Crônica do Olsen – “O professor Darcy Ribeiro”

Olá, caríssimos, salve! 

O que me motivou ao texto da crônica foi apenas algo, como diria a amiga Sonia Felipe “um exílio ético”, acho que foi isso…  

Tem de haver uma referência “confiável” em algum lugar…

É! Pra se começar novamente, tudo… Desta vez, sem concessões mesmo… 

 

A música é uma preciosidade, “A Taste of a Honey”, de Bobby Scott e Ric Marlow…

A taste of honey também é um jogo (inventado em 1958) inglês… Também o nome de um grupo musical, cultura inútil…

Mas o que interessa é a música… Ganhou notoriedade quando os Beatles (sempre eles) gravaram em seu primeiro LP…

Essa versão do Herb Alpert & Tijuana Brass ficou “duca”…

Um abração do viking! 

O PROFESSOR DARCY RIBEIRO 

Olsen Jr. 

(Para Arthur Monteiro, Emanuel Medeiros Vieira, Nei Duclós e Tabajara Ruas). 

   Ao contrário do que afirma a música “Ideologia”, do Cazuza “…Meus heróis morreram de overdose”… Os meus, morreram em combate… Não necessariamente com um fuzil nas mãos, mas assestando as palavras como balas e fazendo da literatura e dos ideais, uma trincheira que defenderam com todas as forças enquanto puderam.

   Foi logo depois do exílio, da Abertura, junto com o DCE – Diretório Central dos Estudantes de Blumenau e com o apoio de alguma liderança da Comissão Executiva Regional do PTB na época, convidamos o antropólogo Darcy Ribeiro para uma palestra na FURB, dezembro de 1980. Foi um alvoroço. A trégua conseguida a duras penas pela Abertura ainda não havia sido bem assimilada, mas os fatos se impunham.

   O professor ficou hospedado no Hotel Garden na Rua Padre Jacobs, estive lá com amigos, lembro do poeta Vilson do Nascimento, do professor Cabral e do jornalista Arthur Monteiro que me passou algumas perguntas para fazer, na época era correspondente do jornal “Correio do Povo” e não pode ficar, mas tivemos uma aula gratuita sobre o Brasil com um dos seus maiores especialistas.

   Well, tinha 25 anos, estava com uma máquina fotográfica, gravador e levemente intimidado, afinal, iria entrevistar um homem que já tinha se transformado (ou fizeram dele) em uma “instituição”… Sartre recusou o Prêmio Nobel de Literatura porque, entre outras, acreditava que um escritor não deveria se transformar em uma “instituição”… Enfim, somos responsáveis pelo nosso destino, lembro quando disse “O importante não é o que fazem de nós, mas o que nós fazemos com o que fazem de nós”…

   Tinha lido apenas dois livros do entrevistado, “Unb; Invenção e Descaminho”, sobre a Universidade de Brasília que ele tinha fundado e “O Processo Civilizatório”.

    Mas foi fácil. Ele nos deixou à vontade, falou da Abertura que se iniciava (pré-Anistia), índios, educação, censura, partidos, política, greves, história, exílio, e principalmente da universidade e seus (des)caminhos.

   Ex-discípulo de Cândido Rondon, grande admirador de Anísio Teixeira, ex-chefe da Casa Civil de João Goulart, ex-ministro de Educação, um dos fundadores  da UnB e seu primeiro reitor, reformador de universidades, no Uruguai, Chile, Venezuela, Peru e Argélia e até aquela data, o único brasileiro a ser laureado com o título de Doutor Honoris-Causa da Sorbonne – a universidade mais velha do mundo (o que ele fazia questão de acrescentar) o primeiro intelectual brasileiro a ter sua voz gravada em disco num coleção especial denominada “Vozes Vivas da América” promovida pela Universidade do México. Autor de pelo menos três dezenas de livros, a maioria publicada fora do Brasil, considerando o seu tempo de exilado político…

   À noite, na Furb, foi uma apoteose. Durante os 12 anos em que lá estive (fazendo engenharia civil e depois direito) nunca vi tamanho público para assistir a uma palestra. O anfiteatro estava lotado, todos os lugares tomados e as pessoas se apinhavam nas janelas do térreo. Nem mesmo o vice-comandante do 23º BI completamente embriagado foi capaz de “empanar” o evento. Aliás, tanto o militar quando o conferencista precisaram de apoio para sair do local, o primeiro para não atrapalhar o feito, e o último para sair com vida, coisa de louco, mas é história……   É a que ajudamos a fazer, e a escrever, e o que está feito está feito…

   Ao todo, cinco páginas de jornal tablóide, na boa e velha linotipo de guerra, a maior entrevista que deu para um jornal brasileiro. Foram 50 exemplares, edição nº 51 do “Acadêmico” distribuído em mãos pelo próprio no início de 1981.

   Tudo isso vem a propósito da carência de valores éticos e do imenso leque de atalhos e desvios pelos quais estamos passando, mas francamente, nunca vi ninguém falar do Brasil com tanta paixão como o professor Darcy Ribeiro, a despeito de que “nunca antes na história desse País”…

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