Coluna de 16 de fevereiro

Burocracia atrapalha escolas

O presidente da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis, José Machado Pacheco (Zeca Machado), advertiu ontem que as agremiações carnavalescas estão reféns da burocracia. Acusou o repasse de pagamentos em cima da hora como um dos problemas que dificultam a qualidade final do trabalho. “Todo o dinheiro teria que ser repassado até novembro”, disse.

Outra questão levantada por Zeca Machado foi relativa ao transporte dos carros alegóricos. Segundo ele, a distância compromete o mecanismo dos carros, como aconteceu com a Coloninha, cujo galpão fica a 30 quilômetros do local dos desfiles. O ideal seria a implantação da cidade do samba, mas isso por ora é só um projeto.

Ainda conforme Zeca Machado, a estrutura da Passarela Nego Quirido precisa ser ampliada da capacidade atual para pelo menos o triplo, ou seja, mais de 30 mil pessoas. Aliás, o próprio coordenador do Carnaval, secretário municipal José Carlos Rauen, já admitiu essa necessidade: Florianópolis cresceu demais nos últimos anos e a passarela já não dá conta.

Na mosca

A opinião deste colunista na edição de ontem estava correta: a Copa Lord sagrou-se campeã do Carnaval 2010 de Florianópolis, com muita justiça. Surpreendente a colocação da União da Ilha da Magia em terceiro lugar, uma vez que a escola estreou no ano passado. Com o detalhe de que fez a mesma pontuação da segunda, a Protegidos, perdendo no critério do desempate (bateria).

Confusão

Divulgação da classificação final dos blocos que desfilaram na Nego Quirido surpreendeu a todos, inclusive os repórteres presentes à passarela no início da tarde de ontem. Muito estranho. Às 13h30 já havia sido feita a apuração, com a divulgação informal (boca a boca). O resultado só apareceu na internet às 15h02. Venceu a Nossa Turma, da mesma comunidade da escola campeã, o Monte Serrat.

Desolação

Há um consenso entre admiradores do Carnaval: o de rua, no Centro da Capital, precisa ser urgentemente revisto, porque não estimula o clima de folia. Um serviço de alto-falantes e uma ou outra bateria de bloco ou escola poderia animar a região, para provar que, noite e dia, tem Carnaval “da Alegria” em Florianópolis, como quer o slogan da prefeitura.

Cenário

Este colunista percorreu toda a região central da Capital, entre 11h30 e 13h30 de ontem. Não havia sequer um folião nas ruas. Turistas circulavam entre os moradores habituais da Praça 15, os bêbados e drogados. Nem polícia, nem Guarda Municipal, nem guias turísticos, muito menos Carnaval. O Centro se transformou mesmo em terra de ninguém.

Costume

Como se diz, o costume faz as leis. Não é feriado, mas segunda–feira de Carnaval em Florianópolis virou um dia meia-boca: metade da cidade funciona, outra metade, não. Um problema para a população trabalhadora, para os empresários e para os turistas. Pouquíssimos restaurantes abriram para o almoço. Transporte coletivo funcionou com horário reduzido, por absoluta falta de demanda.

Crime e castigo

“Em 2 dias de folia, 149 são detidos por urinar nas ruas”. Não, leitor, não foi em Florianópolis. Foi no Rio de Janeiro. Lá tem autoridade. E olha que no Rio os governantes nem precisam se preocupar com o pessoal que defeca nas ruas, porque lá isso não acontece. Na capital catarinense moradores de rua depositam suas nojeiras nas praças e nas portas das casas e lojas.

Sociedades

Grandes sociedades Granadeiros da Ilha e Tenentes do Diabo desfilam nesta terça-feira, às 20h30, na Passarela Nego Quirido. Seria mesmo muito estranho se as duas agremiações, que sintetizam parte essencial da memória do nosso Carnaval, não tivessem essa atenção do poder público. Foi a duras penas, mas os dirigentes conseguiram apoio.

Frieza

As imagens do duplo assassinato no Terminal de Canasvieiras (Tican) no último sábado, divulgadas ontem pela RIC-Record, revelaram a frieza dos acontecimentos. Não havia policiamento no local, nem da PM, nem da Guarda Municipal. Florianópolis está assim: cada bandido faz o que bem entende, onde bem entende, vitimando inclusive pessoas inocentes. E a população reclama, com razão, da falta de segurança.

