Contraponto às sugestões para o trânsito

O leitor Fabiano, que se identifica pela causa (Bicicleta na Rua), deixou um extenso comentário em resposta às sugestões de Dejair Vicente Pinto. Vale a pena ler, porque é mesmo um contraponto interessante (e este blog não é dono da verdade) à questão da mobilidade em Florianópolis: 

Sou contra várias dessas alterações sugeridas, em especial a transformação da Mauro Ramos em 4 pistas de sentido único e a retirada de semáforos.

Na verdade, faltam semáforos na cidade (e fiscalização em vários destes que permitem que motociclistas e motoristas imprudentes queimem um semáforo para ficar parado no próximo).

Infraestrutura para automóveis gera demanda para o uso de veículos motorizados individuais. Los Angeles têm cerca de uma dezena de pistas na entrada da cidade e ela vive lotada! As marginais Tietê e Pinheiros não resolveram o problema do trânsito e ainda impossibilitou as margens dos rios paulistanos para atividades “humanizantes” (ou as que poderiam ter se ele não estivesse poluído; o legal é que com a falta de acesso ao rio diminui a pressão da população da cidade para sua descontaminação…). As cidades que têm melhorado a mobilidade o que têm feito? Seul acabou com as rodovias à beira de seus rios. Copenhagen fechou para automóveis a maior de suas avenidas. Curitiba melhorou o transporte público (se bem que o sistema de binários lá adotado recebe muitas críticas porque não previu o deslocamento por bicicleta, e infelizmente no Brasil vários ciclistas vão andar na contramão para economizar tempo de deslocamento). Eu gosto de binários. Desde que ele favoreçam ao deslocamento não motorizado e ao transporte público. Ter uma cidade dinâmica não significa dinamismo aos automóveis. Eles correspodem a cerca de 30% dos deslocamentos dos brasileiros. Um terço dos deslocamentos são feitos por transporte público e outro terço por meios não-motorizados (como a pé e de bicicleta). Se dermos mais incentivos para a construção de novas autopistas, podemos conseguir chegar ao nível dos EUA, onde temos o absurdo índice de 89% das viagens pelo indivual e poluente carro. Quem tem que andar de carro, se assim o quiser, é quem mora longe do local de trabalho (>8km) em lugar com sistema de transporte público ruim. São os policiais, bombeiros e ambulâncias em serviço. Não a minha vizinha que vai à padaria da esquina!

PS: sem semáforo, como ficariam os pedestres que cruzam a Mauro Ramos? Ou os que cruzam a Beira-Mar? Nas regiões centrais e de grande fluxo de pessoas (como a Mauro Ramos) deveriam ser implantadas medidas de traffic calm, como as zonas 30 (em que a velocidade máxima é de 30km/h). Uma pessoa atropelada a 30km/h tem cerca de 90% de chance de sobreviver, enquanto uma a 60km/h tem 85% de chance de morrer. O ideal seria melhorar o transporte público (leia-se: além das faixas exclusivas, abrir a “caixa preta”; a idéia de um VLT tb me agrada), construir calçadas largas e decentes – em especial nas ruas com características de rodovias, implementar ciclofaixas em vias de trânsito mais lento e ciclovias e passeios compartilhados nas de trânsito rápido. Não sou também contra rodízios ou pedágios, desde que haja completa transparência com a receita daí obtida. Pistas duplicadas??? Bem, teria que contemplar calçadas e rígida fiscalização de velocidade e demais leis de trânsito, além de provável compensação ambiental. Em alguns locais o transporte marítimo tb pode ser uma boa pedida.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Henrique on 22/10/2009 at 18:03

    Acabar com a possibilidade de estacionamento de carros ao longo das ruas do Centrão tbém não seria uma boa para abrir espaço para pedestres, bicicletas e ônibus? Um desistímulo a mais para vir de automóvel para o miolinho da cidade.

    Responder

  2. Posted by Rodrigo on 23/10/2009 at 9:33

    O movimento para sanar o problema de trânsito provavelmente passará por medidas impopulares aos adoradores do carro. Nao será fácil e esta dificuldade é compreensível, pois de fato o carro oferece um tipo de conforto valorizado. Acho importante trabalhar firme na educaçao e informaçao da populaçao para o cenário amplo em termos de mobilidade. Nao se trata de privilegir um grupo ou outro, mas possibilitar a mobilidade sustentável, pois se continuarmos do jeito que estamos, ficarmos cada vez mais imobilizados. Sinto que a dificuldade das pessoas para pensar a mobilidade está no apoio em uma lógica exclusiva, oscilando entre só carro, ou só nao-carro. O debate deve transportar o foco para a busca da melhor soluçao e nao em privilegiar uma resposta ou outra, como se fosse uma discussao de gosto subjetivo.

    Responder

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