Forçando a barra

Estou impressionado com a quantidade de especialistas em energia elétrica que apareceram na grande mídia, nas últimas horas, tentando explicar ou conectar o apagão com a realidade política brasileira. A comentarista Lúcia Hippolito (CBN) deu um jeito, há pouco, de relacionar o blecaute à família Sarney – por conta do fisiologismo político que marca o governo Lula. Ai, ai.

Ah, sim, e teve gente que fez de tudo para incluir Santa Catarina no apagão, mas não conseguiu (e não se conformou). O engraçado foi a rede de comunicação gaúcha dizer, a certa altura dos seus noticiários, que 200 mil catarinenses teriam sido afetados pelo blecaute. Agora, ao entardecer, esse número caiu para 120 mil, que é na verdade um cálculo estimativo, baseado no número de residências que teriam sido afetadas.

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5 responses to this post.

  1. Posted by Schneider on 11/11/2009 at 18:59

    Aproveitando o gancho…
    Quando ocorre algo relevante na área econômica, surgem milhares de comentariastas e especialistas para analisar os fatos. Por que será que nenhum desses economistas soube prever ou alertar para o ocorrido? Comentar depois é bem mais fácil.

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  2. Posted by Yuri on 11/11/2009 at 19:14

    Interessante é a nossa grande mídia local não ter feito um paralelo com o apagão que atingiu Florianópolis por dias, há poucos anos. A causa foi muito semelhante: Problemas nas linhas de transmissão. Só que o nosso foi mais pitoresco. Foi causado por um liquinho.
    Qual o motivo para não lembrarem daquela grande incompetência? Aparentemente está tudo bem. Ou não?

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  3. Posted by Sergio Luiz da Silva on 12/11/2009 at 4:14

    Damião, o post é perfeito. As “análises” realizadas pelos “especialistas”, incluindo a Sra. Hippolito (ela analisa tudo !), é de trincar os dentes. Até jornalista esportivo produz teses sobre o ocorrido.
    Atuei durante 27 anos no setor elétrico e, asseguro, situações como esta são passíveis de acontecimento – gostemos ou não. Embora sistemas de alta confiabilidade sejam projetados e construídos da melhor forma, estão sujeitos a falhas. Não existe exceção em lugar algum do mundo. Nós continuamos viajando em aviões, pois não? No entanto, para que na ocorrência de falhas os efeitos não tenham consequências danosas, uma série de medidas são adotadas. Isso pode se traduzir em sistemas redundantes (quando um falha, outro é acionado de imediato); dispositivos de proteção e segurança e uma série de práticas de manutenção – preditivas, preventivas, corretivas. A conjunção de fatores que podem levar ao desligamento de linhas, subestações, usinas são as mais diversas. Desde fatores humanos, equipamentos (mesmo aqueles com manutenção perfeita), clima, etc.. O setor elétrico brasileiro é de alta confiabilidade, mas, como salientei, sujeito a imprevistos pela própria complexidade . Curiosamente, finalizei há poucos dias um estudo acerca de HROs (High Reliabilty Organizations). Um excelente trabalho para dar de presente para aqueles panacas que resolvem tratar dessas situações de forma política/ideológica ou com chutes para todos os lados. Para a situação recente certamente aparecerão explicações, talvez convincentes. O fenomeno também poderá tornar-se inexplicável. É uma possibilidade.
    Para finalizar: (1) Schneider, as váriáveis econômicas no mundo atual são infinitas e de dificil apreensão até mesmo pelos economistas. Previsões (decentes) em economia surgem do uso de modelos. Modelos por mais complexos e “completos” são simplificações. Assim… (2) Yuri, as causas dos dois problemas não são semelhantes de modo algum. O incidente em Florianópolis ocorreu durante um processo de manutenção. Aliás, nada pitoresco. O uso de “liquinho” para o aquecimento da mufla era o procedimento correto naquela situação. Os problemas? Um lugar complicado, fatores adversos, falhas diversas e uma sequencia de situações inesperadas.

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  4. Posted by Joanildo on 12/11/2009 at 8:53

    Damião, ninguém aqui está questionando o sistema, que, como depende de fatores externos também, pode sofrer quedas. O problema, que está se questionando, é o Presidente e seua asseclas, baixarem o cacete quando eram oposição e não terem feito muita coisa para amenizar o problema. Olhe o caso de hospitais públicos, maternidades… que nem gerador tinham. Eo black out durou mais de 4 horas. Caramba! Isso não é hora pra fazer política, mas sim exigir responsabilidades. “Eles” são nossos governantes. Devem assumir responssabilidades. Não é so surfar na crista da onda. Queria saber se um filho ou neto deles estivesse numa dessas maternidades… E todos os micros, médios, grandes empresários que tiveram prejuízos incalculáveis? Vamos para de hipocrisia e começar a cobrar. Eles são nossos governantes. Tem por obrigação assumir a responsabilidade.

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  5. Posted by Yuri on 12/11/2009 at 16:26

    Sergio, me referi à semelhança focado na transmissão de energia. Foi interrompida. É esse o ponto da semelhança. Concordo plenamente que as causas foram diferentes na origem (manutenção X descargas atmosféricas). Quanto ao “liquinho”, pode até ser adequado para a situação, mas os cuidados não foram tomados, pois era um espaço confinado, com grande potencial de explosão, o que realmente aconteceu.
    Uma coisa que eu gostaria de saber é se os funcionários usavam o “liquinho” em espaços confinados concomitantemente com ferramentas elétricas sem isolamento intrínseco. Também gostaria de saber o tipo de tecido das roupas que usavam, e se tinham bolsos nas camisas, por exemplo.
    Abs,

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