A árvore que incomoda a cidade

Um novo ingrediente na história da árvore dos milhões: o Patrimônio da União, proprietário da área onde está instalada a estrutura, não autorizou a montagem da decoração. A informação foi transmitida ao âncora Renato Igor (CBN-Diário), há pouco, pelo vereador João Amin (PP). Significa dizer que, daqui para frente, a questão deixa de ser circunscrita ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado, para se transformar num problema a ser resolvido pelo Patrimônio da União e, quem sabe, pelo Ministério Público Federal.

Amin deixou bem claro que não é contra a árvore, mas contra a forma como foi conduzido o processo, ou seja, a ausência de processo de licitação para um contrato vultoso, de R$ 3,7 milhões, lembrando que o valor foi dividido em quatro pagamentos expressos: apenas 43 dias separam a quitação das parcelas.

Logo a seguir, Renato chamou ao telefone o secretário de Turismo, Mário Cavallazzi, que aproveitou a oportunidade para desferir ataques contra seus ex-aliados, os Amin. Bem orientado pelo marketing, recuperou o argumento do desastre climático do ano passado – alegando que a atividade turística da Capital foi prejudicada e que, por isso, é necessário promover atrações que tragam mais visitantes a Florianópolis. Disse inclusive que esse foi um pedido das entidades que representam o comércio e o turismo (CDL e ACIF).

Nervoso, o secretário trocou Natal por Carnaval e, em nenhum momento, desfez o equívoco. Questionado sobre a licença que deveria ter sido obtida junto ao Patrimônio da União, Cavallazzi tossiu. Reconheceu o equívoco, disse que enviou um ofício ontem, mas ressaltou que esta “é a primeira vez em toda a existência da árvore no local em que exigem a obrigatoriedade da licença”.

A árvore será inaugurada hoje, às 19h30, com a realização de shows que vão atravessar a madrugada. É interessante observar que alguns dos shows representam o gênero musical preferido das gangues juvenis – o funk (letras de funk são notórias por defender a violência). E como a cidade anda cada vez mais insegura, é melhor o cidadão se cuidar. De preferência, deve deixar o carro em casa, não levar celular e não portar objetos de valor, como relógios e joias.

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3 responses to this post.

  1. Posted by Arvore boa essa on 05/12/2009 at 9:51

    Pelo que entendi o Cavalazzi diz que a arvore vai atrair turistas? Vai vir gente do mundo todo ver a arvore do Cavalazzi? Putzgrila!

    Responder

  2. Posted by Bernardo on 05/12/2009 at 10:57

    Concordo com o texto todo, e espero que o João Amin seja feliz nas tentativas institucionais de barrar esse processo de desvio de dinheiro.

    Mas o que tem a ver o estilo musical com gangues juvenis? Preconceito barato esse.

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  3. Posted by Schneider on 05/12/2009 at 16:13

    Concordo com o Damião em relação ao estilo musical. Cada gênero tem o seu público e existe o público das gangues. É um atrativo para esse público.
    Aliás, quando envolve dinheiro público o show deve ter caráter CULTURAL. Mas os governantes, interessados em atrair multidões e, assim, faturar politicamente, optam pela música popularesca. Esquecem os valores regionais e a música brasileira de qualidade, que poderia ser oferecida gratuitamente. Além disso as escolhas também não podem ser faraônicas, como o valor pago ao tenor italiano.
    Falta uma visão e um respeito no trato com a coisa pública.

    Responder

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