Quem governará os catarinenses?

O vice-governador Leonel Pavan vem se defendendo como pode. Dá entrevistas, recorre à internet (tem um site bem-produzido, conforme imagem acima), aciona os amigos, os parentes, os advogados, os jornalistas e publicitários amigos. Faz parte. E não é porque ele é o vice-governador que não tem direito à ampla defesa, ou seja, à presunção da inocência, que é um dogma fundamental da Justiça.

Enquanto isso, não custa refletir: se ele se recusar ao projeto (genial, como sempre) do padrinho Luiz Henrique da Silveira, de assumir o governo em janeiro, a linha sucessória é muito interessante. Pavan afastado das lides governamentais para cuidar de sua defesa, quem assume em primeiro lugar é o presidente da Assembleia — até fevereiro, Jorginho Mello, que é do mesmo partido do vice, o PSDB. A partir de fevereiro, Gelson Merísio, que é do DEM, aliado de todas as horas de LHS-Pavan, mas um político de pouca expressão, originário da militância empresarial, que entrou para a política num momento em que os lojistas estavam em alta e tomaram conta do PSDB e do PFL.

Pode ser que LHS governe até abril, para então renunciar e, a partir disso, se dedicar de corpo e alma à campanha para o Senado — o que, aliás, vem fazendo desde o dia 1º de janeiro de 2003: campanha política.

Se até lá Pavan estiver livre de tudo, governará. Caso contrário, o que nos resta? Merísio? E se este for candidato à reeleição para a Assembleia? Sobrará o quarto da linha sucessória, o presidente do Tribunal de Justiça.

Não li ainda a entrevista que Pavan concedeu ao Diário Catarinense. Li a do Notícias do Dia, conduzida pelo repórter Marcelo Tolentino, que é em tese a mesma coisa. O vice pensa em não assumir em janeiro, porque estará governando sob suspeita e esse é um tormento que homem público nenhum pode suportar (exceto alguns alcaides, mas esse é outro papo). O que me chamou atenção na matéria do ND é o livro que Pavan está lendo: “O Inocente”, de John Grisham, sobre um homem inocente que aguarda o cumprimento de sua pena, a execução. OK, é um apelo de marketing (Pavan aparece segurando o livro), mas é uma coisa muito brega.

E aproveito este finalzinho de papo para fazer minhas as palavras do Moacir Pereira, há pouco, na CBN-Diário: a melhor defesa para Pavan, se ele é inocente, seria a divulgação das conversas e imagens gravadas pela Polícia Federal no curso das investigações da Operação Transparência. Se há segredo de Justiça no caso é porque tem coisa, claro.

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3 responses to this post.

  1. Posted by Alberto on 19/12/2009 at 11:30

    A melhor defesa para o Pavan seria implementar o TOLERANCIA ZERO do tal de Juliane (ex prefeito de Nova York) e, em seguida, para dar o exemplo, ser mandado para um presidio de seguranca maxima.

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  2. Posted by Solange Gasparetto on 19/12/2009 at 11:58

    O colunista acertou , em parte, no dogma da presunção de inocência , que não é só dogma , mas um principio constitucional. Mas errou na questão do segredo de justiça; não é porque tem coisa neste caso e , em outros, mas por até agora, não se tratam de provas , mas indícios que ainda não se transformaram em provas. E aí, dvulgar antes , significa pre-julgamento , como esta acontecendo . Porque a ânsia em…?

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  3. Posted by J.L.CIBILS on 20/12/2009 at 18:52

    “ANSIA”, pra ieu é ansia de vomito mesmo, a coisa tá tao nujenta, que isto tudo parece ser só um aperitivo, o resto ainda nao desceu e pra prevenir e nao ter um mal estar (piriri), é melhor tomar um Buscopan e um chá preto, pois a indigestao é grande e longa.

    Responder

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