Crônica – Olsen Jr.

Não sei mesmo o que houve com a crônica do Olsen, ontem. Todas as sextas deixo o e-mail aberto para pegar a crônica e publicá-la imediatamente. Ontem, o gmail deve ter se distraído. Aí vai o tradicinal bilhete do poeta e, na sequência, a crônica — cuja leitura é indispensável.

Olá, camaradas, salve! 

Quem não apreciar ou se sentir ofendido com a palavra “camarada”, substitua-a por outra, porque eu gosto muito de tudo o que ela implica, é isso, com a sua carga histórica também…

Comunico aos leitores que me acompanharam até aqui (foram 12 anos e um pouco mais) que estou cumprindo o chamado “aviso prévio”, o que significa não escrever e nem publicar a boa e velha crônica de guerra todas às sextas-feiras no velho e já não mais tão bom A Notícia dos novos tempos…

O jornal está cumprindo o seu destino, se apequenando no regionalismo…

Sempre fiz um esforço (na máxima do Tolstoi, que não vou repetir) da universalidade, ainda que dentro da “comuna”… Aqui no sentido de comunidade, ou do burgo, se preferirem, gosto desse jargão … Só para chatear a ortodoxia acomodada e cúmplice…

A vida continua e faremos tudo de outra maneira…

A música que embala o texto era o prefixo do “Canal 100”, um telejornalismo criado na década de 1950 pelo Carlos Niemeyer (é parente do “home”, do Oscar)… E fazia enorme sucesso, pelas inovações e as várias câmeras que dispunha nos estádios para captar as imagens e sons do campo… Quase tudo o que se tem de imagens dos tempos românticos do futebol brasileiro são do arquivo do “Canal 100″… Era apresentado sempre, antes das sessões de cinema…

Deixou saudades…

E o texto aí, com o carinho de sempre do poeta…

Até mais… Quero dizer, até sexta vindoura, se o patrão lá da última invernada permitir!

FINAL DE CAMPEONATO 

Olsen Jr. 

Inevitável.

Well, essa é a palavra (e não tem outra) para a abordagem desse assunto. Em todos os lugares em que vou, o café, o posto de gasolina, o restaurante, na rua inclusive, o assunto é o mesmo: a última (38ª) rodada do campeonato brasileiro de futebol.

    Pela primeira vez, na era dos pontos corridos, chegam entre os quatro finalistas, três equipes (Internacional, Palmeiras e São Paulo) com o mesmo número de pontos (62) para decidirem no limiar do torneio. Ah! E uma delas (Flamengo) com dois pontos a mais, sugerindo que nada está decidido.

   O que está pegando, como se diz, é que o destino caprichoso permitiu que fossem possíveis duas equipes rivais em seu Estado de origem, no caso o Internacional e o Grêmio e que esta última pudesse “favorecer” a outra caso ganhe ou empate o jogo. Então a pergunta que se faz, será que “eles” vão se empenhar (mesmo não disputando mais colocação nenhuma uma vez que não podem auferir ganhos além da posição onde estão) como em uma disputa normal ou irão fazer “corpo mole” para com isso desclassificar o tradicional adversário?

   Tudo é possível pela razão muito simples, não se discute estratégia de combate com o adversário.

   Acontece que nós, os brasileiros, temos o péssimo hábito de buscar um “culpado”, um responsável, um bode expiatório para tudo, mesmo que não haja uma punição – caso se encontre – o tal. É uma espécie de “herança jesuítica”, se encontramos o “verdadeiro” causador de nossa aflição, então nos eximimos da culpa, em decorrência, não temos remorsos. É isso que nos perturba: o remorso.

   Sejamos francos, durante quase um ano inteiro o teu clube entrou em campo, uma vez por semana. Os jogadores foram lá, deram tudo de si, é o que se supõe, se empenharam por um resultado, ganhando, perdendo ou empatando. Agora, à luz de um distanciamento histórico (olha a redundância) você que é torcedor fica analisando e diz, mas bah! Se naquele jogo com o Barueri, “eles” não tivessem ficado no 1 a 1, e o teu clube fizesse logo o 1 a 0, então, os dois pontinhos não estariam fazendo falta, e o resultado na última rodada dependeria somente das próprias forças, não é mesmo?

   Concluindo, mas esse tal “se” (sempre ele) não entra em campo e, portanto, não joga nada. “Se” para cá e “se” para lá, agora, de pouca utilidade prática.

   Quando era guri, havia na coleção “Tesouro da Juventude” uma seção chamada “O mundo dos esportes”, acho que era isso, e me interessava pelos campeões em todas as áreas, lembrei do boxe porque li recentemente uma nota que me deixou chateado. Claro, em cada modalidade tem uma espécie de “Pelé”, um cara diferenciado, inigualável. No boxe, além do Rock Marciano (que nunca perdeu uma luta e morreu num desastre de automóvel) havia o Cassius Marcelus Clay (depois Mohammad Ali, adotando a religião mulçumana para escapar do serviço militar), que depois de ser campeão olímpico e em sua primeira luta como profissional ganhou do então campeão Sonny Liston, mas que a luta teria sido “arranjada”. A mulher de Sonny, Geraldine afirmou que ele, seu marido lhe havia dito que ganharia muito dinheiro caso perdesse a luta no primeiro assalto…

   O punho cerrado de Sonny Liston media 35cm. Receber um soco dele, se dizia, era como receber um golpe de pá no rosto. Depois disso, ficaram as dúvidas.

   Num País de escândalos como o Brasil onde a justiça está longe de punir os responsáveis desaconselhando mesmo a honestidade, o esporte, no caso específico do futebol, ainda parece ser um reduto inexpugnável de lealdade e decência. É no que precisamos acreditar, portanto, não me passa pela cabeça que um atleta entre em campo (beneficiando quem quer que seja) para perder um jogo, ninguém quer tal estigma em sua carreira.

   Ah! E se o título não vier, cada equipe, das quatro em condições de arrebatá-lo, saberá encontrar em sua própria trajetória uma boa explicação para o fracasso, sem precisar recorrer a um adversário para puni-lo com um desdém que por natureza lhe é inerente.

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