Reféns

1 – Menor efetivo da Polícia Militar nas ruas; delegados de polícia reivindicando justa atualização salarial; agentes prisionais em estado de greve, aguardando benefícios prometidos e não cumpridos pelo governo.

Lotéricas da Grande Florianópolis são assaltadas quase todos os dias. Por causa de um desses assaltos um bravo policial militar foi assassinado.

2 – Casas de família e estabelecimentos comerciais são invadidos por bandidos a qualquer hora do dia, em qualquer bairro da Grande Florianópolis. Em algumas lojas – mercearias, mercadinhos, padarias, farmácias – os donos já têm separada a verba para entregar aos assaltantes.

3 – Santa Catarina vive uma crise de autoridade, mais precisamente de falta de autoridade. A responsabilidade pela segurança pública é dever do Estado, assim como o atendimento à saúde e à educação. Mas o que faz o governo catarinense? Viaja. Titular e vice viajam para que o presidente da Assembléia Legislativa, Jorginho Mello, possa sentir por uns dias o gosto de governar. Mas é um governante interino, que não tem poder de fato, não resolve nada. Quem tem que resolver vive numa dimensão paralela, do nouveau-richisme, do deslumbramento puro e simples pelo poder (de direito e de fato).

4 – O que nos resta? Esperar, talvez inutilmente, que aconteçam mudanças reais no governo catarinense a partir de 1º de janeiro de 2011. Falta mais de um ano. Até lá, quantos PMs vão morrer em combate, quantas famílias vão sofrer perdas, quantos meninos e meninas mais vão se envolver e se matar na guerra do tráfico de drogas? Quantos estabelecimentos comerciais continuarão sendo atacados pelos bandidos?

5 – Sinto-me um refém. Refém dos bandidos – porque não saio mais à noite para caminhar –, refém de um governo distante, ausente, incompetente. E digo incompetente porque não faz o mínimo, que é a sua competência, que é o atendimento às questões básicas da população. Segurança pública entre elas, pra não falar do caos que domina os hospitais e as escolas.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Schneider on 16/10/2009 at 16:28

    Não é bem assim, o governo está atento aos problemas. Saibda que não há delegados descontentes, há policiamento nas ruas e não ocorrem assaltos às lotéricas… de Moscou.

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  2. Damião, pena que nossos bandidos não têm cultura. Porque senão vc poderia continuar caminhando na noite e ser confundido com James Joyce (vi uma foto dele em reportagem no DC e ele, na década de 20, tinha – ou vc tem – a tua cara) e os autógrafos seriam distribuídos aos montes. Abraços – Paulo

    Responder

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