Ainda a árvore: vai sobrar pra alguém

Visando a preservar sua imagem — e as pretensões políticas que tem pro futuro — o prefeito Dário Berger já decidiu, com seu conselho político, defenestrar quem, numa festa de fim de ano que era para ser apenas uma festa, acabou enterrando seu nome na lama.

Calma, eu explico melhor: ausente da cidade em momentos cruciais, envolvido com a chamada alta política — liderada pelo padrinho Luiz Henrique da Silveira –, Dário Berger delegou o governo do município aos seus secretários. Delegou, não. Descentralizou, porque ele tinha coisas mais importantes a fazer no interior do Estado e também no exterior.

O prefeito pretendia fazer um Natal inesquecível para nós, florianopolitanos que amamos a cidade, mas não precisamos disso… No meio do caminho teve uma história que não colou — a tal da árvore milionária, cuja locação foi contratada por um preço elevadíssimo e sem concorrência pública. Todas as explicações dadas pelo secretário Mário Cavalazzi foram desastradas. Em nenhum momento uma outra autoridade — como o procurador Jaime de Souza, por exemplo — apareceu em público para dizer que tudo tinha sido feito de acordo com a lei (até porque Jaime de Souza conhece muito bem o que é legal e o que não é legal).

Na hora em que Dário pegou o bastão, com a maratona em andamento, era tarde demais. Convocado pela imprensa a explicar as irregularidades e as fanfarronices, ficou nervoso e se enrolou todo. Como justificar o injustificável, inclusive a ausência de licitação e o valor tão elevado pelo serviço?

Irritado até a medula, o prefeito foi ao programa do Hélio Costa hoje para tentar consertar o estrago, que naquele momento (ao meio-dia) estava mais do que escancarado, pois o Tribunal de Justiça acabava de decidir pela manutenção das liminares que suspendiam os pagamentos milionários relativos à árvore. Eu não assisti a entrevista, soube pelo amigo Paulo Dutra, que percebeu, no discurso de Dário, sinais muito claros de que alguém vai pagar caro (e não se trata do valor da árvore) por tudo o que houve. Em outras palavras, o prefeito vai defenestrar um dos seus principais auxiliares, justamente aquele que defendeu o indefensável com agressões, xingamentos e toda sorte de argumentos insustentáveis do ponto de vista ético, jurídico e político.

Quer dizer, Dário sentiu o tamanho da bronca. E, como é um político em ascensão (pelo menos o padrinho pensa assim), precisa arranjar um culpado. E tudo indica que vai sobrar pro Mário Cavallazzi.

Mas que fique bem claro o que pensa este blog e metade da cidade: por mais que tente se livrar da encrenca, Dário é o responsável direto pela administração de Florianópolis. Em qualquer campanha futura ele enfrentará, com certeza, adversários dispostos a massacrá-lo por conta dessa lambança sucupiriana. Ah, ia me esquecendo: tudo isso aconteceu porque, desde que assumiu o primeiro mandato, o prefeito pensou que estava governando Sucupira. Enganou-se. Aqui a massa crítica da cidade (que ele chama de elite ou de viúvas da família Amin) reage. Reage tão bem que a Justiça percebeu que não poderia deixar essa história passar em branco.

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6 responses to this post.

  1. Posted by Schneider on 16/12/2009 at 18:00

    Bela análise. Dissestes tudo!
    Mas, além das mentiras do Cavallazzi sobre a árvore, há uma mentira mais grave. A defesa da Prefeitura no TJ, onde vinculam a árvore com o palco e estrutura para o show do tenor. Sabe-se, está no Diário Oficial, que são coisas distintas. Então mentiram para o TJ. E por escrito. E mais esse crime como fica?

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  2. Esse é o Damião que gosto e aprendi a ler e admirar. Pare de fumar. Volta a fazer o que sabes. Cultura te sobra. Dê mais vida ao teu blog. Cinzento demais para o meu gosto. O Tijoladas inspirou-se no teu blog também. como do Canga e do César que anda me chamando de amigo do Hitler pode? Acho que ele está bebendo Oxata paraguaia.

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  3. corrija OXOTA

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  4. Schneider, Damião e Muska. Estava trampando longe da cidade desde às 4 e meia da madruga de ontem e perdi a celeuma com final feliz para CIDADE. A coisa pegou mal no Brasil todo. É motivo de piada. Mas o Odorico achava que patrolava todo mundo com seu trator. Cercou-se de uma malta com cupim na cabeça e só lhe dá conselhos de gerico. Não sou viúva do Amin, como não sou viúva dos Promotores (Gercino, Paladino…), do Juiz Fornerolli ou dos 29 Desembargadores que mantiveram a suspensão dos pagamentos programados no SUSPEITÍSSIMO CONTRATo. Ontem, no vôo um ente da camarilha defendia a história: é consórcio, sim; tem ART (teria sido feita depois e sem exigência do CREA); não vai dar em nada … etc … Encerrei, dizendo que não discutia engenharia com ele como não lhe franqueava discutir direito comigo.

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  5. bo les paul . derrubamos a arvore com raiz de 17 metros
    raizinha grande . essa nao dá pra fumar

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  6. […] ter escrito. O destino de Mário Cavallazzi já estava selado naquele dia 16 de dezembro (leia aqui). No dia 30, no Notícias do Dia, escrevi que o secretário não entraria em 2010 no cargo. Hoje […]

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