Um dilema urbano

Passou pelo Centro, há pouco, uma manifestação de moradores (uns 20) do Maciço do Morro da Cruz, indignados com as demolições que a prefeitura vem promovendo nas comunidades que ocupam áreas de preservação permanente e pontos de risco (encostas). Eles defendem uma tese: primeiro a prefeitura tem que construir casas para as famílias; depois, a prefeitura pode demolir o que está construído de forma irregular.

Muito fácil. O sujeito vem do Rio Grande do Sul, do Paraná ou do Oeste de Santa Catarina, monta um barraco em Florianópolis e passa, na condição de novo cidadão florianopolitano, a exigir soluções do poder público local. Claro que é um problema social. Mas não é um problema de Florianópolis, é uma questão do país, que continua sem uma política de desenvolvimento urbano capaz de resolver o inchaço das cidades, especialmente as litorâneas.

Florianópolis, como já discutimos aqui, passou a ser a tábua de salvação de todos – dos ricos aos miseráveis. Todos vêm para cá, na esperança de beliscar um pouco da nossa suposta qualidade de vida. Alguns respeitam a cidade e as condições ambientais. Mas uma imensa maioria está se lixando. Para os ricos, é mais fácil: pagam multas e refazem os projetos de suas casas ou empreendimentos. Para os pobres, realmente é um drama: iludidos pelo marketing oficial, vêm à procura de emprego e renda e acabam montando seus barracos em locais perigosos – sem falar que seguem destruindo manguezais, dunas, restingas e o que sobrou da mata atlântica.

A prefeitura está cumprindo sua obrigação. Nem poderia ser diferente, diante das constantes ameaças de deslizamento nas encostas. Mas também a prefeitura não é mágica, nem a cidade comporta mais habitantes. Estamos num momento crucial da história florianopolitana. Ou barramos de uma vez por todas essas invasões e a desordem que causam ou transformaremos Florianópolis numa cidade de terceira categoria — se é que já não chegamos a esse estágio.

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19 responses to this post.

  1. Posted by Guilherme on 16/11/2009 at 14:46

    Caro Damião. O que dizer, então, dos ciganos acampados ao lado do terminal de ônibus, na Via Expressa Sul? Florianópolis definitivamente virou a casa da mãe joana.

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  2. Posted by gs on 16/11/2009 at 16:18

    Uma coisa me intriga. Onde está o Minist.Público Federal nessa história da ocupação irregular das áreas de preservação e mangues por parte de favelados. Sim, pq p/ pedir o embargo da reforma da Ponte Hercílio Luz, ele (o MPF) está atento.Para brecar empreendimentos sustentáveis e geradores de emprego e renda então, nem se fala.Comprovadamente, esse órgão (MPF), age contra os interessses da nossa gente.Tambem pudera: tem algum procurador federal atuando em Fpolis, e que seja nascido ou criado aqui?

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  3. Posted by Guilherme on 16/11/2009 at 16:28

    O Ministério Público Federal não vai desistir enquanto não inviabilizar o campo de golfe do Costão do Santinho. Mas nada faz em relação à favela do siri, causadora de danos ambientais muito maiores, e isto para não falar da criminalidade que se instalou nos Ingleses.

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  4. Posted by Arnaldo on 16/11/2009 at 23:04

    Foi essa gente mesmo que votou maçissamente nestes que aí estão. E o troco não tardou! Que bom…

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  5. Posted by Diego on 17/11/2009 at 8:29

    Damião, talvez tenha faltado ao jornalista informações da Secretaria de Habitação e, sobretudo, sobre o papel da mesma e o que vem fazendo em relação à Habitação de Interesse Social na Ilha. Pergunto: existe um Plano de Habitação para Florianópolis? Quais as medidas que ele contempla? Quais os projetos? De que forma este suposto Plano de Habitação trabalha com o crescimento econômico na Ilha e a relação trabalho (via empreendimentos turísticos) x mão-de-obra (na grande maioria garçons, domésticas, arrumadeiras, enfim, empregos de baixa especialização)? Qual a articulação deste Plano de Habitação com o Plano Diretor? Qual a articulação deste Plano de Habitação com o Plano de Mobilidade (existe isso aqui em Florianópolis?)? Qual a articulação deste Plano de Habitação com a Legislação Ambiental Federal, Estadual e Municipal?