Folia tijucana

Nem a forte chuva que caiu sobre Tijucas e região impediu a presença de milhares de pessoas no desfile dos blocos, domingo à noite. Dez blocos evoluíram pela Avenida Hercílio Luz, sendo que apenas três disputaram o título do Carnaval deste ano. Os resultados serão divulgados nesta terça-feira à noite, encerrando o reinado da folia naquele município.

Milonga pós-folia

Depois do Carnaval, Florianópolis será a capital do tango. O 5º Congresso Internacional de Tango está programado para o período de 24 a 28 deste mês, com a participação de alguns bambambans do gênero dançante portenho. Os argentinos Eduardo e Gloria Arquimbau, que dançam juntos há mais de 50 anos e formam o primeiro casal a subir ao palco para acompanhar uma orquestra de tango, estarão na Ilha para o evento. Vão se apresentar no espetáculo de gala e proferir palestra sobre a sua trajetória artística.

Galera – Prefeito Dário Berger foi pra galera: às 16h20 estava cumprimentando os dirigentes da escola vencedora, Embaixada Copa Lord. Ele repetiu o bordão: “Estou com a sensação do dever cumprido”. 

Turismo – A Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV–SC) lançou o programa Turista Feliz, que tem o objetivo de tornar a viagem dos turistas catarinenses inesquecível e sem preocupações.

Manual – O Manual do Turista Feliz deve chegar às agências em breve. Enquanto isso, quem estiver planejando sua viagem pode visitar o site do programa www.turistafeliz.com.br

Lego – Aprender robótica brincando. Esse é o princípio do Programa Talentos para a Indústria, resultado de parceria entre a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e o Serviço Social da Indústria (Sesi-SC), do Sistema Fiesc. As inscrições estão abertas.

Acif – O presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif), Doreni Caramori, acompanhou os desfiles das escolas de samba da Capital e enalteceu a importância do Carnaval para a economia florianopolitana. A Acif completa 95 anos em 2010.

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4 responses to this post.

  1. Damião, como a Praça 15 passou a ser reduto de bêbados, por que não mudar o nome para Praça 51?

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  2. Posted by Roney Prazeres on 16/02/2010 at 18:13

    Há muito que a Praça XV se transformou em um lugar proibido para as famílias, mesmo durante o dia. Não consigo entender por que não é dado um tratamento especial ao local, já que é o coração da cidade. Desconheço se existe um posto de informações turísticas na região e também não entendo por que a Guarda Municipal não realiza a segurança das praças da cidade. Será que até outubro muda alguma coisa?
    Saudações Desterrenses.

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  3. Posted by Fredy on 17/02/2010 at 22:39

    Damião,

    Aumentar a capacidade da Nego Quirido para quê? É só você pegar algumas imagens do desfile de sábado transmitido pela TV para ver que as arquibancandas estavam vazias. As 3 primeiras arquibancadas montadas próximas ao Centrosul estavam praticamente vazias; as arquibancadas de concreto não estavam lotadas. Há anos desfilo no carnaval de Floriapa e fiquei impressionado com a falta de público no desfile de sábado. Enquanto isso muitos turistas vagavam pelas concentrações das escolas pois não lhes foi permitido o acesso a essas arquibancadas vazias. Por que a tal comissão de carnval não montou um esquema para ocupar esses espaços que ficaram ociosos. Faltou organização e falata de jogo de cintura. As arquibancadas vazias e o povão se espremendo na dispersão das escolas, disputantando lugar com os componentes. É muito amadorismo por parte daqueles que plantam na mídia que o carnaval de Florianópolis é um dos melhores do Brasil. Além disso, o espaço destinado à concentração das escolas de samba é muito precário: falta iluminação, banheiros, e quando chove(como foi o caso de domingo) fica completamente alagado. Os acessos às arquibancadas também são muito precários. Enfim, não temos que ampliar o número de lugares para a passarela e sim ofecermos as condições necessárias para aqueles que fazem e assistem ao espetáculo. Não quero nem falar sobra o carnaval no centro. Esse eles conseguiram enterrar definitivamente. É uma pena!

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  4. Posted by Bernardo on 18/02/2010 at 3:14

    Pra vc ver. A polícia dá a desculpa que não faz nada porque é um problema social, e não é mais crime a “vadiagem”. Agora cagar nas ruas não é crime? E urinar? Sem contar a vez que um mendigo foi preso mais pelo tumulto do que pelas reclamações porque o infeliz estava se masturbando em público.

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