Um tema cansativo, mas indispensável à discussão

A violência em Florianópolis é algo que se torna lugar comum, não há muito mais que dizer, a não ser se indignar com a falta de segurança pública, com o pouco caso das autoridades, que estão segurando as tropas nos quartéis – certamente para economizar combustível. Nada explica a inexistência de viaturas e homens da PM patrulhando as ruas, como acontecia até pouco tempo.

É certo, apenas, que a malandragem invade as ruas porque, de fato, não há segurança. O caso de Cacupé, em que um rapaz matou o caseiro de uma residência de luxo ontem à noite, é apenas ilustrativo da nossa orfandade de governo. O culpado pelo que houve em Cacupé, assim como pelo que há em toda a cidade, dia e noite, noite e dia, é o governo. Ou a falta de governo. Onde há autoridade, há respeito às leis e reina uma certa paz social.

O que aconteceu em Cacupé não foi a única ocorrência violenta de ontem. Chama atenção por se tratar de um bairro mais afastado, onde, em geral, moram pessoas de classe média e média alta. Mas vamos lembrar que a região foi invadida por migrantes de todas as partes, que construíram seus barracos nos morros do Monte Verde e Saco Grande. Nós sabemos que esse tipo de ocupação sempre implica no crescimento da violência.

Em tempo 1 – O Yuri fez uma observação interessante sobre o programa do Hélio Costa (Jornal Meio-Dia, RIC-Record) de ontem. Eu também vi a matéria sobre uma escola de São José que foi invadida por migrantes que não têm onde morar. O depoimento de uma moça que está morando na escola é chocante: ela veio com seis irmãos de Pernambuco para viver na Grande Florianópolis. E confessou, sem nenhum constrangimento, que eles chegaram aqui sem dinheiro e sem ter moradia em vista. Por isso, invadiram a escola abandonada pelo poder público.

Volto ao que já escrevi inúmeras vezes: o poder público perdeu o controle sobre as ocupações na região metropolitana. Não está nem aí. O único ponto positivo a registrar é o trabalho que vem sendo desenvolvido pela prefeitura de Florianópolis, que desaloja invasores que construíram casas e barracos em áreas de risco ou de preservação permanente. Menos mal que a prefeitura tenha, através de seus representantes, formalizado um acordo com os pobres coitados que vieram para cá, iludidos com a propaganda enganosa da qualidade de vida. Daqui pra frente, as residências só serão demolidas mediante prévio aviso e realocação.

Em tempo 2 – Ainda sobre a moça de Pernambuco que foi entrevistada no Hélio Costa: ela disse que vai ficar na escola até que a prefeitura de São José arranje uma casa pra ela. Assim é fácil. Pernambuco se livra da miséria e nós arcamos com as consequências da miséria. Simplesmente porque não temos governo.

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One response to this post.

  1. Posted by Bernardo on 19/11/2009 at 19:03

    Não tem casa? Quer arranjar uma de graça? Venha pra Floripa que a prefeitura arranja pra você. E melhor do que a casa que você invadiu.

    Resposta

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