Os novos donos de Florianópolis

Sinceramente, não queria voltar ao tema da favelização de Florianópolis, que é assunto problemático, polêmico e preocupante. É um fato contra o qual temos lidado nos últimos anos, porque o cinturão de miséria aumenta sobremaneira e sustenta os esquemas políticos vigentes – não há, entre os poderosos de plantão no governo e na prefeitura, quem não tenha se aproveitado, em eleições recentes, dos votos dessa gente que precisa de emprego, renda, água, energia, comida e moradia.

Compreendo, apoio e aplaudo o trabalho feito pelo padre Vilson e pelas organizações não-governamentais que tentam garantir melhores condições de vida para os migrantes que chegam aqui, às pencas, todos os dias. (*)

Mas temo, como tantos outros florianopolitanos, pelo futuro da nossa pretensa qualidade de vida e mesmo pela manutenção das já precárias condições ambientais. 

(*) Há algumas semanas, precisei viajar muito cedo. Cheguei à rodoviária antes das 7 horas da manhã. No desembarque, havia a mudança inteira – menos móveis – de uma família. Em questão de minutos, chegou uma Chevy, picape fabricada pela Chevrolet nos anos 1980, com placas de São Lourenço do Oeste (SC). Rapidamente, toda a tralha da família que chegou de ônibus superlotava a carroceria do veículo. Estava na cara que eram seis novos habitantes desembarcando em Florianópolis. E não havia ninguém do setor social da prefeitura para cadastrá-los, acompanhá-los, questioná-los. Isso não acontece, por exemplo, em Balneário Camboriú, onde a prefeitura tem um controle rigoroso sobre a chegada de novos moradores à cidade, pois mantém um plantão 24 horas do Departamento de Migração na rodoviária. Mas Balneário Camboriú é uma cidade turística, de verdade.

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5 responses to this post.

  1. Posted by Maria Aparecida Nery on 18/11/2009 at 14:33

    Administrar grana preta doada para ONG fazer trabalho “social” para tentar tirar criancinha carente das ruas é uma coisa. Comprar casinha irregular em parcelamento clandestino do solo sobre área de preservação permanente em encosta de morro, para “doar” a um casal de adultos (Ruy Antônio Pures Alves e a castelhana Rosa Elisa de Villanueva), ambos notórias “lideranças de movimentos sociais” que militam na linha bolivariana, é outra coisa bem diferente! E agora? Como é que se pode comprovar que o dinheiro da casa para Ruy e Villanueva não saiu das doações para as criancinhas? Kelly Cristina, é da turma do Ruy, Gert, Schenini, Modesto Azevedo, Ângela Liutti, Lino Peres, Nildo Ouriques, Alexandre Lemos, etc e tal. Ela comandava o sub-Núcleo Distrital do Morro da Cruz, subordinado ao Núcleo Centro do Ruy. Eles tentaram dar um golpe e assumir o comando do Plano Diretor. Vade retro!

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  2. Posted by Yuri on 18/11/2009 at 17:08

    Hoje no Hélio Costa passou uma matéria sobre o assunto, mas em São José. Um imóvel abandonado pela prefeitura foi invadido por diversas famílias. O repórter entrevistou uma moça jovem, desempregada, de origem nordestina, que mora lá. Ela disse que não pagam água, luz ou aluguel e que “o pessoal já veio aqui”, referindo-se a alguém da PMSJ, e “disseram que dariam uma casa para cada família, mas até agora nada”. É exatamente o que você, caro Damião, vem escrevendo sobre o assunto, o que também não é de desconhecimento da população nativa da região. Este tipo de acontecimento, a invasão desordenada, não é obra do acaso. É simplesmente a mais pura incompetência para lidar com o básico de uma administração pública. Esqueceram-se do básico e só pensam em árvores de natal, “centros multi-uso” e outras obras que em nada afetam positivamente o bem-estar da população. E as poucas obras (aquelas de concreto) que fazem e que realmente poderiam melhorar a cidade são feitas sem planejamento e com desperdício de recursos. Vide o elevado de Capoeiras, as ciclovias que saem do nada e vão a lugar algum e o novíssimo projeto do elevado do trevo da seta, um remendo de algo que deveria estar pronto há tempos e de forma completa conforme projeto original. Não são poucos os exemplos da incompetência desses “administradores” que aí estão.

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  3. Posted by Maria Aparecida Nery on 18/11/2009 at 20:20

    Não acho que devemos considerar incompetência se o poder público não constroi casas para doar para as pessoas que vem de fora sem ter sequer emprego ou onde morar, em troca da devolução daquilo que invadirem por “não ter onde ficar”. Não acho que o Estado deva prover mais nada além do básico em educação, saúde e segurança, além de assegurar uma economia forte e livre iniciativa para empreender. Mas há muita incompetência, sim, na total falta de fiscalização, na qual, é óbvio, deveriam ser investidos recursos como esses que Yuri cita.

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  4. Posted by Yuri on 19/11/2009 at 0:19

    Maria, a incompetência que cito é justamente deixarem famílias invadirem um imóvel qualquer e depois prometerem uma casa para sairem de lá. A incompetência está na prevenção e no planejamento. O que está acontecendo é um estímulo para outras famílias. Venham de qualquer jeito para cá, mesmo sem casa e sem emprego, que algum prefeito atrás de preciosos votos dará um jeito na situação…

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  5. Posted by Maria Aparecida Nery on 19/11/2009 at 5:51

    Escusas, Yuri. Eu havia entendido mal a sua manifestação. Taí, ó. Não é à toa que poucos meses atrás o Dário Berger e o padre Vilson envolveram-se em um debate um tanto ou quanto áspero sobre o Maciço do Morro da Cruz a propósito de “quem faz mais o quê” em “benefício” daquela região. Em minha opinião, os dois jogavam para uma platéia que consideram seus respectivos currais: um, eleitoral, e o outro, como direi, um curral “social”…

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