    Feitas estas perguntas, tentemos respondê-las! Mas uma deve ser respondida primeiro: ONDE ESTÁ O PLANO DE HABITAÇÃO PARA O MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS? Após isso, passemos a acusar essa corja que se arremte para a Ilha da Magia de forma minimamente embasada, livre de preconceitos de classe, coisa que percebi em teu texto, assim como nos comentários que seguem, infelizmente, ou melhor, felizmente, pois isto é democracia. Essa gente de terceira classe é que nos serve diariamente (nos bares, nos hotéis, etc.) e o direito de ir e vir é garantido a todos na Constituição. Além do mais, essa gente de terceira não dispõe de advogados que lutem pela suas causas, as quais, até onde entendo, compreendem o trabalho, a saúde, a educação e a moradia (ainda que sobre o mangue, dunas ou matas), tudo isso, direitos mínimos, enfim, ninguém está pedindo um campo de golfe no quintal de casa.

    Saudações,

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  6. Posted by gs on 17/11/2009 at 9:11

    Plano de habitação? O plano de habitação é arrancar e não deixar construir morro acima ou em APPs. Esse é o problema. A cidade espera muitos planos e muitas TEORIAS mas, enquanto isso, a favela toma conta. Já que o nosso amigo aí de cima é muito teórico, manda ele dar uma olhada no plano de habitação do Rio de Janeiro, feito na década de 60 pelo Gov. Carlos Lacerda, e comparar como está o Rio hoje. É muita teoria e pouca ação policial p/ coibir ocupação irregular. Desses teóricos, o Rio de Janeiro está cheio…..

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  7. Posted by Diego on 17/11/2009 at 11:59

    Caro GS,

    Sou um teórico, é verdade, mas não ignorante. Além disso, no ano passado, efetuei pelo menos 15 incurssões pelas comunidades do Maciço do Morro da Cruz, como um teórico, como técnico da área, como Arquiteto e Urbanista que sou, enfim, integrante de uma equipe de consultores dispostos a implementar o Plano de Manejo do Parque Natural do Maciço do Morro da Cruz. Acredito não ser necessário eu ir dar uma olhada apenas no plano de habitação do Rio de Janeiro. O que digo e afirmo é que, em Florianópolis não há qualquer Plano de Habitação minimamente satisfatório, que coiba as práticas de ocupação irregular. Minha pergunta:

    As invasões irregulares no Maciço existem por má vontade de quem: daqueles que não dispõem de recursos para ocupar áreas adequadas ou da Prefeitura de Florianópolis, que não apresenta competência suficiente para elaborar um plano de habitação minimamente satisfatório?

    Observação: não concordo com a ocupação de APP’s e áreas do gênero, nem pela classe D, C, B ou A, nem por campos de golfe ou equipamentos similares.

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  8. Posted by Diego on 17/11/2009 at 12:01

