Rebeldes sem causa e suas emoções baratas

Em Florianópolis, um grupo de arruaceiros foi ao cinema do Iguatemi Shopping. Mal-educados, grosseiros, estúpidos, tomavam cerveja dentro da sala de projeção e arrotavam sonoramente durante a projeção do filme. Outras pessoas da plateia não gostaram do comportamento dos primatas e, ao fim e ao cabo, instalou-se a confusão, com uma pancadaria que durou alguns minutos. [Segundo a matéria do DC on-line houve falhas na segurança].

Estamos sujeitos a isso quando vamos (ou quando podemos ir) ao cinema dos shoppings, essas salas horrorosas, baseadas no consumo maciço de produtos alimentícios, bebidas e filmes mais-ou-menos. Uma ida ao cinema, nos meus tempos de guri, era uma verdadeira solenidade. As casas tinham glamour, os freqüentadores se vestiam bem, eram educados e adoravam cinema. Hoje, uma turba de cretinos consegue se infiltrar em todas as sessões, até nos filmes infantis, para perturbar o sossego dos outros. Lamentável que tenhamos chegado a esse ponto, por culpa exclusiva do consumismo.

Num evento recente, conversei com o superintendente de um shopping da região metropolitana e contei-lhe o que vi no shopping de Itajaí, onde os arruaceiros também dão as caras todos os dias, faça chuva, faça sol. Ele me disse que, infelizmente, por falta de alternativas de lazer nas regiões centrais e também nas periferias das grandes cidades, essa tendência está se alastrando pelo Brasil. Cada vez mais cretinos frequentam os shoppings à procura de emoções baratas. Jovens vazios, sem conteúdo, sem bandeiras, sem causas que valham a pena, verdadeiros amebas. A causa deles é atrapalhar a vida dos outros. Banais, são eleitores que estão escolhendo essas coisas que nos governam.

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5 responses to this post.

  1. Posted by Helio on 11/11/2009 at 6:45

    Damião, isso (e muuuitas outras coisas por esse Brasil afora) acontecem em razão da leniência da lei (minúscula mesmo). Se forem pegos em “flagrante” vai um terminho circunstanciado e não dá em nada!
    Vide os proprietários de botecos e similares que são pegos com máquinas caça-níqueis: assinam o tal “terminho” e tchau. Há, nesse caso, proprietários que são reincidendes mais de dez vezes!
    E não adianta reclamar das leis: quem as fazem, fazem-nas em proveito próprio ou de terceiros, de propósito, já que, futuramente não vão atingí-los, ou aos seus “filhinhos”, ou seus “pares” (cupinchas).
    E dizer que essa “raça” está lá por força do voto! Nossos (no sentido amplo) votos !
    Sei não, mas para onde “caminha a humanidade”, estou pensando seriamente a ficar propenso por outra forma de governo! Estou ficando cansado de ver diariamente nos blogs (principalmente) e em outros meios de comunicação, falcatruas em cima de falcatruas. É a “banalidade do mal”. E ninguém dá um basta nisso. Ahhhg!

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  2. Posted by Guilherme on 11/11/2009 at 7:21

    Caro Damião. Concordo com cada palava sua. Porém, considerando que se trata de um estabelecimento privado, creio que esses problemas poderiam ser minimizados caso o Shopping ou o cinema, por meio de seguranças, barrassem esse tipo de gente. Vou freqüentemente ao cinema com minha esposa e minha filha. Na última vez, pagamos só de entrada R$ 46,00 (o filme era 3D). Por esse preço, era dever do estabelecimento (e não do Estado, ou de algum governo) garantir o nosso divertimento com o máximo de segurança. Arruaceiros existem em qualquer lugar, especialmente nos países ditos civilizados e de primeiro mundo. À primeira vista, a impressão que fica é que o cinema, em nome da lucro, está deixando qualquer um entrar no cinema.

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  3. Posted by João on 11/11/2009 at 7:39

    Esta é a educação do povo brasileiro. Sem educação adequada, sem esportes, sem pais presentes, sem lazer, essa cacalhada vai pro shopping. E pode ter certeza, se estavam no Iguatemi, eram filhinhos da classe média alta de Florianópolis. Playboyzinhos metidos a besta que poderão ser futuros vereadores, deputados, empresários! Ah sim, lembrando que a segurança do Shopping Iguatemi é feita pela empresa do prefeito.

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  4. Posted by Erico on 11/11/2009 at 11:19

    A falta de educação de uns provoca o cerceamento de liberdade de outros. Porém, como adivinhar quem vai fazer confusão e barrá-los na entrada? Infelizmente, isso é praticamente impossível. Colocar seguranças dentro de cada sala é uma alternativa custosa e espúria. Só falta ter um leão-de-chácara em cada restaurante para nos sentirmos protegidos né não? Quanto às salas de cinema, que se critique a produção atual de filmes, mas dizer que elas são horrendas é um naco de primitivismo. É obvio que, em termos que qualidade, as salas modernas dão de 1000 nas antigas. O fato de não termos mais um Taxi Driver ou um 2001 aí toda semana não é culpa das salas, convenhamos.

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  5. Ontem fui almoçar com um amigo e na fila do self-service tinha dois rapazes e uma moça falando alto, gritando – literalmente, cuspindo na comida. Não é só nos cinemas que eles estão.

    As vezes me pergunto se estou ficando intolerante, mas cada vez que um aluno entra na minha sala e não se dá ao trabalho de bater na porta e pedir licença ou verificar se estou atendendo alguém, desisto da auto-crítica.

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