Ponto Final – 21 de junho

Rigor contra imóveis abandonados

Um exemplo de Joinville bem poderia ser adotado em Florianópolis: a prefeitura de lá toma providências contra proprietários de imóveis abandonados, normalmente utilizados como abrigos por usuários de drogas. O poder público está intensificando a fiscalização e começa a notificar os proprietários, com o objetivo de resolver o problema social e, ao mesmo tempo, recuperar a paisagem urbana.

Em Joinville são 17 imóveis nessa situação. Na Capital, há muito mais prédios, inclusive alguns tombados como patrimônio histórico – como o palacete que pertenceu ao governador Hercílio Luz –, que mereceriam restauração imediata e continuam inexplicavelmente fechados, em avançado estado de deterioração.

A prefeitura de Florianópolis já estudou a solução de intervir nos imóveis abandonados. Mas inexplicáveis forças ocultas continuam impedindo a adoção de medidas mais severas contra os proprietários irresponsáveis.

Situações

Em Florianópolis não são apenas os imóveis abandonados que servem de abrigo para usuários de drogas, normalmente identificados como “moradores de rua”. Três lugares da região central da cidade continuam sendo usados como dormitórios: a calçada do edifício das Diretorias (Rua Tenente Silveira), o antigo shopping Entrelaços (Avenida Rio Branco) e a calçada do Procon (Rua Victor Meirelles).

Soluções

Há autoridades municipais de Florianópolis que defendem uma tese muito interessante quanto a imóveis abandonados, não apenas os de valor histórico: notificar os proprietários quantas vezes forem necessárias, cobrar multas até judicialmente e, em caso de não serem tomadas providências, desapropriar os prédios para uso público. O palacete de Hercílio Luz (foto) poderia ser, por exemplo, um belo centro cultural.

Mais beleza

Depois do concurso nacional que escolheu o melhor projeto para revitalização do Largo do Mercado, a prefeitura deve anunciar em breve quem são os autores do projeto que vai promover a requalificação urbana da Praça dos Três Poderes – na verdade, dois poderes – ou Praça Tancredo Neves, antiga Praça da Bandeira. As inscrições terminaram no dia 7 deste mês.

Proposta

O resultado do concurso de revitalização da Praça dos Três Poderes será divulgado no dia 19 do mês que vem. Em princípio, e por exigência do edital, o vencedor será aquele que apresentar a melhor proposta, mais ou menos nos moldes do que aconteceu com a região da Paulo Fontes e Mercado Público. A ideia é humanizar a área, com equipamentos urbanos e centro comercial.

Nova tentativa

Depois da primeira audiência pública sobre as novas concessões de táxis em Florianópolis, a Câmara Municipal promove mais uma reunião nesta terça-feira, às 15 horas, para dar continuidade às discussões. No encontro inicial, vejam vocês, o poder concedente dos serviços – a prefeitura – não mandou representante.

Canal

Até para pedir a troca de lâmpadas numa escola de Florianópolis, a Intendente José Fernandes, no distrito de Ingleses do Rio Vermelho, a comunidade tem que recorrer à Câmara de Vereadores! Sinceramente, não dá para compreender a falta de agilidade – ou de competência – dos responsáveis por providências tão prosaicas.

Burocracia

Querem mais um exemplo da inoperância oficial? Outro requerimento que tramita na Câmara da Capital tem o objetivo de enviar expediente ao Deinfra solicitando a manutenção de guard-rail existente na primeira curva da descida do morro da Lagoa da Conceição, sentido Lagoa-Centro. Por que tanta burocracia? O Estado não “prioriza as pessoas”? Precisa a comunidade recorrer à Câmara?

Privilégios (1)

O leitor Flávio Souza e Silva (Rato) critica os R$ 600 mil destinados pelo poder público a uma equipe de vôlei, mas vai adiante: “Cresci em Capoeiras e junto com meus amigos frequentemente usávamos o Ginásio Saul Oliveira (Capoeirão) para jogarmos futebol e vôlei. O ginásio não pode ser usado por colégios vizinhos porque aquele bem público foi cedido para uma empresa privada pelo governo do PMDB”.

Privilégios (2)

Finaliza o leitor: “Outro absurdo aconteceu quando a prefeitura doou o Parque Aventura para a PM. A atual administração herdou um parque lindo e pronto para ser usado pela comunidade e, pasmem, nunca desenvolveu sequer um projeto social. E ainda nos questionamos por que aumenta o número de usuários de drogas. Onde o poder público não se faz presente com projetos sérios para crianças e adolescentes o tráfico adota nossos filhos”.

Parada total – Taxistas reclamavam ontem do fraco movimento durante o jogo do Brasil. Piorou mais ainda porque as lojas do shopping central de Florianópolis nem abriram – simplesmente liberaram os funcionários para assistir à partida onde quisessem.

Torcida contra – Tem muita gente torcendo para que o Brasil caia logo na Copa para que desapareçam do cenário urbano aquelas terríveis vuvuzelas que atormentam a vida das pessoas na região central de Florianópolis.

Leituras – Foi acima do normal a procura por obras de José Saramago nas livrarias de Florianópolis, no último sábado, um dia depois da morte do gênio literário português. Os livros mais vendidos foram “Ensaio Sobre a Cegueira” e “Caim”, este o último publicado.

Conceito – O que é considerado anormal em vendas de livros? A vendedora de uma livraria de shopping me explicou: “É vender três ou quatro exemplares de livros de um mesmo autor num único dia”.

Menos pragas – Interessante observar que a praga da auto-ajuda perdeu muita força nas livrarias nos últimos tempos. O único autor desse abominável gênero que resiste bem ao volume de vendas de outra praga – as obras sobre vampiros – é Augusto Cury.

Pão quente – E o best-seller do momento em Florianópolis é “Querido John”, romance açucarado de Nicholas Sparks. Vende que nem pão quente.

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2 responses to this post.

  1. Posted by João on 21/06/2010 at 19:39

    Caro Damião, fico feliz que volte a atualizar o blog. Gostaria de “linkar” o assunto das vuvuzelas atormentando o centro da cidade e a Biblioteca Pública. Já nao basta o barulho maldito proporcionado pelos vendedores na esquina em frente ao banco Itaú, que desconcentra bastante o pessoal, a rede wi-fi proporcionada (sim, existe!) aos estudantes não é suficiente. É cada vez maior o número de pessoas que necessitam desse instrumento (inclusive eu), mas ficam na mão em razão da conexão lenta. Esses dias conversando com os funcionários, fiquei sabendo que a conexão de internet de toda a biblioteca é de 2 MB, para um prédio daquele tamanho. Os mesmos falaram que já fizeram abaixo assinado e encaminharam à FCC, solicitando a ampliação do serviço, mas a o órgão disse que nada podia fazer. Venho somente fazer essa pequena reclamação e solicitar para que seja divulgada na sua coluna. Seria útil para muitos estudantes. Muito obrigado.

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  2. […] abandonados 22/06/10 » Compartilhe este link no Twitter Da coluna de Carlos Damião (ND, […]

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