    Caros companheiros,
    apelo para a sensibilidade e para o apoio de cada um de vocês. Com é de conhecimento de todos, o Ruy, liderança do Fórum do Maciço do MOrro da Cruz, foi expulsa de sua boa casa a cerca de uns 4 anos, onde residia com sua mãe e esposa no MOrro da Mariquinha, tal expulsão foi motivada por sua militancia contra o tráfego de drogas e sua luta contra a criminalidade arraigada naquela localidade. Não só bastasse a expulsão, sua casa foi completamente destruida, sendo utilizada atualmente como campo de futebol para os traficantes locais. Depois de morar de aluguel com sua esposa por vários anos, O Pe. Vilson comprou para ele uma humilde casa, no alto do caeira do saco dos limões, que de tão humilde estava quase caindo, fator que levou o Ruy com suas próprias mãos e com a doação de amigos e parente tentar refazer a construção, de modo que pudesse viver em melhores condições. No entanto, o Ruy não estava livre da perseguição, na quinta feira, foi notificado pela prefeitura, com um auto de infração, foi até lá para tentar resolver hj e quando chegou em casa, foi supreendido com a demolição do que seria sua nova casa. ISSO DEMOLIÇÃO, COM A JUSTIFICATIVA DE QUE A CASA ESTA SENDO CONSTRUIDA EM ÁREA IRREGULAR. Imaginem vcs, onde no maciço do morro da cruz tem áreas regulares? Será que conhecem o maciço ou estão só fazendo perseguição política, visto que o fiscal da SUSP, informou que o Ruy ESTÁ sofrendo isso pq fala demais? Será que não sabem que as obras do PAC passam em frente a casa do Ruy, e será que sabem que toda a área é de preservação permanente? Desta forma, gostaríamos do apoio de todos vcs, com suas articulações, sejam elas na oposição ou situação, mais principalmente na militancia, denúnciando tal absurdo e principalmente fazendo se tornar público essa situação. Amanhã, contamos com a presença de todos que puderem, estaremos fazendo uma reunião na Igreja do Alto da Caeira do Saco dos Limões, a cima do Monte SErrat, as 19 hras, para traçarmos estratégias de enfrentamento desta situação, pois se continuarem fazendo este tipo de repressalia, muitas de nossas lideranças sofreram com as consquencias que hj o Ruy está sofrendo.
    Aguardamos o apoio e solicito contatos com os órgãos de imprensa para divulgarem esta situação e que instituições como a UFECO e o Fórum da Cidade, possam apoiar esta causa.
    Agradeço a todos.
    Kelly Cabral
    Assistente Social

    Responder

  9. Posted by Guilherme on 17/11/2009 at 12:19

    O Brasil é o país do “justificável”. Para tudo que se faça de errado e de ilegal, há sempre uma justificativa. Se alguém rouba, justifica-se dizendo que há quem roube mais. Se o PT rouba, não tem problema, o PSDB e o PFL também roubavam. Se alguém ocupa uma área ilegal, não tem problema, há outros ocupando outras áreas irregularmente. E assim vai se justificando as ocupações irregulares. Para justificar as ilegalidades cometidas pelos mais pobres, sempre haverá uma esquerdopata ou um intelectualóide dizendo que não se pode exigir o cumprimento da lei pelos mais pobres porque os ricos não a cumprem, como se o respeito às leis e às normas vigentes estivesse relacionado com a classe social. A questão é muito simples: se há ocupação irregular, no maciço do morro da cruz ou em qualquer outro lugar, a área deve ser desocupada e a casa demolida, e ponto final.

    Responder

  10. Posted by Diego on 17/11/2009 at 12:27

    esquerdopata !? intelectualóide!? rsrsrs

    Responder

  11. Posted by Diego on 17/11/2009 at 12:27

    PT!?

    Responder

  12. Posted by Diego on 17/11/2009 at 12:28

    PSDB!? PFL!?

    Responder

  13. Posted by Diego on 17/11/2009 at 12:29

    Acredito estar havendo falta de honestidade, com as palavras e com a consciência de cada um!

    Abraço fraterno a todos!

