreira, técnicos retranqueiros, burocráticos, burros e obtusos.

Minha seleção favorita continua sendo a de 1982 – que perdeu, mas nos lavou a alma com o belo futebol de Zico, Falcão, Cerezo, Júnior. Meu filho mais velho nasceu no meio da Copa. Assisti aos jogos sozinho, em São Paulo (a mãe dele estava em Minas), e chorei muito por causa da nossa derrota. Hoje não chorei: senti um grande alívio e fui caminhar, conversar com os amigos, trocar ideias sobre o grande fracasso da era Dunga. Opinião quase unânime: melhor que a equipe tenha perdido nas quartas-de-final. Pior seria ter que disputar o terceiro lugar, prêmio de consolação que não mereceríamos (menos ainda o título de hexacampeões).

Minha memória mais distante alcança a copa de 1966, que ouvimos pelo rádio, uma disputa desastrada, Brasil eliminado nas oitavas, depois de ter sido campeão em 1962. Não sinto nada por aquela derrota. Depois veio 1970, a primeira Copa a que assistimos pela televisão, ainda preto e branco, deslumbrados com Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino… É minha segunda Copa favorita, não pelo tri, mas pelo belo futebol – que a seleção de 1982 repetiria com brilho, sem título, mas com poesia.

Das copas seguintes não tenho lá muita preferência ou boa recordação. A de 1994 foi vencida nos pênaltis, futebol bruto, estilo Dunga, que alguns chamam de guerreiro, mas eu chamo de brucutu. Teve 2002, com Felipão, na raça, com um time pra lá de criativo e bacana. Mas sem comparação com 1982, claro.

Ah, sim, falei ali em cima sobre minha opção nesta reta final. Amanhã, fico com Argentina e com Paraguai. Se não passarem, vai ficar mais fácil escolher: já tenho o Uruguai como primeira opção para as semifinais.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Diego Wendhausen Passos on 02/07/2010 at 22:53

    Só corrigindo uma informação Damião. Em 1966, eram 16 seleções divididas em quatro chaves. O Brasil foi eliminado ainda na primeira fase, perdendo para os húngaros e os portugueses.

    Como nasci em 1983 e acompanho futebol desde meados de 1992, sei apenas de comentários com amigos e torcedores ou em livros, revistas, matérias de jornais e documentários de vídeo sobre períodos anteriores.

    Quando ao time de 1982, uma pena aquela geração vencedora ter ficado sem uma Copa do Mundo. Zico e Júnior ainda conseguiram vencer o Mundial Interclubes, pelo Flamengo.

    O time de 1970, sem dúvida o melhor de todos. Dos títulos que acompanhei, o de 2002 foi o melhor. Em 1994, foi aos trancos e barrancos, mas chegamos lá.

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  2. Deutscheland!

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