O Cavalinho Branco

O Olsen não bateu o ponto hoje com sua crônica semanal. Por isso, e em homenagem ao velho viking catarinense, resgato do fundo do baú a imagem em tela, que foi um dos belos cenários etílico-gastronômicos da nossa gloriosa Blumenau. Trata-se do lendário restaurante Cavalinho Branco (Zum Weissen Rössel), situado na Alameda Rio Branco, 165, reduto de intelectuais e turistas que marcou época na amada cidade do Vale do Itajaí.

O prédio é uma beleza. Originalmente, era a Maternidade Johanastif, mantida pela Igreja Evangélica Luterana, inaugurada em 1923. Mais adiante a casa de saúde foi desativada e, pelo menos durante mais de 40 anos, o prédio foi alugado para o funcionamento do restaurante típico.

Quando trabalhei no Jornal de Santa Catarina, tanto na redação de Florianópolis quanto na redação de Blumenau, tive a oportunidade de aproveitar muitas permutas para almoçar no Cavalinho, degustando aqueles pratos maravilhosos da culinária germânica – o eisbein sempre imbatível, meu favorito até hoje (pra quem não sabe, eisbein é joelho de porco assado).

Por volta de 1991, quando eu e o Olsen andávamos envolvidos com o lançamento do livro do Antônio Cabreira (Nosso Homem na Cozinha), fomos almoçar no Cavalinho. Chamamos nosso amigo comum, o saudoso Horácio Braun, para um bate-papo que acabou se prolongando por horas. Olsen e Horácio, numa mesa de restaurante, com um chope à frente de cada um, formavam uma dupla inesquecível: irreverentes, inteligentes, sarcásticos, nostálgicos. Não me lembro de ter rido tanto quanto naquela tarde e noite de uma quinta-feira, sentado com os dois no Cavalinho Branco. E foi lá que conheci outra delícia alemã – uma batida de laranja (não confundir com hi-fi, outra delícia) que é qualquer coisa…

Pesquisando agora na internet, descobri que o prédio não é mais ocupado pelo restaurante. Segundo o portal da Igreja Luterana, desde 2007 o imóvel abriga a Casa do Comércio de Blumenau, com CDL, Senac, Sindilojas e outras entidades.

Por último, uma informação essencial sobre a imagem acima: foi escaneada de um cartão postal da década de 1960, que pertence ao meu acervo. Integra uma coleção de postais que comprei em 2003 na livraria Casa Aberta, em Itajaí. A série pertencia a uma senhora chamada Nilza Leite, moradora de Itajaí, que tinha uma rede de correspondentes-colecionadores. No verso está escrito: “Para Nilza, uma lembrança do amigo Normélio, 14-10-70”. Mais uma informação: o postal foi impresso pela Gráfica 43, outra lenda blumenauense.

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5 responses to this post.

  1. Posted by paulo dutra on 04/12/2009 at 18:19

    FUI NESTE LUGAR O REST. CAVALINHO BRANCO VARIAS VESES.INCLUSIVE COM A NOSSA VERA FICHER
    ERA MUITO GOSTOSO
    QUE PENA QUE NÃO É MAIS REST.

    Responder

  2. Damião, em 83, 84, 85 fiz biscates nas maiores indústrias da região. Cavalinho é um dos ícones de minha infância. Ir a Blumenau sem comer no Cavalinho Branco não significava muito. Depois de marmanjo sempre foi um destino certo… Nossa Lindacap.

    Responder

  3. Posted by Olsen Jr. on 05/12/2009 at 10:28

    Damião, camarada, salve!

    Grato pela imagem e pelas lembranças.

    Meu pai nasceu aí, quando era uma maternidade, bem lembrada por você.

    Levei o pessoal do “Pasquim” e “eles” nunca mais foram os mesmos depois disso, ah, ah, ah…

    O Fausto Wolff teve a “humildade” de ensinar os dois garçons (a idade deles somadas daria quase 150 anos) a tirarem chope… O Fausto era de matar de rir, quando queria…

    Ali foi eleito o “Dia Internacional da Dobradinha” e também foi decidido que o chope do Cavalinho Branco era o melhor de Santa Catarina, uma vez…

    Minha comida preferida era o “Gulash” (uma espécie de molho bem apimentado com músculo acompanhado de uma massa que esqueci o nome em alemão, e dito de outra maneira não tem a menor graça)…

    Ah! Tinha um arenque defumado com nata… Duca… Tu vês, depoois de tanto tempo já não lembro os nomes, mas era algo como “Match’s Hering” (hering em alemão é arenque)…

    Boa a lembrança do Horácio, meu irmão, levaram (ou ele levou quando morreu) a alma da cidade… A cidade de Blumenau agora, é uma cidade “desalmada”…

    Sobre a crônica, acho esquisito você não ter recebido, afinal faço o que sempre faço nas sextas-feiras, isto é, remeter o texto para os amigos…

    Vou postar novamente para você, sempre que isso acontecer, me avise…

    O abraço fraterno do poeta!

    Olsen Jr.

    Responder

  4. Bebi todas lá. Mas a melhor de todas foi essa. Era editor de Cidade no Santa. Mauro Dorigatti ainda trabalhava na prefeitura e me ligou: acabo de sair da reuniao do Colegiado. Eles tem um plano para derrubar o predio do Cavalinho Branco. Náo pestanejei. Liguei para o Lindolfo Bell. Bell. Querem derrubar o prèdio do Cavalinho. Bell: Trepo numa janela e eles vao ter que derrubar junto. Materinha de dez linhas no Santa. E o Cavalinho Braco está là até agora, sem o velho charme, sem a vitela, mas está lá.

    Abraçao
    Arthur Monteiro

    Responder

  5. Carlos Parabéns pelo seu trabalho. Todos esses detalhes fantásticos que você postou eu connheço, já postei alguma coisa em meu blog.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

    Responder

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