    Responder

  14. Posted by Maria Aparecida Nery on 17/11/2009 at 15:25

    Pronto, o Diego “ocupou” o blog com suas teses pobristas para Florianópolis. “Essa gente de terceira classe é que nos serve diariamente (nos bares, nos hotéis, etc.) e o direito de ir e vir é garantido a todos na Constituição.” O direito de ir e vir – como todos os direitos – não é absoluto. Há deveres que se opõem a ele. Ninguém pode defender o direito de alguém vir morar em Floripa, se for para ocupar encosta de morro (se é pra ocupar as encostas dos morros, sugiro que ponham lá os ricaços, que tem condições de construir melhor e reduzir os índices de ocupação. Além disso, aconteça o que acontecer com suas edificações, o governo não tem nada a ver com isso: eles que se danem!) Se o cara não tem pelo menos onde morar, veio fazer o quê aqui? Tenho uma pista: o Ruy Pures Alves é uma das “lideranças de movimentos sociais” que aparelhou o Núcleo Distrital do Centro na fase do “participativismo popular” do Plano Diretor, através de fraudes na audiência pública, formamelmente denunciadas ao Ministério Público pelo prejudicado. Outra fraude: o Ruy foi “eleito” representante do Núcleo Distrital Centro, mas morava há quase dois anos no Distrito do Rio Vermelho, onde apoiou a “eleição” de seu companheiro Céar Ismar Schenini (que mora em um “condomínio” irregular praticamente em cima das dunas do Moçamba). César tumultuou o quanto pode o Núcleo Distrital do Riovê. O trio esquerdopata Ruy Antônio Pures Alves (de onde ele veio?) e os gaúchos César Ismar Schenini e Gert Schinke (que, mora numa servidão clandestina, no alto do morro do Pântano do Sul, de frente para o mar) foram flagrados e denunciandos em gastos exorbitantes nos telefones que o IPUF entregou para os representantes distritais administrarem as atividades dos núcleos no Plano Diretor. Durante o recesso de fim de ano, em 2007, depois das festas de fim de ano em Porto Alegre César levou o aparelho em uma “excursão” pelo Nordeste, na qual trabalhou como “produtor cultural”. Um escândalo que a “grande imprensa” amiga dos agitadores esquerdinhas preferiu fazer de conta que viu…

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  15. Posted by Maria Aparecida Nery on 17/11/2009 at 15:27

    CORRIGINDO:
    Um escândalo que a “grande imprensa” amiga dos agitadores esquerdinhas preferiu fazer de conta que NÃO viu…

    Responder

  16. Posted by Guilherme on 17/11/2009 at 15:48

    Subscrevo cada palavra da Maria Aparecida. E Diego: leva o Ruy para morar na tua casa. Não haveria ato mais “fraterno” do que esse.

    Responder

  17. Posted by Maria Aparecida Nery on 17/11/2009 at 16:05

    Escusas, só mais uma coisinha: “O Pe. Vilson comprou para ele uma humilde casa, no alto do caeira do saco dos limões.. No entanto… na quinta feira, foi notificado pela prefeitura, com um auto de infração, foi até lá para tentar resolver hj e quando chegou em casa, foi supreendido com a demolição do que seria sua nova casa. ISSO DEMOLIÇÃO, COM A JUSTIFICATIVA DE QUE A CASA ESTA SENDO CONSTRUIDA EM ÁREA IRREGULAR.” Será que entendi direito? O Pe. Vilson Groh comprou um imóvel irregular em encosta de morro e doou para o Ruy? E será que o Padre nos concederia a graça de revelar DE QUEM comprou, quanto pagou etc e tal? Ademais: é melhor mesmo o Ruy escafeder-se de novo, porque com toda essa propaganda sobre seu novo domicílio, os “trafegantes” que o Diego denuncia não vão tardar a encontrá-lo para ajustar as tais contas…

    Responder

  18. Posted by João Marcos on 17/11/2009 at 20:07

    Bem não se pode culpar a população, pois se não temos fiscalização, as pessoas vão invadir! Se os outros podem eu também quero minha parte depois vou ser indenizado mesmo, acho que alguns agem com este raciocínio.

    Responder

  19. Posted by Rafael Moris on 20/11/2009 at 16:18

    Deixem-me ver se entendi direito: estaria o Padre Wilson “comprando” casa em área de preservação permanente, incentivando a ocupação irregular, a especulação imobiliária e a proliferação de currais eleitorais? E para que partido? Sim, porque muitas áreas de ocupação irregular foram incentivadas por esquerdopatas, como Tapera e Favela do Siri para se transformarem em currais eleitorais. Eu só não imaginava que o Pe Wilson incentiva esse tipo de ação.
    Morro e não vejo tudo!!!

    Responder

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