Crônica – Olsen Jr.

Olá, camaradas, salve! Tirar férias das férias dá nisso… Essa crônica deveria ter sido enviada na sexta-feira passada… Enfim, está aí, e na sexta agora, tudo volta ao que era antes… O texto fala de retomada, de consciência… Então, a música pode ser essa…

“My Way”

Que vem a ser a versão inglesa/americana feita por Paul Anka da música (original) que é francesa e se chama “Comme d’habitude” de Claude François e Jacques Revaux lançada em 1967 na França…  Paul Anka fez a versão em inglês e só manteve a melodia, a letra é completamente diferente da original… Lá como aqui, lembra-se do Renato e Seus Blue Caps fazendo versão dos Beatles? Frank Sinatra gravou-a em 1968… Tudo ia bem até o senhor Elvis Presley decidir gravá-la… Matou a pau… É a minha interpretação favorita… Isso que foi gravada ao vivo no Hawaii em 1971, confiram aí… Vai o texto da crônica como carinho de sempre do poeta! Se 2010 for como esse que passou, estou “ferrado”… Até!

FECHADO PARA BALANÇO 

Olsen Jr.

Supondo que se pudesse emprestar este “recurso administrativo” de gerenciamento de empresas para uma causa humana e individual, quando interrogado sobre como me sinto nesse final de ano, respondo: “fechado para balanço”.

Não que tenha demasiados produtos para fazer o tal recenseamento, tampouco que “eles” valham muito, mas é o que disponho e com esses que devo contar. Tenho consciência de que se fosse uma loja de artesanato, de manufatura morosa e acima do poder aquisitivo mundano, já estaria trabalhando no prejuízo há muito tempo.

O que tenho a meu favor nesse empreendimento é o fato de não precisar despender recursos com mão de obra de terceiros e também não dispor de funcionários para trabalhar na área, a menos que se considerem os ditos “fantasmas” do ofício, mas esses são generosos, sempre aparecem em grande número e se divertem com o meu empenho em tentar entendê-los e, mais ainda quando me percebem buscando tirar algum proveito dessas incursões malogradas que fazem imaginando talvez, que com isso, sabotem o “meu fazer”.

Alguma coisa tem de ser feita, penso, senão enlouqueço.

Lembro do Scott Fitzgerald e naquela série de textos que publicou com o título “A Derrocada” (em inglês, “The Crack-up”), falando de sua vida, como ela era (glamourosa, rica e bem sucedida) e de como ela estava no momento em que se confessava publicamente (no semi-anonimato, pobre e fracassada)… Ernest Hemingway achou tudo aquilo um horror porque um homem não poderia se revelar daquela maneira para o mundo, ainda mais sendo um artista porque tinha consciência de que tudo o que acontece para um escritor pode ser-lhe útil, mas isso requer um processo de maturação que só um distanciamento cronológico possibilita e desde que o acontecido seja (re)criado com arte… Mas é outra história.

O que fazer com o material que se tem? É isso. Tenho dado um duro danado, mas não tem sido fácil. Tem horas que parece, tudo está conspirando contra. Pessoas que não conseguem ser dissimuladas sofrem mais. Sim, é necessário não perder de vista o objetivo, custe o que custar. Poucos conseguem. É preciso ter “cojones”, com o perdão pela vulgaridade, a expressão hardboiled (calejado) é mais elegante. Uma minoria chega lá de fato e por isso são poucos os escritores contemporâneos que admiro.

Estamos vivendo uma outra espécie de ditadura, nessa se pode tudo, paradoxalmente ninguém está conseguindo fazer nada. Hoje a ditadura se manifesta de maneira mais sutil: é a covardia em se definir diante da vida, quando esta nova posição implica em perda; é o silêncio diante da barbárie; é a omissão ante a sacanagem quando acontece com os outros; é a falta de diálogo; é o medo de estarmos sendo observados em nosso medo; é a agonia da testemunha que teme o mesmo destino do crime que presenciou…

De repente é aquela grande amizade de 34 anos e você acaba descobrindo que nem era grande e sequer era amizade; aquele amor impossível que te aniquila um pouco todos os dias, mas também de conforta com o simples fato de existir; aquela dor que te mata um pouco gradativamente, sem pressa, mas que você precisa dela para criar (lembra-se do conto “O Rouxinol” de Oscar Wilde?); é a insolência do cotidiano que temos a impressão de que só nós que estamos vendo… Tudo isso massacra, faz você perder as esperanças, e nos versos de um poema do bom e velho Bertolt Brecht, no “Apêlo Endereçado Aos Pósteros”, se descobre que essa percepção do mundo vem de longe:

“… Entretanto sabíamos:/ o ódio contra a baixeza/ também endurece os rostos!/ a ira contra a injustiça/ faz a voz ficar rouca./ Infelizmente, nós, que queríamos preparar o terreno para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos/ Mas vocês, quando chegar o tempo/ em que o homem for amigo do homem,/ pensem em nós com um pouco de simpatia”.

De qualquer maneira, nessa jornada chamada vida, a sensação que tenho é a mesma do viajante que se vai desapegando de suas tralhas durante a jornada, e quanto mais se livra dos objetos e das lembranças que lhe parecem inúteis e dispensáveis, mais pesado fica para seguir em frente e tenho a consciência de que jamais vamos nos libertar desse gosto amargo das coisas perdidas… É o que redime os poetas!

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