Coluna 31 de dezembro

Cabe a mim partir / mas a ti cabe ficar / e os tempos são dois. (Buson, poeta japonês, 1715-1783) 

Feliz Ano Novo

A passagem de ano representa renovação e significa mudança. Embora seja um mero registro cronológico, o Ano Novo costuma ter entre nós, ocidentais, uma conotação de certa espiritualidade antropológica, que se vincula com muita força à manifestação da esperança.

E a esperança remete sempre para a perspectiva do futuro, da transformação e da felicidade. Ninguém tem esperança de que as coisas piorem: ao contrário, esse sentimento sempre se conecta com a ideia do sucesso, das boas realizações pessoais ou coletivas.

O que move milhões de pessoas, em todo o Brasil, a festejar essa passagem cronológica é exatamente a esperança de alcançar dias melhores, situações diferentes para suas vidas, sem que necessariamente essas situações se vinculem a questões materiais ou financeiras. Porque a felicidade depende mais da própria disposição interior, do entusiasmo e da garra de cada um, para que possa se concretizar.

Que 2010 seja um ano de transformações importantes para todos nós. Especialmente que tenhamos consciência de que as mudanças não acontecem na virada do ano, mas no seu decorrer, não no partir – referido acima no haicai de Buson. Mas no tempo novo que vem para ficar até que se cumpra o novo ciclo, daqui a 12 meses.

Vida pessoal

 

Em entrevista concedida ao Notícias do Dia, o prefeito da Capital, Dário Berger, fez questão de abordar aspectos de sua vida pessoal: “A vida de prefeito é como a vida de um padre. Casamento e prefeitura são dessas coisas incompatíveis. O prefeito acaba sendo um grande pai e os habitantes os filhos. Há uma grande dificuldade para conduzir a vida pessoal. Não há tempo e nem privacidade quando você consegue escapar. Não posso tirar a camisa porque sempre tem alguém fotografando. Então, ou você fica em casa, na solidão do poder, ou se expõe. E eu sempre fui discreto, mesmo em tempos de casado”.

Solidão do poder

A declaração do prefeito Dário Berger sobre a solidão do poder remete a memória do colunista a uma situação que viveu ao entrevistar o ex-governador Colombo Salles em sua residência, há cinco anos. Durante a conversa, o telefone tocava insistentemente e Colombo não se mexia da cadeira. Até que o repórter sugeriu ao ex-governador uma pausa na entrevista (gravada) para que ele pudesse atender. “Não é pra mim”, respondeu. E não era mesmo. A ligação era para a empregada da casa. E Colombo aproveitou a deixa para discorrer sobre a solidão que o poder provoca, no auge e no ocaso.

Mensagem

“Com muito trabalho, estamos cuidando dos municípios e melhorando a vida dos catarinenses. Desejamos que em 2010, Santa Catarina siga em frente, com novas conquistas renovando a esperança em um futuro cada vez melhor. Que Deus ilumine o caminho de todos e que o Ano Novo seja de grandes realizações”. Texto da mensagem do vice-governador Leonel Pavan, que está veraneando em Bombinhas, encaminhado ontem aos amigos, correligionários do PSDB e jornalistas.

Colapso

O presidente da Casan, Walmor de Luca, admitiu na quarta-feira que o abastecimento de água na capital catarinense está à beira de um colapso. Não porque a companhia tenha descuidado de sua missão, mas porque há um excesso de consumo provocado pelo grande número de turistas que veraneiam nas praias da Ilha de Santa Catarina. A Casan trabalha no limite de sua capacidade e não consegue atender ao incremento da demanda.

Massificação ou…

Ainda a propósito da infraestrutura do litoral para receber turistas, cabe destacar que o marketing voltado à massificação turística – como acontece atualmente – vem produzindo resultados preocupantes nos últimos anos. Não temos sistema viário, vivemos graves problemas de mobilidade no cotidiano, não há água nem energia suficiente para atender a tanta gente. Então, por que promover divulgação para massificar o turismo?

… qualificação

A questão do planejamento turístico não deve ser relacionada a impedir a chegada de visitantes, mas a qualificar (e reduzir) a massa de turistas que vêm para nosso litoral. O que é preciso compreender – e o presidente da Casan, como outras autoridades, tem consciência disso – é que o litoral catarinense tem limites. Que precisam ser levados em conta e respeitados. Afinal, quem viaja não quer viver, em seu destino turístico, os mesmos problemas que vive no cotidiano de sua cidade.

Ano movimentado

O ano que entra é o da renovação política, com eleições para cargos executivos e legislativos. E é também o ano da Copa do Mundo na África do Sul. Bom para a sociedade, prato cheio para a mídia: notícias – boas e ruins – é que não vão faltar ao cardápio de jornais, TVs e rádios.

Réveillon

A noite deste 31 de dezembro promete manter a tradição de alto astral que sempre cercou o Réveillon de Florianópolis, graças ao apoio de empresários sensíveis às aspirações comunitárias. As empresas Engevix, Supermercados Imperatriz, Casas da Água, Koerich Imóveis, Koerich Gente Nossa e Zita Construtora aderiram ao projeto coordenado pela RIC-Record e Notícias do Dia, viabilizando a realização do evento, que tem também o apoio do Majestic Palace Hotel. A festa da capital catarinense segue sendo uma das mais bonitas do Brasil.

Saúde 24 horas

Ponto positivo para a prefeitura da Capital: as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul funcionam durante 24 horas no feriadão do Ano Novo, a exemplo do que aconteceu no Natal. É o profissionalismo e a maturidade alcançando um serviço essencial, que é o atendimento de saúde nas comunidades.

[ Coluna publicada na edição conjunta do Notícias do Dia, 31 de dezembro de 2009 e 1º de janeiro de 2010 ]

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3 responses to this post.

  1. Damião, um feliz ano novo para você e toda sua família. Que você continue sendo um referencial de jornalismo ético, responsável, honesto e comprometido com a verdade e a defesa da população contra os desmandos de determinadas “forças” que insistem em se servirem do povo, ao invés de servir ao povo. Um grande abraço deste paulista de nascimento e florianopolitano de coração e adoção.
    Marcelo de O. Santos

    Responder

  2. Posted by Don (Ingleses) on 01/01/2010 at 20:27

    Chapa branca, na cara dura. São muitos os pesos e medidas para um jornalista só.

    Responder

  3. Posted by Aline on 04/01/2010 at 9:38

    “O prefeito acaba sendo um grande pai e os habitantes os filhos.”

    Credo, prefiro ser órfã!

    Responder

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